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GPAIS lança o grito de alerta: «Só não há fome em São Filipe por causa da generosidade da nossa emigração» 18 Junho 2018

«Só não há fome em São Filipe, por causa da generosidade da nossa emigração! Segurança alimentar é na panela do povo! Não é, nem nos armazéns, nem nas prateleiras». O SOS foi lançado esta segunda-feira, em conferência de imprensa, pelo Grupo Por Amor Incondicional de São Filipe (GPAÍS) de Luís Pires, com assento na Assembleia Municipal, numa dura advertência à Câmara de Jorge Nogueira e ao Governo de Ulisses Correia e Silva, em que põe também de sobreaviso a comunidade emigrada, sobretudo a radicada nos EUA, para a necessidade de apoiar a população de S. Filipe que atravessa uma situação difícil por causa da seca que assola esse concelho do Fogo.

GPAIS lança o grito de alerta: «Só não há fome em São Filipe por causa da generosidade da nossa emigração»

Para a Comissão Permanente do Grupo Por Amor Incondicional de São Filipe, quem vê a triste paisagem da zona sul de S.Filipe, fica com a sensação de que ali nunca choveu. O cenário é quase igual, em toda a ilha, salvo nos sítios escolhidos a dedo para determinadas visitas de ocasião. «É por isso que vos pedimos caras e caros emigrantes: - continuem a apoiar directa e carinhosamente os vossos familiares e amigos aqui na ilha. Nós que estamos aqui, vamos solicitar às alfândegas que tenham mais consciência desta triste realidade, que tenham alguma compaixão e baixem as taxas, ao menos para os bidões que trazem "Azágua" do estrangeiro, para socorrer a população».

O Líder do GPAIS lembra que, em Novembro de 2017, tinha proferido uma conferência de imprensa em que chamou a atenção da Câmara e do Governo, alertando para a situação que se viver hoje no concelho. «A pura realidade é que os animais estão a morrer e muitas pessoas a perecerem. As medidas que não foram totalmente ignoradas, foram insuficientemente implementadas pela Câmara e pelo Governo», referiu.

Medidas alternativas

Dirigindo-se aos emigrantes e às autoridades locais e nacionais, Luís Pires considera que o 2018 continua extremamente difícil e é por isso que estamos a apelar. Por isso, propôs um pacote de 10 medidas que pretende levar à Câmara e a todos os serviços implicados: «1 - Diminuição do valor das taxas alfandegárias para bidões contendo gêneros alimentícios, destinados às famílias mais pobres; 2 - Isenção, já em setembro, de taxas de matrícula nas escolas públicas, para alunos com mais dificuldades financeiras; 3 - Isenção de propinas nas Escolas Secundárias, conforme promessas de campanha e também por causa das reais dificuldades dos pais e encarregados de educação; 4 - Aplicação de tarifas sociais para o consumo de água e de energia, conforme defendemos em finais de 2015;5 - Diminuição do preço da água para a agricultura de regadio;6. Mobilização atempada de sementeiras e de recursos financeiros para ajudar os agricultores mais pobres, neste novo período das águas;7 - Conclusão do projecto de ligação de água a Campanas de Cima; 8 - Implementação dos vários restantes projetos municipais herdados, num valor superior a 750 mil contos; 9 - Criação, com a urgência possível, de alternativas ambientalmente sustentáveis, para a grave situação da areia na ilha; 10 - Realização de mais obras no município para que o povo possa trabalhar e ganhar o seu próprio dinheiro».

Para o líder do GPAIS, se há dois/ três anos as empresas Armando Cunha, Maltauro, CPTP, Monte Adriano, MTCV, Engeobra, empreiteiros locais, emigrantes e particulares empregavam, a um só tempo e permanentemente, milhares de chefes de família, hoje a ilha inteira está praticamente parada e sem perspectivas.
«Os poucos trabalhos pontuais, por pouco tempo e mal pagos do plano de mitigação, estão longe de dar satisfação a este cenário dramático, assombrando a ilha. Nestes momentos mais difíceis, o apelo maior a se fazer é no sentido de nos libertarmos de todas as amarras político-partidárias que nos separam para, conjuntamente, pensarmos Djarfogo, pondo tónica apenas naquilo que nos une: sentarmos à mesma mesa, pensarmos conjuntamente, levantarmos e trabalharmos ‘Pa grandeza di Djarfogo ‘. Contem connosco», conclui Luís Pires,

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