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Guerra Rússia/Ucrânia: Rússia ataca porto de Odessa menos de 24 horas após comprometer-se a não o fazer 23 Julho 2022

Nem 24 horas tinham ainda passado da assinatura dos acordos para permitir a exportação de cereais ucranianos e o porto de Odessa, um dos principais nesse processo, foi atacado pela forças do Kremlin.

Guerra Rússia/Ucrânia: Rússia ataca porto de Odessa menos de 24 horas após comprometer-se a não o fazer

No 150° dia da invasão russa da Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro, faz este domingo cinco meses, o ato bélico russo, escassas horas após assinar um acordo com as Nações Unidas que o proibia, vem confirmar, segunod noticia EN, os receios de incumprimento por parte do Kremlin de quaisquer compromissos estabelecidos no âmbito da ofensiva no território ucraniano.

O Comando Operacional do Sul da Ucrânia referiu que dois mísseis cruzeiro "Kalibr" atingiram o porto onde são processados cereais para exportação e outros dois foram neutralizados pelas baterias antiaérea, o que foi motivo de aplausos para quem assistiu da praia ao contragolpe da defesa ucraniana.

Este ataque ao porto de Odessa vem confirmar os receios antecipados pelo Presidente ucraniano logo após a ratificação dos acordos na Turquia.

Volodymyr Zelenskyy afirmava ser "claro para todos que poderá haver provocações da parte da Rússia e tentativas para desacreditar os esforços ucranianos e internacionais", mas dizia ser "necessário confiar nas Nações Unidas".

"É responsabilidade da ONU e dos nossos parceiros internacionais garantir o cumprimentos dos acordos", dizia Zelenskyy. E esse cumprimento falhou cerca de 12 horas apenas após o ministro da Defesa da Rússia ter assinado um compromisso em como as zonas tidas como essenciais para a exportação de cereais no seriam atacadas.

Já este sábado, numa mensagem vídeo partilhada pela aplicação Telegram, o Presidente ucraniano reiterou que o ataque a Odessa "prova uma coisa: independentemente do que a Rússia diga ou prometa, vai ser encontrar formas de não o cumprir."

Segundo a mesma fonte, apesar do ataque, as forças armadas ucranianas vão continuar "os preparativos técnicos para o lançamento das exportações de produtos agrícolas" dos respetivos portos, garantiu pelo Facebook o ministro das Infraestruturas, Alexander Kubrakov, o responsável pela assinatura ucraniana no acordo de Istambul com as Nações Unidas.

"Não confiamos na Rússia, mas confiamos nos nossos parceiros e aliados, razão pela qual a iniciativa sobre o transporte seguro de cereais e alimentos dos portos ucranianos foi assinada com a ONU e a Turquia. Não com a Rússia", sublinhou Kubrakov.

Reações internacionais

conforme ainda EN, a União Europeia "condenou veementemente o disparo de mísseis contra o porto de Odessa".

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell Fontelles, considerou que "o ataque a um alvo crucial para a exportação de cereais um dia após a assinatura dos acordos de Istambul é particularmente repreensível».

«(O ataque a Odessa) demonstra uma vez mais o total desrespeito da Rússia pelo direito e compromissos internacionais.», disse Josep Borrell Fontelles, Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros.

O secretário-geral da ONU, que mediou presencialmente na sexta-feira a assinatura dos acordos na Turquia, também condena "inequivocamente os alegados ataques russos no porto ucraniano de Odessa".

"A total implementação dos compromissos assinados pela Federação Russa, a Ucrânia e a Turquia é imperativo", afirmou António Guterres através de uma publicação nas redes sociais pela conta do porta-voz da ONU.

Do lado russo, as notícias deste sábado dão conta de bombardeamentos contra posições ucranianas na região do Donbass, nomeadamente nos territórios rebeldes sob controlo das milícias fiéis ao Kremlin; da destruição de drones ucranianos perto de Kherson; e da formação de um governo fiel ao Kremlin na região de Zaporíjia.

À margem do acordo de Istambul e ainda antes do ataque deste sábado a Odessa, os Estados Unidos da América anunciaram um pacote adicional de ajuda militar à Ucrânia no valor de 270 milhões de dólares (264 milhões de euros).

Do novo pacote fazem parte mais quatro dispositivos adicionais de lança foguetes de alta mobilidade, os agora famosos "HIMARS", e respetivas munições. O Departamento de Defesa norte-americano vai ainda enviar para a Ucrânia cerca de 580 veículos aéreos não tripulados (drones) da gama "Phoenix Ghost", conclui EN.

Rússia nega ataque contra o porto de Odessa

Entreatanto, a Rússia negou hoje a Ancara qualquer envolvimento nos ataques contra o porto ucraniano de Odessa, disse o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar.

"Os russos disseram-nos que não tinham absolutamente nada a ver com este ataque e que estavam a analisar o assunto ", disse , segundo a Lusa, o ministro turco, enquanto Moscovo não reagiu oficialmente.

A Turquia disse também, contudo, estar "preocupada" com os ataques no porto ucraniano de Odessa, um dia após a assinatura em Istambul por Kyiv e Moscovo de um acordo para a retoma das exportações de cereais bloqueadas pela guerra.

"O facto de que tal incidente aconteceu logo após o acordo a que chegamos ontem... preocupa-nos verdadeiramente", disse o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar.

"Continuaremos a assumir as nossas responsabilidades no acordo que alcançamos ontem", acrescentou.

Acordo assinado

Este acordo deve permitir a exportação de 20 a 25 milhões de toneladas de cereais bloqueados na Ucrânia devido ao conflito em curso.

A Ucrânia e a Rússia assinaram na sexta-feira acordos separados com a Turquia e a ONU para desbloquear a exportação de cerca de 25 milhões de toneladas de cereais presos nos portos do Mar Negro.

Numa cerimónia realizada no Palácio Dolmabahçe, na cidade turca de Istambul, com a parceria da Turquia e da ONU, foram, prossegue a Lusa, assinados dois documentos - já que a Ucrânia recusou assinar o mesmo papel que a Rússia - devendo o acordo vigorar durante quatro meses, sendo, no entanto, renovável.

Depois de dois meses de duras negociações, os documentos visam criar um centro de controlo em Istambul, dirigido por representantes das partes envolvidas: um ucraniano, um russo, um turco e um representante da ONU, que deverão estabelecer o cronograma de rotação de navios no Mar Negro.

O acordo implica também que passe a ser feita uma inspeção dos navios que transportam os cereais, para garantir que não levam armas para a Ucrânia.

O Governo ucraniano acusou hoje a de "cuspir na cara" da ONU e da Turquia com o ataque lançado hoje contra o porto comercial de Odessa, uma infraestrutura chave para a exportação de cereais pelo Mar Negro.

Num comunicado citado pelo portal oficial Ukrinfrom, de Kyiv, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia afirma que a Rússia deve assumir "toda a responsabilidade" se o acordo alcançado na sexta-feira em Istambul, entre Kyiv e Moscovo, for quebrado.

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