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Casos de desaparecidos em Santiago:Governo vai implementar Plano Nacional contra o tráfico de pessoas 06 Maio 2018

O Conselho de Ministros acaba de aprovar a Resolução que aprova o Plano Nacional contra tráfico de pessoas, tendo o ministro de Estado, Fernando Elísio Freire, realçado que Cabo Verde, pela sua posição estratégica no cruzamento de vários continentes e países, não está imune a esta realidade. Mas o país está ainda por saber do paradeiro de pelos menos sete pessoas dadas como desaparecidas, entre 2017 e 2018, na ilha de Santiago. Por isso, familiares das vítimas continuam descontentes e ameaças promover novos protestos pelas ruas da Capital, exigindo celeridade na justiça.

Casos de desaparecidos em Santiago:Governo vai implementar Plano Nacional contra o tráfico de pessoas

O Conselho de ministro, realizado na última quinta-feira, 03, aprovou a Resolução que aprova o Plano Nacional contra tráfico de pessoas. Isto, segundo o porta-voz Fernando Elísio Freire, apesar de estudos feitos considerarem que Cabo Verde não é afetado pelo tráfico de pessoas.

O ministro da Presidência do Conselho de Ministros explicou à imprensa que este plano está baseado em aspectos jurídicos legais reforçados na prevenção ao tráfico de pessoas, na protecção e apoio às vítimas, na repressão, responsabilização e na reinserção social, bem como na estratégia da formação, de comunicação e na criação de parcerias a nível nacional e internacional.

Segundo ele, o plano terá uma duração de três anos, deverá ser implementado por uma equipa, constituída por várias instituições que intervêm no setor e será coordenado pelo Ministério da Justiça e do Trabalho.

Paradeiro dos sete cidadãos desaparecidos por descobrir

Entretanto, as autoridades do Estado continuam por descobrir o paradeiro de pelo menos sete pessoas desaparecidas entre 2017 e 2018 em Cabo Verde - cinco na Praia e duas em Santa Catarina de Santiago. Deste total, quatro das quais são crianças - dois rapazes e duas meninas. As três restantes são pessoas adultas - um casal do concelho Santa Catarina cujo sumiço não foi de imediato denunciado junto do Ministério Público e a mãe que desapareceu com o seu filho na Praia.

Descontentes com o andamento lento das investigações para a descoberta do que terá estado na origem do desaparecimento das vítimas, familiares e outras pessoas realizaram, no dia 01 de Maio, na Praia, uma manifestação, protestando contra a morosidade da justiça.

Atendendo os avisos feitos, tudo indica que estes populares podem promover outras marchas para pressionar as autoridade judiciárias e policiais nas investigações em curso para desvendar o mistério à volta das pessoas desaparecidas e descobrir os possíveis autores de tais crimes.

Para vozes criticas da sociedade civil - incluindo altas entidades de instituições religiosas em Cabo Verde - suspeita-se existir, em Cabo Verde, uma rede criminosa que promove crimes organizados de sequestro seguido de tráfico de pessoas para algum fim - trabalho forçado, exploração sexual através de prostituição ou tráfico de droga. Isto sem contar com a dramática possibilidade de homicídio para a extracção de órgãos humanos.

É de recordar que, a 18 de Janeiro deste ano, autoridades judiciais e de saúde procederam ao levantamento de ossadas humanas, que aparentam ser de uma mulher, descobertas em Ponta Bicuda, na localidade de Marrocos, em Achada Grande Trás, na Praia. Localidade onde residiam duas das vítimas.

Seja como for, espera-se, conforme os críticos, que as investigações em curso venham a esclarecer essas suspeições e inquietações todas, principalmente por parte de familiares das sete pessoas desaparecidas entre 2017 e 2018. Fotos: Ossadas humanas descobertas na Praia; Duas das crianças desaparecidas.

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