OPINIÃO

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GUERRA E COMPAIXÃO 17 Mar�o 2022

A opção pela guerra costuma nos levar a questionar a nossa capacidade de compaixão e nos deixa em dúvida se somos mesmo seres compassivos ou egoístas. Talvez somos as duas coisas, mas parece que inclinamos a ser mais compassivos de que egoístas, principalmente porque sempre que alguns seres humanos escolhem a guerra, muitos outros ao redor do mundo, mesmo sem conhecer aqueles que sofrem os horrores da guerra, se mobilizam para aliviar seus sofrimentos, isto é, escolhem exercer sua capacidade de compaixão para com aqueles sofrem.

Por: José João Neves Barbosa Vicente*

GUERRA E COMPAIXÃO

Nós seres humanos, de um modo geral, cuidamos e protegemos nossos filhos e fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para aliviá-los ou livrá-los da dor e do sofrimento. Muitos de nós são também compassivos com filhos que não são nossos, porque eles também são seres humanos. Costumamos cuidar inclusive de seres que não são humanos, proporcionado a eles “amor”, “carinho”, abrigo e alimento para que eles não sofram. É verdade, como foi dito certa vez, não gostamos da “dor” e nem do “sofrimento”, somos mais inclinados a algo que nos proporciona “prazer”; mesmo assim, frequentemente respondemos positivamente ao apelo daqueles que sofrem e compartilhamos com eles seus sofrimentos e suas dores. Esse tipo de atitude é uma demo nstração do sentimento de compaixão para com o outro, é sofrer com ele e se colocar à disposição para fazer o que for possível para ajudá-lo a não sofrer ou então para ajudá-lo a diminuir seu sofrimento.

Mas, mesmo capazes de atos de compaixão, alguns seres humanos costumam também escolher a guerra; uma escolha que provoca morte, destruição e sofrimento. A opção pela guerra costuma nos levar a questionar a nossa capacidade de compaixão e nos deixa em dúvida se somos mesmo seres compassivos ou egoístas. Talvez somos as duas coisas, mas parece que inclinamos a ser mais compassivos de que egoístas, principalmente porque sempre que alguns seres humanos escolhem a guerra, muitos outros ao redor do mundo, mesmo sem conhecer aqueles que sofrem os horrores da guerra, se mobilizam para aliviar seus sofrimentos, isto é, escolhem exercer sua capacidade de compaixão para com aqueles sofrem. O egoísmo insiste em permanecer em nós, mas ele pode ser combatido e superado através do cultivo intenso e incessant e da compaixão; a vitória da compaixão sobre o egoísmo representa a vitória da paz e da harmonia sobre a guerra.

Portanto, a manifestação do egoísmo por parte de alguns seres humanos, não pode ser entendida como perdição da nossa espécie, mas sim uma oportunidade para se cultivar a compaixão efetivamente; sofrer com aqueles que sofrem e lutar para que eles não sofram. Onde há compaixão, não há guerra nem destruição, porque esse sentimento nos inclina a aliviar o sofrimento do outro, isto é, do nosso próximo, e não a fazê-lo sofrer. A compaixão impede que o nosso mundo seja dilacerado pela guerra e nos possibilita criar uma comunidade verdadeiramente humana, onde mesmo um “rei” é capaz descer do seu trono e oferecê-lo ao outro para aliviar sua dor. Exercer a compaixão é olhar para os outros e não para os seus próprios interesses; é viver com os outros e cada um para o outro. Ser compassivo é abandonar o egoísmo e optar pela paz e harmonia entre os seres humanos e permitir que todos vivam com dignidade. Onde reina a compaixão, a guerra estará sempre ausente.
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*Professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

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