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Guerra Rússia/Ucrânia: Ex-PM russo diz que Putin está "fora de si" e que guerra pode durar dois anos 15 Junho 2022

Mikhail Kasyanov foi primeiro-ministro russo entre 2000 a 2004. Atual líder do partido da oposição "People’s Freedom", acredita que guerra poderá durar cerca de dois anos e que Vladimir Putin está "fora de si" em termos políticos.

Guerra Rússia/Ucrânia: Ex-PM russo diz que Putin está

Foi primeiro primeiro-ministro de Vladimir Putin, no entanto Mikhail Kasyanov nunca imaginou que o seu antigo chefe desencadearia uma guerra em grande escala contra a Ucrânia.

Em declarações à AFP, Kasyanov, o primeiro-ministro russo de 2000 a 2004, disse acreditar que a guerra possa durar até dois anos, mas está convencido de que a Rússia poderá regressar a um caminho democrático.

Mikhail Kasyanov, de 64 anos, sempre defendeu as relações com o Ocidente como primeiro-ministro e disse que, tal como muitos outros cidadãos russos, nunca acreditou que uma guerra poderia realmente acontecer.

Kasyanov só percebeu que Putin não estava a fazer "bluff" quando o viu convocar a liderança máxima do país para uma reunião do conselho de segurança três dias antes da invasão a 24 de fevereiro.

"Quando vi a reunião do Conselho de Segurança da Rússia apercebi-me, sim, que haveria uma guerra", disse Kasyanov.

O antigo primeiro-ministro acrescentou que sentia que Putin já não estava a pensar corretamente. "Conheço estas pessoas e, ao olhar para elas, vi que Putin já estava fora de si. Não no sentido médico, mas em termos políticos", disse. "Eu conheci um Putin diferente", acrescentou.

Após ter sido demitido por Putin, Kasyanov juntou-se à oposição russa e tornou-se um dos críticos mais vocais do Kremlin. Mikhail é agora líder do partido da oposição "People’s Freedom".

Falta de leis

Kasyanov disse que Putin conseguiu nos últimos 20 anos construir um sistema baseado na impunidade e no medo.

"Estas são as realizações de um sistema que, com o encorajamento de Putin como chefe de Estado, começou a funcionar mesmo de uma forma mais cínica e cruel do que nas fases finais da União Soviética", explicou.

"Essencialmente, este é um sistema do KGB baseado na completa ilegalidade. É evidente que eles não esperam qualquer punição", frisou.

Kasyanov disse ter deixado a Rússia por causa da guerra e estar a viver na Europa, mas recusou-se a revelar a sua localização por preocupação com a sua segurança.

O seu aliado próximo e companheiro político da oposição Boris Nemtsov foi abatido a tiro perto do Kremlin em 2015.

O crítico mais conhecido de Putin, Alexei Navalny, de 46 anos, foi envenenado com um agente nervoso em 2020 e encontra-se agora na prisão.

Kasyanov prevê que a guerra pode durar até dois anos e disse que é imperativo que a Ucrânia vença. "Se a Ucrânia cair, os Países Bálticos serão os próximos", defendeu.

"O resultado da guerra vai também determinar o futuro da Rússia", disse.

Kasyanov disse que discordou "categoricamente" da sugestão do Presidente francês Emmanuel Macron de que Putin não deveria ser humilhado e repreendeu ainda os apelos à Ucrânia para que ceda território e para pôr fim à guerra.

"O que fez Putin para merecer isto?" disse ele. "Esta é uma posição excessivamente pragmática. Creio que isto está errado e espero que o Ocidente não siga por esse caminho".

"Enormes tarefas"

Kasyanov acredita que Putin acabará por ser substituído por um "quase sucessor" controlado pelos serviços de segurança. Porém, este sucessor não será capaz de controlar o sistema durante muito tempo e eventualmente a Rússia realizará eleições livres e justas.

"Estou certo de que a Rússia voltará ao caminho da construção de um Estado democrático", disse ele.

Mikhail Kasyanov estimou que levaria cerca de uma década a realizar a "descomunização" e a "desputinização" do país. "Isto vai ser difícil, especialmente depois desta guerra criminosa".

Acredita ainda que a confiança teria de ser restabelecida com os países europeus, a que chamou os "parceiros naturais" da Rússia.

Anteriormente, os críticos acusaram a oposição russa de estar irremediavelmente dividida, mas Kasyanov disse estar confiante de que as coisas seriam agora diferentes. "Não tenho dúvidas de que agora, após a tragédia a que todos estamos a assistir, a oposição se unirá".

"Os russos irão enfrentar uma enorme tarefa na reconstrução do seu país", admitiu. "Tudo terá de ser reconstruído de novo", visto que "todo um conjunto de reformas económicas e sociais deverá ser recomeçado".

"Estas são as tarefas enormes e difíceis que terão de ser feitas", concluiu. A Semana com DN/AFP

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