REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Governo dos EUA pressiona Justiça do Reino Unido para extradição de Assange 28 Outubro 2021

Esta quarta-feira, 27 o Departamento de Justiça dos Estados Unidos começa a ser ouvido no recurso da sentença de 04 janeiro da magistrada Vanessa Baraitser, do tribunal londrino de Old Bailey, que justificou a recusa em extraditar Assange, devido a "problemas de saúde mental" que o podem levar ao suicídio segundo parecer do neuropsiquiatra Michael Kopelman.

Governo dos EUA pressiona Justiça do Reino Unido  para extradição de Assange

Oito meses depois de ver negada a extradição de Assange para os EUA, a Justiça dos Estados Unidos espera no recurso em nova audiência, de dois dias, convencer a juiz de que não só ela foi "induzida em erro" pelo parecer de Kopelman (desmentido pelo parecer de um colega americano) mas também que lhe foi ocultada informação importante como a de que o detido não arrisca a prisão perpétua nos Estados Unidos.

Há outra informação que os americanos querem que a magistrada britânica tenha em conta, sobre o que fez o fundador do Wikileaks, refugiado desde 2012 na embaixada equatoriana donde acabou expulso, em 2019, devido ao seu "comportamento agressivo e desrespeitoso". É o facto de que Assange foi pai de duas crianças enquanto era visitado pela sua advogada no que os media populares ingleses copiosamente qualificaram como "o seu ninho de amor de 13,2 milhões de libras" — o custo do policiamento pela Scotland Yard — "com dinheiro dos contribuintes".

A Justiça dos Estados Unidos afirma-se desapontada com a sentença da juiz britânica que teve por irrelevante a promessa de que Assange detido na América iria ser protegido de modo a não considerar o suicídio. Ela apontou que, com base na audiência ao neuropsiquiatra Michael Kopelman, está "demonstrado" que o risco de suicídio para o australiano de 49 anos é tão real como o que vitimou Epstein numa cadeia americana.

Kopelman, professor no King’s College de Londres depôs que ao longo de vinte entrevistas tinha diagnosticado a Assange uma "depressão gravíssima", "sintomas psicóticos" que lhe causaram alucinações auditivas ("ouve vozes, música imaginárias"), segundo noticiou a AFP-Agence France Presse.

O indeferimento em janeiro do pedido de extradição baseia-se nesse "elevado perigo para a vida" de Assange se for entregue à justiça dos Estados Unidos onde em setembro (2020) Mike Pompeo e Jeff Sessions afirmaram ser prioritária a prisão do fundador do que classificaram como "serviço de espionagem hostil" aos Estados Unidos.

Há mais de dez anos que o fundador da plataforma Wikileaks — a qual é aclamada por ter, pela primeira vez na história do jornalismo mundial, aberto caminho para o tratamento de uma extraordinária quantidade de dados — é perseguido nos Estados Unidos, num "processo cheio de ilegalidades", segundo os defensores da liberdade de imprensa, como a RSF-Repórteres sem Fronteiras, que apoia a luta de Assange enquanto fonte de informação imparcial e "sem compromisso", dirigida ao público em geral.

Julian Assange "não tem direito ao processo legal de que gozam até os piores criminosos de guerra", "não tem acesso aos advogados americanos, tem acesso muito limitado aos advogados britânicos e quase nenhum acesso aos documentos do caso", escreveu o Deutsche Welle na retoma do julgamento.

Na presidência de Biden "a verdade continua a ser crime", dizem os apoiantes de Assange desiludidos com o facto de os Estados Unidos continuarem a exigir a extradição do fundador do Wikileaks. "Em vez de ser libertado e distinguido como o herói pela democracia, Assange continua preso e sujeito a ser levado os EUA onde arrisca a prisão perpétua".

Entre os que já se posicionaram, perante o recurso enviado de Washington a Londres, estão ativistas de Direitos Humanos, como Peter Tatchell para quem "o governo britânico fará o que os Estados Unidos mandam, como sempre fez".

Se todavia o recurso for rejeitado, deixa de haver base legal para o Reino Unido manter preso Assange, que não tem por que ser julgado", segundo Tatchell.

....
Fontes: BBC/AP/CNN. Fotos: Apoiantes de Assange — público em Londres, manifestante em Quito, Equador, o pai — continuam firmes a opor-se à sua extradição para os Estados Unidos e pedem a sua liberdade. Stella Morris, a advogada, revelou que ela e Assange se conheceram profissionalmente antes de 2012, ano em que ele encontrou asilo político dentro da embaixada do Equador em Londres. Em 2015 iniciaram uma relação amorosa que produziu dois filhos nascidos em 2017 e 2019.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project