Crioulo

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Gente que sente 07 Junho 2019

Gente que sente

Sente mais quem pensa?
Se és mais de sentir, então és gente kriol, bons cristãos, de sangue fadigòde
Mesmo se ateus, agnósticos ou seguidores de outras bíblias.

Nesta héxada de ‘horas di bai’
Tanto sentimento pelas teteias
Que viajaram para a eternidade.

Três primas, de manas nascidas na mesma casa dos avós
Assim ditou o destino insular do pai que não volta,
Que por vezes só deixou o nome, no registo, na pia batismal.

Meninas foram para a escola da pracinha
que nem nome precisa, seja de Camões ou Lereno.
Foram à catequese, missa dominical,
Bordado aprender com mestra na Rua Sá da Bandeira.

Jovens em flor, davam grandes passeios
Até o Lavadouro, ponto de água e escola dos netos.

A amizade forte na emigração que separa
Venceu o tempo e a distância
Binómio da terra-longe da triangular sina nossa.

Três primas e cada uma é uma narrativa-mundi.

A primeira a partir foi uma epopeia
De flor de devoção sem espinhos
Que ela exercia em obras
Sem alarido e com os gestos despachados
Que ritmavam o seu andar firme
De perna bem torneada
Que vencia o duro chão com força e graça.

A segunda uma lírica
De contida religiosidade ritual
Que a acompanha até ao fim
Quando já nem de si se lembra
A sua luz a apagar-se
Rasando a memória mesma do amor.

A terceira a delicada flor que oculta espinhos
Que exibe na hora H
Franca, direta, assertiva.

Que saudades neste sábado
Antevisão da próxima despedida
P’rá batalha da vida
Da escolha da menina
que as três embalaram.

(2 de setembro /2018)

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