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Conjunto Cordas do Sol: Líder Arlindo Évora anuncia revolução musical com a retoma da normalidade 09 Maio 2021

Em pausa por causa da pandemia de Covid-19, o conjunto musical Cordas do Sol (CdS) prepara-se para uma nova revolução. «A próxima revolução que se pretende com o grupo inclui o melhoramento da performance e apresentação no palco, a gravação e edição dos próximos discos, os valores a acrescentar dentro do projeto da internacionalização da Banda e a relação simbiótica com músicos de outras gerações», revelou o líder deste conjunto originário de Santo Antão. Em entrevista a este jornal, Arlindo do Rosário avança que Cordas do Sol, que ganhou vários títulos e faz sucessos desde 1995, decidiu colocar-se no “modo de espera” até que as coisas voltem à normalidade, isto dada a situação atípica que se vive no país provocada pela pandemia de Covid—19. Revela que cada elemento do conjunto faz, neste momento, a sua vida e sempre que possível um ou outro realiza concertos. O representante do CdS confessa que foi feito para grandes atuações e desafios, mas que pretende esperar. Um grupo musical muito conhecido por todos, pelas características únicas e genuínas que retratam a vida quotidiana das pessoas, particularmente as da Ilha das Montanhas. Uma vivência retratada ao som de instrumentos acústicos, inspirada em temas e géneros musicais de Santo Antão, com destaque para as cantigas do trabalho. Acompanhe neste jornal a entrevista que se segue com o líder da Banda.

Entrevista conduzida por: Arménia Chantre/Redação

Conjunto Cordas do Sol: Líder Arlindo Évora anuncia revolução musical  com a retoma da normalidade

Asemanaonline - Neste momento, como se encontra a banda Cordas do Sol?

Arlindo Évora - Cordas do Sol se encontra neste momento em estado de standby. Entre outras variáveis condicionadas pelo estado de pandemia, optamos por esta: de esperar e ver para crer.

Como descreve a vossa paixão pela música?

- A paixão sendo um sentimento nobre, pela música acontece a mesma. É como a respiração, o sabor da comida, o perfume das flores, a beleza feminina, as ondas do mar, o encanto da natureza, a fluidez de um bom discurso, a própria música e outros sons que nos chegam. O nosso envolvimento com a música é de uma grandiosidade uno, que somente sentido para se entender.

E em relação a música tradicional, com destaque para as cantigas de trabalho em Santo Antão, o grupo soube bem explorar essa vertente?

- Desde o início do nosso projeto, traçamos objetivos que definissem a nossa linha. E entre várias dessas ações, incluía a recolha de tradições orais. Essa temática do mundo rural nos deu muita força para expressar musicalmente e poeticamente. O sentimento do homem rural é muito genuíno, humano e por causa da vivência constante com a natureza eles valorizam o meio ambiente, os animais, as plantas, a força do trabalho, a solidariedade, a família. Eles têm uma conexão muito forte com a Lua, o Sol, as estrelas, a chuva, por que regulam as tarefas das sementeiras, florestação, produção e colheitas baseadas nas estações, nos movimentos dos astros, na localização das estrelas. E esta forma de estar na vida também lhes confere atitudes, comportamentos e emoções de grande leveza. E isto deu ao Cordas do Sol esta bênção e conseguimos captar esta sensibilidade e tê-la colocada nas melodias, nos sons das guitarras, nas percussões, e até na forma de comunicar definitivamente as nossas musicas.

Empenho dos elementos de Banda e revolução a caminho

Neste momento como está a sua carreia e a do grupo em geral?

- Continuo na minha cena criativa, sempre repensando projetos musicais e de como transformar e evoluir o grupo de que faço parte. A próxima revolução que se pretende com o grupo inclui o melhoramento da performance e apresentação no palco, a gravação e edição dos próximos discos, os valores a acrescentar dentro do projeto da internacionalização da Banda e a relação simbiótica com músicos de outras gerações. Sobre cordas do sol propriamente dito, pensamos em manter por enquanto sem nenhuma programação. Somente preparando para a grande ribalta que brevemente vai iniciar quando as coisas se recomporem. Não intencionamos participar em nenhuma pequena atuação por enquanto. Vamos aguardar pacientemente para grandes espetáculos, para os palcos maiores. Somos feitos para estas grandes atuações e desafios e pretendemos esperar para contribuir para as sacudidelas emocionais a nível musical que se avizinham brevemente não só neste país de música, como também em palcos fora do arquipélago. Enquanto isto cada elemento vai fazendo as suas atuações e projetando para experiências a solo e participações em eventuais projetos com lançamentos de singles. E evoluindo as suas criatividades e talentos de uma forma independente da Banda.

A quem deve muito, por ser quem tu és hoje, como líder do grupo e artista?

- Agradeço imenso os meus companheiros de ontem e hoje que passaram pelo grupo e que confiaram em mim para juntos dirigirmos um projeto tão sensível com muitos anos de vida, muitas conquistas, com mérito e uma história feita a base de empenho e muita dedicação. Sem eles nunca eu conseguiria manter unido e nem sequer as coisas já existissem. O mérito pertence único e exclusivamente a todos eles e elas de uma forma geral.

Pandemia e desafios do grupo

O que tem feito agora com esta pandemia?

- Estou agora focado em fazer composições para outros cantores que já interessaram a produzir géneros musicais da minha autoria. Também durante este período renasceu uma serie de inspiração com revelação de ideias novas e desafios interessantes a nível pessoal. Por exemplo, regressei para o hospital como enfermeiro e também brevemente pretendo iniciar uma licenciatura para complementar essa outra grande paixão que esteve suspenso para implementação dos Cordas do Sol a nível Nacional e Internacional.

Como banda, que desafios têm enfrentado atualmente?

- O grande desafio foi ter de cancelar todos os concertos, adiar processos que iam ser consumados no ano 2020, ver contratos a passar entre os dedos, e pousar uma perspetiva brilhante de decidir novas viradas, depois de anos de investimento. Mas como todas as companhias do mundo, como toda a família, como todo mundo. Alguns menos e outros mais, mas todos com a cabeça erguida. Serve este tempo para dar algumas lições à vida. Ensinar que imprevistos duradouros existem, descobrir o verdadeiro valor da solidariedade e do reconhecimento, o respeito e a gratidão pelo seu dia de trabalho, a oportunidade de saborear a união da família, a entrega e mãos dadas em momentos de crise, o olhar para o nosso próximo como um todo, etc.

Carreira e sucessos do Cordas do Sal

Qual o aprendizado que tiram com essa crise pandémica que assola o mundo?

- Em cima de tudo, aprendemos como o mundo dá voltas. E assim devemos cultivar a evolução continua, baseada no estudo, trabalho e progresso, humildade, respeito e que nós todos somos iguais apesar de sermos todos diferentes.

Têm algum projeto em curso?

- Há várias ideias em curso. A produção musical é muito contínua e imparável. As vezes não convém anuncia-las por causa das fases que obrigatoriamente eles têm que passar e para isso o anúncio deve se for feito no tempo apropriado. Assim se evita criar expectativas que podem durar para serem satisfeitas. Mas prometo evidencia-los oportunamente.

Quantos trabalhos a Banda já gravou até agora e quais tiveram mais sucessos?

- Gravamos 4 discos de originais, uma compilação, um DVD e um single. «Linga de Sentontom», «Marijoana», «Lume d’ lenha» e «Na montanha» são os títulos dos quatro discos. Todos foram sucessos. Algum mais do que o outro, mas, de uma forma geral, são produções que sempre foram bem aceites - cada uma com sua identidade, mas acima de tudo o DNA dos Cordas do Sol manteve como receita base e ideal para todos. De realçar que a nossa história de digressões pelo mundo, troféus, nomeações e homenagens estão interligados aos sucessos dos nossos discos.

Mensagem aos fãs do grupo

Que mensagem deixa a todos aqueles que vivem da música e aos fãs do Cordas do Sal em particular?

- Aos que vivem da música, que continuam na luta. Se organizem pessoalmente, tenham uma inscrição na segurança social, pagam um valor que vos colocam numa reforma confortável quando atingirem uma idade correspondente. Não fujam da vossa escolha. Leva-o a sério como todas as profissões do mundo. Valorizem-se. Tenham honra respeito e orgulho da vossa profissão. Conhecem os direitos de autores e os direitos conexos. Inscrevem-se no SCM, sociedade Cabo-verdiana de música. Estejam atentos e por dentro da matéria, estudem não só a arte de execução, mas também a arte de representação e preocupam também em ter uma boa cultura geral. Estudem o básico de administração e finanças pessoais e de tudo um pouco sobre a gestão de carreira. Não se esqueçam que a riqueza pode ser material e espiritual. E todos são necessários, e para adquiri-los de forma pretendida, é preciso empenho, estudo e disciplina.

Aos meus queridos fãs sejam e estejam sempre alegres, agradecidos e sempre com o sentimento de amor incondicional. Depois destes, tudo de bom pode acontecer. A vontade de subir ao palco e vos ver ao rubro, será realizada em breve.

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