ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Furto e fraude de energia ameaça sustentabilidade do setor em Cabo Verde 04 Janeiro 2023

O presidente da estatal cabo-verdiana Electra, de produção e distribuição de eletricidade, alertou hoje que o furto e fraude de energia está a pôr em causa a sustentabilidade do setor, lamentando o atraso da Justiça.

Furto e fraude de energia ameaça sustentabilidade do setor em Cabo Verde

“As perdas elétricas, sobretudo as perdas que têm a ver com o furto e fraude de energia, a questão da eficiência energética, são dos principais desafios que hoje o setor elétrico enfrenta. Estamos a falar de um problema que está a pôr em causa toda a sustentabilidade do setor, mas diria mais: Do país”, afirmou o presidente do conselho de administração da Electra, Luís Teixeira.

Segundo o responsável, “toda essa problemática vai impactar no preço final do consumidor, das empresas e das famílias”.

“Estamos a falar de cerca de 112 gigawatts-hora de energia que perdemos todos os anos. Estamos a falar de 25% de perdas a nível nacional”, explicou, durante a cerimónia realizada na Praia, de assinatura de contratos de parceria com vários órgãos de comunicação social privados, para promoção do consumo racional de eletricidade e combate à fraude e roubo de energia da rede pública.

“Entretanto, convém destacar aqui que [a ilha de] Santiago comparticipa com 36%. Mas temos casos [da ilha] do Sal, que rondam os 8%, é um número da Europa, dos Estados Unidos e é um bom número. Mas 36% em Santiago não se admite. Se retirarmos cerca de 10% - que é mais ou menos o que estimamos em termos de perdas técnicas -, significa que em Santiago, mais de 26% tem a ver com o furto e fraude de energia”, observou.

A título de comparação, Luís Teixeira explicou que essas perdas, somadas, “são mais do que a produção” de eletricidade nas ilhas de Santo Antão, São Vicente e São Nicolau, e mesmo superiores a toda a produção renovável em Cabo Verde (pouco mais de 20% do total).

“Ou seja, toda a produção de Cabo Verde em termos de energias renováveis desperdiçamos, ou perdemos ou é roubada nas nossas redes. Estamos a falar de 2,8 milhões de contos [2.800 milhões de escudos, 25,6 milhões de euros], cerca de 3,5% do Orçamento do Estado”, enfatizou.

Segundo o administrador, a Electra tem recorrido aos tribunais sempre que possível, mas os resultados não satisfazem, com 437 pessoas condenadas e 187 absolvidas: “De 2017 até 2022, estamos a falar de 3.840 processos criminais entregues. Destes 3.840, 1.061 foram julgados, 2.779 estão pendentes. Ou seja, 72% de pendências”.

Defende tratar-se de um problema que “também é de concorrência desleal” na economia, pelo que a empresa está a trabalhar com a Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE).

“Porque temos empresas, operadores económicos, que não pagam e há outros que pagam. Isto é claramente uma questão de concorrência desleal. Põe em causa a questão da economia e da concorrência. Estamos a trabalhar com a IGAI, mas também com a Polícia Nacional a nível da proteção”, disse ainda.

“Sendo um desafio enorme, nós sozinhos não vamos conseguir vencer esse desafio. Temos ações no terreno, temos uma direção especializada. Estamos a apostar na tecnologia, contadores inteligentes, contadores pré-pagos. Estamos a melhorar as nossas lojas, estamos a tentar reduzir a burocracia”, concluiu o administrador.
A Semana com Lusa

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project