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Governo cabo-verdiano alerta que ninguém deve esperar “facilidades” 30 Setembro 2022

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, pediu hoje “cautela” na análise dos indicadores de forte crescimento económico, homólogo, no primeiro semestre, alertando que ninguém deve esperar “facilidades” nos próximos meses.

Governo cabo-verdiano alerta que ninguém deve esperar “facilidades”

É preciso olhar para o nível anterior [2021]. Portanto, estamos a falar de valores homólogos. É claro que tivemos uma situação crítica no ano passado e é normal que agora os valores tendem a aumentar em relação ao período homólogo. Portanto, temos que olhar para estes números com a devida cautela”, afirmou Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, questionado pela Lusa.

A economia cabo-verdiana cresceu 17,2% no primeiro semestre do ano, impulsionada essencialmente pela atividade ligada ao turismo, como alojamento e restauração, que disparou mais de 1.000% em termos homólogos, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o relatório detalhado das contas nacionais trimestrais, o Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde – crescimento de 16,8% no primeiro trimestre e de 17,7% no segundo trimestre de 2022 -, hoje divulgado pelo INE, só o setor do alojamento e restauração, que tinha caído 88,9% no mesmo período de 2021 (face a 2020), cresceu agora, em termos homólogos, 1.112,6%, de janeiro a junho último.

"Temos que dizer que a verdade é que estamos a viver um contexto difícil, ninguém deve poder esperar facilidades. Nós é que temos de ser mais fortes enquanto cidadãos, enquanto empresas, enquanto Estado, para podermos vencer os desafios”, afirmou o ministro.

Mas ninguém espere facilidades, porque o contexto é de incerteza e de uma retração na atividade económica. E há uma grande probabilidade de virmos a ser confrontados com uma recessão económica em 2023 e isso tem implicações diretas na economia cabo-verdiana, nas finanças públicas cabo-verdianas, no crescimento do turismo em Cabo Verde e que vai condicionar a vida das empresas e a vida do Estado e das pessoas. E, portanto, nós estamos num mundo que está perante um quadro indefinido, um quadro incerto e perante uma restrição fundamental aos rendimentos dos Estados, das empresas e também das famílias”, reconheceu ainda Olavo Correia.

Globalmente, o INE apontou um crescimento económico de 17,2% do PIB no primeiro semestre deste ano, que compara com o crescimento de 2,9% no mesmo período de 2021.

O PIB gerado pelo comércio, com uma subida homóloga de 39,1%, e o dos transportes, com um aumento de 15,8%, também se destacaram no primeiro semestre deste ano, enquanto o das pescas, da agricultura e da construção caíram, em termos homólogos, respetivamente, -31%, -8,4% e -6,9%.

Desde o segundo trimestre de 2021 que a economia cabo-verdiana está em terreno positivo (+30,6%) e desde terceiro trimestre do mesmo ano (+10,1%) que cresce consecutivamente em todos os trimestres, com a retoma da procura turística pelo arquipélago.

A economia cabo-verdiana cresceu 7% em todo o ano de 2021, impulsionada por alguma retoma no setor do turismo no último trimestre do ano. Em 2020, registou uma recessão histórica, quando o PIB, devido à quase completa ausência de turismo, recuou 14,8%.

Cabo Verde ainda enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística - setor que garante 25% do PIB do arquipélago - desde março de 2020, além de uma seca prolongada que se arrasta há mais de quatro anos.

Entretanto, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, o Governo cabo-verdiano reviu de 6% para 4% a perspetiva de crescimento económico em 2022, face à escalada de preços em vários produtos e uma inflação, a um ano, que já ultrapassa os 8%. A Semana com Lusa

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