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Governante defende que pescas devem contribuir para presença mais efetiva das mulheres no poder e empoderamento 06 Dezembro 2022

O ministro do Mar defendeu, hoje, que o sector das pescas deve dar o seu contributo para que o dinamismo da mulher seja traduzido numa presença mais efetiva em ciclos de tomada de poder e de empoderamento económico.

Governante defende que pescas devem contribuir para presença mais efetiva das mulheres no poder e empoderamento

Abraão Vicente falava na abertura do workshop nacional de lançamento do projeto “Cadeias de valor de peixes sustentáveis para Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento”, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com a Direção Nacional das Pescas e Aquacultura, na cidade do Mindelo.

Segundo o governante, quando as mulheres são incentivadas “com os incentivos e os estímulos certos” conseguem, de facto, serem “forças transformadoras das suas comunidades”.

“Aqui fica esta mensagem que a cadeia de valor das pescadas deve, acima de tudo e como linha prioritária, compreender melhor o papel das mulheres empresárias e peixeiras e as que estão nas outras cadeias e noutros ciclos de valor, e o modo como o seu papel pode ser fundamental para criar valor a este ciclo”, sustentou Abraão Vicente.

Conforme o ministro, as mulheres peixeiras “são quase um ícone da sociedade cabo-verdiana”. No entanto, há ainda necessidade da sua valorização profissional, da sua formalização e da adoção de algumas medidas que visam a sua capacitação e a sua formalização junto do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), das entidades empresariais e das entidades que fazem com que o seu trabalho tenha um valor acrescentado.

“Temos que aprimorar o acesso a serviços como água, energia, crédito e transporte, que é algo que também é um grande desafio nacional. Ligarmos as ilhas entre si e fazer com que os produtos frescos, caso dos pescados, cheguem ao mercado ainda com o valor acrescentado”, concretizou.

A mesma fonte também falou da necessidade de melhorar as condições de trabalho das mulheres “expostas às grandes cargas laborais e em condições de perigosidade, muitas vezes, sem a proteção social”.

Neste particular, defendeu ser “importantíssimo fazer e tomar um conjunto de medidas que visam a dignificação laboral das profissões que, sendo ainda muitas vezes informais, por estarem ligadas a um sistema de pagamento de impostos e ao sistema de segurança social, fazem com que a degradação e a perda do valor do trabalho dessas mulheres sejam contínuas por causa da sua não formalização”.

Para Abraão Vicente, é fundamental perceber o peso demográfico das mulheres na sociedade cabo-verdiana, perceber o número de mulheres que exercem profissões ligadas à economia azul, que deve ser sustentável, e fazer um conjunto de trabalhos para que o empoderamento do sector também leve em conta a participação delas nos capitais sociais das empresas formalizadas e nos ciclos de reciclagem profissionais, que é preciso implementar para que o sector ultrapasse o limiar da sobrevivência.

Falando especificamente do workshop sobre “Cadeias de valor de peixes sustentáveis para Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento”, o ministro explicou que se trata de um evento “importante” pela necessidade de encurtar os circuitos de modo a que o produto chegue ao mercado final em tempo útil e em melhores condições de salubridade e pelo facto de Cabo Verde ter de apostar no incentivo à criação de associações, cooperativas ou pequenas empresas adaptadas ao sector da produção e comercialização.

Também, acrescentou, é crucial devido à necessidade de apostar na certificação de determinadas espécies, em particular as que são endémicas, pela preocupação de reduzir as perdas por captura e transformar produtos em valor acrescentado para consumidores finais.

Por sua vez, a representante da FAO em Cabo Verde, Ana Laura Touza, explicou que o workshop, financiado pelo Governo da Correia do Sul, através do Ministério dos Oceanos e Pescas, serve para lançar oficialmente o projeto, a nível nacional, e facilitar o intercâmbio e também partilhar informações entre os diferentes interessados sobre o conteúdo do mesmo, melhorando a compreensão das partes interessadas sobre o funcionamento da cadeia de valor.

Ainda, ajuntou, visa apoiá-las no desenvolvimento das estratégias de melhorias específicas neste sector, melhorando assim a capacidade de contribuir de forma mais eficaz para a segurança alimentar e nutricional das populações.

“São vários resultados esperados no âmbito deste projeto tais como, aumentar o desempenho económico das micro pequenas e médias empresas, por meio de melhor acesso a mercado e negócios propícios em ambientes regulatórios, fortalecer a sustentabilidade ambiental de cadeias de valor selecionadas, por meio de uma melhor gestão dos recursos naturais e maior consideração das mudanças climáticas, e facilitar o acesso das micro pequenas e médias empresas a fontes adicionais de financiamento e investimento”, sustentou Ana Laura Touza.

A Semana com Inforpress

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