LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Ditadura na Guiné-Bissau: PAIGC denuncia mais uma detenção arbitrária perante silêncio da comunididade internacional cúmplice do atual regime golpista 18 Agosto 2020

O regime golpista da Guiné-Bissau continua com perseguições a dirigentes da oposição, desrespeitando o Estado de Direito Democrático perante o silêncio da comunidade internacional, que é a principal responsável pela grave crise política que se vive no país, liderada pelo auto-proclamado presidente Umaro Sisoco Embaló. É que o PAIGC, que ganhou as legislativas de 2019, cujo governo de Aristides Gomes foi deposto pelo regime golpista vigente no país, acaba de denunciar mais uma detenção arbitária, esta quinta-feira, de um alto dirigente seu. Trata-se de Bacai Sanhá, um outro membro do Comité Central, num ato que classificou de "atentado monstruoso" às liberdades.

Ditadura na Guiné-Bissau: PAIGC denuncia mais uma detenção arbitrária perante silêncio da comunididade internacional cúmplice do atual regime golpista

"O PAIGC vem dar conhecimento que o camarada Bacai Sanhá [filho do antigo Presidente guineense Malam Bacai Sanhá] foi intercetado por agentes da Guarda Nacional em território guineense, quando em viagem a Zinguichor [no Senegal]", refere o comunicado do secretariado nacional do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), citado pela Lusa. 

Ainda segundo o documento, a viagem de Bacai Sanhá teria por objetivo "dar assistência à sua esposa que se encontra em tratamento médico naquele país vizinho". 

Para o partido de Cabral, aquele é "mais um entre tantos atos de violência que o país vem assistindo à luz do dia", com a particularidade de serem sempre contra "dirigentes do PAIGC". 

Bacai Sanhá, conhecido também como "Bacaizinho", ocupava as funções de secretário de Estado das Comunidades no Governo liderado por Aristides Gomes, que foi deposto na sequência da tomada de posse do atual Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló. 

"Mais uma vez perante os olhares incrédulos e revoltados do povo guineense, um cidadão é capturado e levado do norte do país para as instalações da Guarda Nacional, em Bissau, sem culpa formada", salienta, segundo a mesma fonte,  o partido. 

Motivo da detenção

Ainda no comunicado, o PAIGC sublinha que o "pretexto para a prisão abusiva e arbitrária" é que Bacai Sanhá estaria a organizar a fuga de Aristides Gomes, refugiado nas Nações Unidas em Bissau. 

"O camarada Bacai Sanhá foi submetido a violência psicológica, interrogatórios durante horas, tendo sido deixado à espera de ordens superiores para saber que destino lhe seria imposto", refere o partido. 

Silêncio da sociedade civil e da comundiade internacional

O PAIGC lamenta o "silêncio ensurdecedor" dos parceiros da Guiné-Bissau, da sociedade civil e da comunidade internacional. 

Em junho, um outro dirigente do partido foi detido pelas forças de segurança, acabando por ser posto em liberdade.

Armando Correia Dias, membro do comité central do PAIGC e empresário guineense, foi detido a 20 de junho em Bissau - quando circulava numa viatura, como passageiro, onde seguiam mais duas pessoas. Três dias depois, Armando Correia Dias e o seu irmão Caló Dias foram libertados, após serem ouvidos por membros do Ministério Público em Bissau, lembra a Lusa.

Crise pós-eleitoral

Depois de a Comissão Nacional de Eleições ter declarado Umaro Sissoco Embaló vencedor da segunda volta das eleições presidenciais, o candidato dado como derrotado, Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, não reconheceu os resultados eleitorais, alegando que houve fraude e meteu um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, que não tomou, até hoje, qualquer decisão. 

Umaro Sissoco Embaló assumiu, lembra a Lusa, unilateralmente o cargo de Presidente da Guiné-Bissau em fevereiro e acabou por ser reconhecido como vencedor das eleições pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política no país, e restantes parceiros internacionais. 

Após ter tomado posse, o chefe de Estado demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, saído das eleições legislativas de 2019 ganhas pelo PAIGC, e nomeou um outro liderado por Nuno Nabiam, líder da Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que assumiu o poder com o apoio das forças armadas do país, que ocuparam as instituições de Estado. 

O programa de Governo de Nuno Nabiam foi aprovado no Parlamento da Guiné-Bissau com o apoio de cinco deputado do PAIGC, conclui a Lusa. 

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project