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Guerra Rússia/Ucrânia: Protestos contra mobilização decretada por Putin dão origem a mais de 800 detenções 21 Setembro 2022

As autoridades russas procederam a mais de 1300 detenções em 38 cidades da Rússia na sequência dos protestos contra a mobilização parcial decretada por Vladimir Putin esta quarta-feira, revelou a EN.

Guerra Rússia/Ucrânia: Protestos contra mobilização decretada por Putin dão origem a mais de 800 detenções

Os números foram avançados pela OVG-Info, organização não-governamental russa que se dedica a denunciar e combater a perseguição política.

Já as autoridades russas limitam-se a apontar a existência de vários detidos na sequência de uma manifestação ilegal, lembrando que este tipo de protestos pode ser punido com uma pena de 15 anos de prisão.

Putin anuncia "mobilização parcial" para ofensiva na Ucrânia

Segundo a EN, Vladimir Putin anunciou a "mobilização parcial" de cidadãos russos para o esforço de guerra na Ucrânia, quando se preparam para cumprir sete meses desde o início da invasão.

O presidente russo precisou que se tratará, para já, essencialmente de reservistas e pessoas com experiência militar prévia. O ministério russo da defesa informou que vão ser mobilizados 300.000 reservistas.

Putin voltou a defender a incursão, em nome da "defesa dos interesses russos".

«O nosso país possui várias armas de destruição e, nalguns componentes, são ainda mais ’avançadas’ do que as dos países da NATO.Em resposta à ameaça à integridade territorial do nosso país, para proteger a Rússia e o nosso povo, vamos usar sem dúvida todos os meios de que dispomos. Não se trata de um ’bluff’, disse Vladimir Putin.

O líder do Kremlin decidiu ainda "aumentar o fabrico de armamento e inclusivé abrir novas fábricas".

O discurso de Putin era aguardado, nomeadamente em reação aos anúncios das lideranças de várias regiões ucranianas sob controlo russo, que pretendem organizar referendos sobre uma eventual união com a Rússia.

Putin prometeu apoiar as consultas populares: "Não podemos e, simplesmente, não temos o direito moral de deixar que pessoas próximas de nõs sejam destruídas por carniceiros. Não podemos deixar sem resposta o desejo sincero de definirem o seu destino. Faremos tudo para garantir uma organização segura destes referendos, para que as pessoas exprimam a sua vontade, e vamos apoiar a decisão sobre o futuro que será tomada pela maioria da população das repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, bem como das regiões de Zaporíjia e Kherson."

Desde o início da invasão, a Rússia tem atribuído passaportes russos a cidadãos ucranianos nas regiões separatistas. Os referendos deverão ter lugar entre esta sexta-feira e o meio da próxima semana.

Navalny alerta para "tragédia" na Rússia

Entretanto, para o opositor russo Alexei Navalny, a decisão de mobilizar 300 mil reservistas vai resultar numa tragédia. A opinião de Navalny, considerada a principal figura da oposição a Vladimir Putin na Rússia, que se mostrou contra a guerra desde o primeiro momento, era uma das mais aguardadas pelo ocidente.

"O principal é que está claro que este crime, esta guerra criminosa e agressiva está a piorar, está a agravar-se. Putin tenta envolver o máximo de pessoas possível. Quer incluir mais centenas de milhares de pessoas neste banho de sangue. Com certeza, isso vai levar a grandes tragédias, a um grande número de perdas. Não vai levar a nada de bom", disse.

Navalny falou numa audiência judicial por teleconferência, a partir da prisão e, apesar de todas as contrariedades, não teve papas na língua.

"Para aumentar o seu poder pessoal, Putin está a atormentar um país vizinho, a matar pessoas nesse país e agora atira para esta trituradora da guerra uma grande quantidade de cidadãos russos que apenas querem viver uma vida normal e tomar conta das famílias. Já era um crime, mas tornou-se um crime de uma escala ainda maior", acrescenta.

Segundo ainda EN, o opositor, que chegou a mobilizar centenas de milhares de russos em manifestações semanais contra Putin, está a cumprir uma pena de oito anos de prisão, depois de um muito mediatizado regresso à Rússia e de ter sido tratado na Alemanha a uma tentativa de envenenamento pela qual culpa o Kremlin.

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