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Gâmbia-Presidencial: Supremo Tribunal rejeitou recurso e valida reeleição de Adama Barrow 30 Dezembro 2021

O Supremo Tribunal da Gâmbia rejeitou hoje (3ª fª, 28) o recurso de irregularidades na eleição presidencial (de 04.12) e validou a reeleição de Adama Barrow, com 53%.

Gâmbia-Presidencial: Supremo Tribunal rejeitou recurso e valida reeleição de Adama Barrow

A vitória do presidente recandidato, com 53%, foi declarada no dia seguinte à eleição validada por observadores internacionais mas contestada pelo segundo colocado, Ba Ousainou Darboe, do UDP-Partido Democrático Unido com 27,7%.

Adama Barrow (foto), de 56 anos, foi declarado vencedor da eleição presidencial de sábado 4.12, de entre cinco concorrentes. O acontecimento é dado por politólogos como um teste à democracia gambiana, ainda frágil ao fim de mais de meio século de presidências autocráticas.

O recém-reeleito Adama Barrow(foto), com o apoio também do partido do ex-presidente Yahya Jammeh, o NPRC, tinha em 2017 derrotado nas urnas o autocrata Jammeh que por mais de duas décadas presidiu.

Em fins de 2016, o candidato Barrow a terceiro presidente gambiano era um desconhecido da política da República Gambiana, vindo do mundo dos negócios após ter estado anos emigrado no Reino Unido, onde segundo a BBC trabalhou como guarda de segurança, em Londres.

Desde janeiro de 2017, Jammeh, o segundo presidente gambiano — acusado de várias atrocidades contra a liberdade e direitos — vive no exílio, na Guiné-Equatorial. Teve de ser retirado por militares da Cedeao após recusar os resultados da eleição de dezembro de 2016 que deram a vitória ao seu sucessor.

Em 1994 Jammeh chegou ao poder através de um golpe-de-Estado "sem sangue" que depôs o primeiro presidente, Sir Dawda Jawara (1970-94) que fora primeiro-ministro entre 1962 e 1970. A Rainha de Inglaterra manteve-se por cinco anos como chefe de Estado da ex-colónia que — após uma fase de transição de três anos, liderada pelo primeiro-ministro — ascendeu à independência em 1965.

Apoio de Jammeh exilado e arguido a Mama Kandeh

Jammeh convocado pelo tribunal de Banjul, "para responder a 23-11-2021 pelas atrocidades cometidas nos seus 22 anos de presidência", mantém-se no seu exílio junto do último autocrata Teodoro Obiang.

Desde a pré-campanha em novembro que Jammeh, a quase oito mil quilómetros de distância, enviou o seu apoio a Mama Kandeh, que descreve como um seu "fiel" — designação ambígua que também é utilizada como sinónimo de escravo.

Kandeh foi o terceiro votado há cinco anos e voltou a ficar em terceiro, mas agora no âmbito da oposição coligada no GDC-Congresso Democrático da Gambia.

Jammeh, que pela primeira vez em 27 anos não participou da eleição, destacou-se pelos telefonemas a meio dos comícios de Kandeh. Sem ecrãs gigantes, foi através do telefone com interferências que discursou a pedir a saída de Barrow.

"Adama Barrow destruiu tudo de bom que eu deixei em benefício dos gambianos – os hospitais, a agricultura e a educação", disse Jammeh, muito aplaudido. "Temos de nos unir e votar para o tirar do poder".

Legado de Jammeh. "Para as pessoas que foram torturadas, violadas ou tiveram entes queridos assassinados no regime de Yahya Jammeh, é uma dor insuportável vê-lo agora a jogar o fazedor de reis em vez de estar a responder pelas acusações sobre atrocidades", afirmou à Associated Press o jurista Reed Brody, da ONG International Commission of Jurists/Comissão Internacional de Juristas, que está a trabalhar com as vítimas de Jammeh.

Reconciliação? No mesmo sentido fala a jurista Fatou Baldeh, em nome das vítimas mas apontando o dedo a Adama Barrow. O presidente, diz ela, não tem posto a funcionar a Comissão de Reconciliação e Verdade que instituiu em 2017 e "nestas eleições fez alianças com o partido de Jammeh [a APRC- Aliança Patriótica para a Reorientação e Conciliação], responsável pelos crimes".

Turismo afetado pela Covid-19

A principal fonte de receita é o turismo e a seguir a exportação de pescado e amendoim. Mas os turistas europeus — que há décadas rumam às praias de areia branca da Gâmbia — há dois anos que desapareceram.

O desemprego tem levado os jovens a tentar a perigosa atravessia do Saara e do Mediterrâneo.

Perante todos os desafios da Gâmbia que é um dos países mais pobres do mundo, o povo depositou a esperança em Barrow. "Nele temos a certeza que não vamos acordar a meio da noite com a polícia do Estado a vir prender-nos", afirmou um empresário de Banjul ouvido pela Associated Press.

Método de votação ’sui generis’. Perante as seis "urnas" para os seis candidatos, o eleitor tinha de depositar o berlinde na urna com o rosto do candidato da sua escolha. Um processo incontestado há 56 anos, mas que decerto põe dúvidas sobre a confidencialidade do voto. O sistema dos berlindes está em uso desde a primeira eleição no país independente em 1965, justificado pela elevada taxa de analfabetismo da população. Para esta eleição utiliza-se ainda uma ferramenta digital Marble App, "para permitir a recolha de informação fiável e em tempo", segundo a entidade gambiana de combate à corrupção.

Fontes: BBC/Gambia News/AP/Guardian. Relacionado: Gâmbia: Barrow é declarado vencedor das primeiras eleições pós-Jammeh, 06.dez.021. Fotos: O presidente reeleito, Adama Barrow. Festejos nas ruas de Bangui.

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