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Guarda-redes britânico alvo de processo disciplinar por "saudação nazi" é ’punido’ com aulas de cultura geral, decidiu Federação 19 Maio 2020

O guarda-redes britânico Waine Hennessey, guardião das balizas do londrino Crystal Palace, da primeira-divisão inglesa, e na Seleção do País de Gales, foi alvo de um processo disciplinar depois de em campo ter feito o gesto da foto — entendido como o infame "Heil Hitler". Por isso, foi levado ao conselho disciplinar da EFA-Federação de Futebol britânica. Na terça-feira, o painel de juízes que ouviu o guarda-redes chegou à conclusão de que o arguido "nem sabia o que é uma saudação nazi" e que por "mais improvável que possa parecer-nos este elevado grau de ignorância, a nós de outra geração, decidimos não descartar a possibilidade de ser verdade".

Guarda-redes britânico alvo de processo disciplinar por

Incrédulos mas convencidos da "extrema ignorância" sobre factos da história recente — que são três-quartos de século na História? —, o painel de juízes decidiu não punir o galês Hennessey por "transgressão agravada das regras desportivas por ter produzido referências étnicas ou raciais".

Em vez disso, o painel de juízes decidiu que o guarda-redes, supervisionado pelo Crystal Palace — que o ajudou a defender-se no Conselho de Disciplina da EFA-Federação de Futebol britânica — "deve esforçar-se por aprender mais".

Umas aulas de cultura geral como uma espécie de punição, pois.

Mas a pergunta que não se cala é esta: O que é uma saudação nazi? Será que o painel do Conselho de Disciplina da EFA-Federação de Futebol britânica está devidamente informado, dispõe dos meios necessários a nível de conhecimentos, enfim, de cultura geral necessária, para tratar o caso?

Todos os documentos históricos relativos à saudação nazi mostram o braço direito estendido — confira nas fotos de arquivo a preto e branco.

Origem? A primeira representação da ’saudação romana’ que os soldados dirigiam a César só surge mais de 1800 anos depois, no fim do século XVIII pelo pintor neoclássico francês David. A apropriação pelo fascismo italiano sob Mussolini deu-se nos finais de 1920 como ’salute romano" que foi de seguida copiado pelo nazismo. Em 1932, o orgulho nacionalista de Hitler deu uma explicação germânica ao gesto. 88 anos depois, nesta primavera inglesa, o que o guarda-redes queria era que o "fotógrafo" se despachasse a clicarO movimento que partia do ombro direito, com a mão estendida, e se elevava era acompanhado de uma das expressões Heil Hitler, Heil mein Fuhrer, Sieg Heil.

Pois bem, Hennessey levantou o braço esquerdo. Se os juízes mencionaram essa divergência, nenhuma referência a isso aparece nas fontes noticiosas em apreço.

Explicação em tweet

O guarda-redes ao publicar a foto comentou na rede social Twitter que levantou o braço a pedir ao "fotógrafo" para se despachar.

A foto de Hennessey e a notícia vêm no Deutsche Welle de domingo, 17. As outras são de fontes especializadas icónico-bibliográficas. Na era das redes sociais quem dispensa um ’clic’? Selfie ou de outra maneira, decerto que vão ter mais cuidado a partir de hoje, na hora de estender o braço a pedir um despacha-te!/Faxi go/Rapte!

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