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Gémeas vendidas online já têm 18 anos — Adoção salvou-as 30 Agosto 2018

Em 2000 rebentou o escândalo das duas bebés americanas que a mãe vendeu online ao casal Kilshaw, do Reino Unido. Em seis anos, elas foram passadas da casa da mãe biológica para os serviços sociais e para a casa dos pais adotivos e assim sucessivamente. Só aos seis anos, elas estabilizaram-se num novo lar, no Missouri, onde cresceram salvando-se de um destino incerto.

Gémeas vendidas online já têm 18 anos — Adoção salvou-as

Em dezembro de 2000, Kiara e Keyara Wecker foram vendidas online aos quatro meses pela mãe de 28 anos. O casal Kilsaw viajou para os Estados Unidos e a criança foi-lhes entregue pela mãe biológica.

Tranda Wecker, residente no Missouri, mãe de cinco filhos, não conseguia aguentar-se num emprego e decidiu, com apoio do marido, "leiloar" as recém-nascidas online. Por duas vezes.

O primeiro chocante leilão atingiu 5.000 dólares, pagos por um casal californiano com quem as crianças viveram algumas semanas.

Entretanto, a mãe biológica acertava nova venda online por 8.200 libras (1,1milhão CVE), com o casal britânico. Ela foi visitar as crianças em casa dos ’pais’ californianos e levou-as a pretexto de um passeio.

A ’transação’ deu-se num hotel, onde pouco depois os Kilshaw foram abordados por um familiar do casal californiano, que os informou da situação. Sem consequências, já que a lei não proibia, era omissa, e a mãe biológica tinha a última palavra.

Entretanto corriam os trâmites da adoção pelos britânicos, que ficou completada a 22 de dezembro. O primeiro Natal das gémeas foi celebrado na quinta galesa dos Kilshaw, que já tinham também três filhos.

O caso estava a ser examinado pelos tribunais dum e outro lado do Atlântico e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, chegou a pronunciar-se.

Nova reviravolta, meses depois, em 2001, com a mãe biológica a pedir as filhas de volta. Assim foi, com intervenção dos serviços sociais das duas margens do Atlântico. A mediatização do caso é grande e correm mundo as imagens das bebés a serem levadas da casa dos Kilshaw, por duas assistentes sociais. A mãe Kilshaw diz-se destroçada.

Entretanto os serviços sociais dos Estados Unidos tinham contactado um casal na fila da adoção. "Recebemos a chamada de noite e na manhã seguinte fomos esperá-las ao aeroporto", contou esta semana ao Daily Mail, o pai adotivo, definitivo, no Missouri.

As crianças vivem felizes entre 2001 e 2006. Ressurge então a mãe biológica a reivindicar em tribunal o direito de ver as filhas. Mas acabaram por ser as crianças a decidir que não queriam manter contacto com Tranda Wecker, cuja instabilidade as perturbava. O tribunal estabeleceu então que elas não manteriam contacto, o que permitiu a estabilização na vida delas. Deixaram de estar no foco mediático, nunca mais foram revelados os seus novos nomes.

"As meninas trouxeram-nos alegria e tristeza", disse esta semana ao Daily Mail, a mãe adotiva. "Amo-as muito e sou feliz e grata por poder acompanhar as mudanças que elas sofreram ao longo destes anos".

Debate interminável online sobre crianças africanas adotadas por estrelas de Hollywood

Ao longo destes dezoito anos, muita controvérsia gerou este caso. Para a opinião pública britânica, os Kilshaw foram injustiçados: "As crianças foram retiradas a um casal britânico que lhes dava estabilidade e entregues a desconhecidos". Muitos apontam a disparidade de critérios que a justiça aplica.

"Eles foram punidos por terem pago, mas nada acontece aos atores famosos e estrelas do rock que vão até África, atiram alguma dinheiro a uma mãe pobre e ’adotam’ os filhos dela". Uma referência, entre outros, a Angelina Jolie e Brad Pitt, a Madonna — esta, com dois filhos adotados no Malauí. A menina, Mercy, esteve no centro duma controvérsia quando, em 2009, a avó da órfã denunciou ter sido enganada pois tinham-lhe garantido que ia poder ver a neta, e que a bebé iria ser-lhe entregue aos seis anos, em 2014.

Mas também há políticos que estiveram na ribalta da adoção transracial. O candidato presidencial Mitt Romney publicou fotos no Twitter em 2013 com o neto adotivo Kieran James Romney, filho biológico de pais africanos.

Fontes: Daily Mail/ The Sun

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