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Grécia vira à direita: Nova Democracia de Kyriakos Mitsotakis governa — Pena é a paridade de 40% a quedar-se abaixo de 10% 14 Julho 2019

É a vez da direita: o tradicional partido conservador Nova Democracia prometeu baixa de impostos e crescimento económico e volta ao poder com a primeira maioria ’confortável’, que obtém em doze anos. Nas legislativas antecipadas de 7 de julho obteve 39,8% contra os 31,5% do Syriza. Mitsotakis tomou posse, na segunda-feira, 8, na catedral de Atenas em ato solene presidido pelo arcebispo, autoridade máxima da Igreja Ortodoxa da Grécia, e jurou diante da Bíblia, reativando a tradição rompida nos dois juramentos civis de Tsipras.

Grécia vira à direita: Nova Democracia de Kyriakos Mitsotakis governa — Pena é a paridade de 40% a quedar-se abaixo de 10%

A ND-Nova Democracia obteve assim a maioria, 158 dos 300 assentos no parlamento grego. É uma mudança significativa no país que nesta década só teve governos de coligações, fragilizadas por provirem de partidos de ideologias diversas, unidos tão-só por serem ou a favor ou contra os resgates impostos à Grécia pelas instituições europeias e FMI.

Mitsotakis assume o poder em conjuntura favorável, comparativamente aos difíceis anos de austeridade. Mas o seu discurso de vitória, no domingo, na emblemática praça Syntagma, referiu as dificuldades que vêm aí.

"Pedi-vos um mandato forte para mudar a Grécia. Vocês ofereceram-mo com toda a generosidade. A partir de hoje, começamos uma luta difícil mas bela", rematou Mitsotakis, no discurso da vitória.

Por seu turno, Tsipras — obrigado a pedir a demissão, no dia seguinte a perder estas eleições europeias de 26 de maio — afirmou que o Syriza sofreu sobretudo uma “derrota estratégica”. O resultado das legislativas, 31,5 por cento (86 assentos parlamentares), mostrou “que o partido era muito mais forte do que se esperava”, disse na sede da candidatura após telefonar a dar os parabéns a Mitsotakis.

Alexis Tsipras, no seu discurso de derrota, prometeu cumprir a missão que "o povo grego nos deu, na bancada da oposição”. “Vamos estar sempre prontos para proteger os interesses do povo, o seu trabalho e a sua capacidade de criar”, rematou o primeiro-ministro que cumpriu dois mandatos: um entre 26 de janeiro e 19 agosto de 2015, outro entre 20 de setembro de 2015 e 7 de julho de 2019.

O parlamento ficou constituído com mais cinco partidos que obtiveram mais de três por cento dos votos. O KINAL-Movimento Para a Mudança, de centro-direita, com 8,1% e 22 assentos. Partido Comunista, 5,3% e 15 assentos. O estreante Solução Grega, de extrema-direita, com 3,7 % e 10 assentos. O partido do ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, o também recém-formado MeRa 25, com 3,44 % e nove assentos.

Tragédia da economia grega

O estado da economia grega fez correr rios de tinta desde 2010, quando o então primeiro-ministro George Papandreou, ante a dívida insustentável, teve de aceitar as condições de austeridade extrema impostas pelo BCE-o banco central da União Europeia.

O primeiro resgate da dívida tem um impacto tremendo: desemprego, cortes nos salários e pensões, penhoras de casas, a ‘Sopa dos pobres’ chega à classe média, "milhares de pessoas suicidaram-se por motivo económico" à medida que o PIB caía de $240 bn para $180 bn.

Só nos primeiros seis anos de austeridade, Atenas foi palco de um total de 11.045 manifestações contra os sucessivos governos — sete primeiros-ministros sucedem-se em seis anos.

Tsipras vence as eleições de 2015 com a coligação Syriza que "cria uma onda de choque na Europa", pela ideologia nacionalista e contra a economia liberal. Syriza, a denotar nacionalismo pela associação à locução "de perto da raiz", é uma mistura heteróclita de treze partidos desde o centro-esquerda à extrema-esquerda.

PM lamenta ter menos ministras

A formação do gabinete do primeiro-ministro foi objeto de uma reportagem na BBC. "Só temos duas ministras, quando apostámos em que 40 por cento de membros do gabinete seriam mulheres", lamentou o novel PM. "Convidámos, mas só duas aceitaram": Niki Kerameos, ministra da Educação, e Lina Mendoni na Cultura.

O parlamento não terá férias de verão porque há leis que têm de ser aprovadas de imediato. Respeitam à redução de impostos, facilitação do investimento e reorganização do conselho de ministros, avançou o recém-empossado chefe do executivo.

Nasceu prisioneiro político

Kyriakos Alec Mitsotakis nasceu prisioneiro político, reza a sua biografia. O pai Konstantinos foi colocado em prisão domiciliária em 1967 e com ele a família toda, completada meses depois com o quarto filho e primeiro rapaz.

Nesse ano de 1968, Konstantinos Mitsotakis, o fundador do partido ND (e futuro primeiro-ministro, de 1990 a 1993) estava sob prisão domiciliária, imposta pela Junta Militar que, de 1967 a 1974, governou o Reino da Grécia (caído em ’73) e a República Helénica.

Fontes: Agências noticiosas/ BBC-TV/Fontes históricas. Foto: Mitsotakis ao centro com os 51 membros do seu Gabinete, com 18 ministérios: 30 são eleitos, 21 são especialistas não eleitos. LS

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