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Guerra Rússia/Ucrânia: Balões, a inesperada resposta dos EUA contra os mísseis hipersónicos da China e Rússia 06 Julho 2022

Estas aeronaves não-tripuladas podem vir a revelar-se uma importante ferramenta no rastreamento dos céus e ainda como amplificadores de comunicação. Reflexo disso é o facto de, depois de ter gasto apenas 3,6 milhões de euros nos últimos dois anos no desenvolvimento desta tecnologia, o Pentágono pretender investir mais de 27 milhões só no próximo ano.

Guerra Rússia/Ucrânia: Balões, a inesperada resposta dos EUA contra os mísseis hipersónicos da China e Rússia

O Pentágono tem um programa de desenvolvimento militar para fazer frente à China e Rússia, perante os recentes desenvolvimentos de mísseis hipersónicos capazes de transportar várias ogivas nucleares. Pouco se sabe sobre o formato destas "aeronaves", ou até sobre como são capazes de manter a capacidade de flutuação a grandes altitudes, mas poderão vir a ser utilizadas para rastrear armamento hipersónico no futuro.

De acordo com a publicação norte-americana Politico, os documentos que registam o orçamento do Pentágono mostram que o programa de desenvolvimento destes balões está a transitar do departamento científico do Departamento de Defesa norte-americano para os serviços militares.

Todavia, ao contrário do tradicional balão de ar quente, estas estruturas são altamente complexas, têm forma de lágrima, têm capacidade para recolher dados complexos e navegam através de sistemas de inteligência artificial. Estas aeronaves não tripuladas são fabricadas pela empresa Raven Aerostar, uma subdivisão da Raven Industries, que explica que os balões são constituídos por uma unidade de controlo de voo, e movidos por baterias que são alimentadas através de painéis solares.

O Pentágono não só vai continuar a investir fundos neste projeto, como vai aumentar drasticamente a quantia adjudicada, porque entende que os balões podem ter variados tipos de uso em missões militares. Ao longo dos últimos dois anos, os norte-americanos gastaram um total de 3,8 milhões de dólares (cerca de 3,6 milhões de euros) no desenvolvimento desta tecnologia. Contudo, só durante o próximo ano, planeiam gastar mais 27,1 milhões de dólares (cerca de 26,3 milhões de euros).

“Plataformas de alta ou muito alta altitude têm vários benefícios devido à sua resistência, manobrabilidade e flexibilidade para transportar vários tipos de carga”, como explica Tom Karako, membro sénior do Programa de Segurança Internacional e diretor do Projeto de Defesa Contra Mísseis do Centro de Estratégia e Estudos Internacionais.

O interesse repentino e inesperado dos Estados Unidos nestes balões tecnologicamente avançados surge numa altura em que a China já testou um míssil hipersónico com capacidade nuclear, tendo falhado o alvo apenas por apenas duas dezenas de milhas (cerca de 32 quilómetros), e a Rússia garante que usou com sucesso um míssil hipersónico num ataque à Ucrânia, em março, algo que a confirmar-se será a primeira vez que este tipo de armamento foi utilizado em contexto de combate real.

Como podem estes balões ser úteis em cenário de guerra?

Estes acontecimentos relembram como estes aparentemente inofensivos balões de ar quente ou hélio podem ser altamente úteis, aumentando a capacidade de rastreamento de mísseis que atualmente é feita exclusivamente por satélites.

Há vários anos que os Estados Unidos têm vindo a testar este tipo de balão de grande altitude - que em certos casos pode mesmo atingir a estratosfera terrestre - , sobretudo com o intuito de facilitar e possibilitar as comunicações com as equipas no terreno e como modo de mitigar problemas nos satélites.

No entanto, o Politico alega que descobriu que estes projetos estão a transitar para a área militar, com serviços destinados à captura e transmissão de informações, com um potencial de auxiliar na neutralização de mísseis hipersónicos com capacidade de atingir alvos a largos quilómetros de distância.

Ainda assim, o Pentágono assegura que vai continuar também a apostar no programa que visa desenvolver as suas próprias armas hipersónicas, apesar do teste falhado realizado nas águas do Havaí, na passada quarta-feira. Este foi o segundo ensaio norte-americano, depois do voo realizado com sucesso de um míssil hipersónico, em meados de março. A Semana com CNN Poortugal/ Foto: Imagem da AP

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