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Fusão de glaciar dos Himalaias arrasa barragens, casas — Centenas de vítimas, confirmadas dezenas de pessoas mortas 09 Fevereiro 2021

O trabalho de resgate de umas duas centenas de pessoas está muito lento, vinte e quatro horas depois da derrocada ontem do glaciar, que causou avalanches, inundações e soterramentos de duas barragens e casas no norte da Índia. Vinte e sete pessoas morreram e umas duzentas estão desaparecidas.

Fusão de glaciar dos Himalaias arrasa barragens, casas — Centenas de vítimas, confirmadas dezenas de pessoas mortas

Segundo o diário Times of India, confirma-se a morte de vinte e sete pessoas e mais de duzentas são dadas como desaparecidas na manhã de segunda-feira, 8.

O indiano Rajesh Kumar, de 28 anos, contou no seu leito de hospital que ele e os colegas estavam a trabalhar no túnel, a uma profundidade de trezentos metros, quando ouviram o estrondo da água a chegar.

"Pensámos todos que não íamos conseguir sair", contou à AFP o sobrevivente da inundação no hidrocomplexo de Uttarakhand, ao pé do Himalaia, norte da Índia.

"De repente, ouvimos um estrondo... as pessoas gritavam-nos para sairmos. Ainda pensámos que podia ser um incêndio. Começámos a correr, mas a água corria atrás de nós. Parecia um filme de Hollywood".

Porquê em fevereiro gelado, o glaciar derrete-se

A temperatura nas montanhas atingiu vários graus abaixo de zero, no dia em que desabou o glaciar que encima as encostas do Chamoli em Uttarakhand. A causa? Geólogos dizem que a culpa é da mundança climática, com aquecimento global e... fraca precipitação crescente.

Segundo estudiosos do Instituto de Geologia Himalaiana em Wadia, desde 2016 que têm alertado sobre a rapidez do avanço do aquecimento na região, com o derretimento dos glaciares a duplicar a cada ano.

Segundo o geólogo Manish Mehta, coordenador dos cientistas dedicados aos glaciares himalaianos: "É uma anomalia. No inverno, os glaciares mantêm-se solidamente congelados. Mesmo as superfícies dos lagos glaciares estão homogeneamente geladas". O geólogo Mehta diz não ter memória de um fenómeno igual ao de domingo.

Por seu turno, MPS Bisht, que dirige o centro de investigação espacial Uttarakhand Space Application Centre fala da sua experiência com a equipa conjunta de Mehta no do estudo dos oito glaciares — Uttari Nanda Devi, Changbang, Ramni, Bethartoli, Trishul, Dakshni Nanda Devi, Dakshni Rishi e Raunthi. A conclusão do estudo baseado em imagens de satélite foi: os oito glaciares tinham perdido mais de 10% da sua massa em menos de três décadas.

Tinham 243 km quadrados em 1980 e agora estão reduzidos a 217 km quadrados. O glaciar Uttari Nanda Devi foi o que perdeu mais massa (7,7%). No mesmo período, a linha de altitude de equilíbrio (a zona do glaciar onde a perda de massa é equilibrada pela recuperação de massa no ano seguinte) mostrou uma grande flutuação — entre 5.200m e 5.700m acima do nível do mar. "Não há alterações de equilíbrio se as condições do clima são consistentes".

Os glaciares do Himalaia são os que mais massa perdem em todo o mundo. "No entanto, faltam estudos mais extensivos sobre os recuos e avanços. O que fizemos desta vez foi mapear as variações da extensão e dinâmica em três glaciares , que nos permitiram concluir que o grupo de oito estão a perder massa", segundo Mehta rematou na entrevista ao Times of India.

Fontes: Times of India/AFP/. Fotos (Reuters/AFP)

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