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Guerra Rússia/Ucrânia: Rússia invadiu a Ucrânia há quase três meses: Este é o estado das coisas 22 Maio 2022

Passaram quase três meses desde que a Rússia invadiu a Ucrânia - 12 semanas em que as forças russas causaram devastação no país e no seu povo, causando mortes em grande escala e fazendo com que milhões de pessoas fugissem.

Guerra Rússia/Ucrânia: Rússia invadiu a Ucrânia há quase três meses: Este é o estado das coisas

Mas a invasão não foi o sucesso militar que Moscovo esperava e está agora na sua segunda fase.

A maior parte dos combates deslocou-se para o leste, após os ​​avanços russos fracassarem no centro da Ucrânia. A defesa está até a concentrar-se em retomar algumas áreas-chave perto da fronteira russa, enquanto Moscovo vê as suas tropas derrotadas em algumas batalhas importantes.

A ajuda ocidental também está a fluir para a Ucrânia, a NATO deve sair fortalecida à medida que os países procuram juntar-se, e o primeiro soldado russo acusado de crimes de guerra foi julgado.

Eis o que aconteceu em várias áreas-chave desde o início da guerra.

Donbass

Após semanas de intensos combates, a região do Donbass, no leste da Ucrânia, está "completamente destruída", disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, esta quinta-feira.

Zelensky acusou a Rússia de uma "tentativa deliberada e criminosa de matar o maior número possível de ucranianos" depois de uma vila em Chernihiv ter sido atingida por mísseis, deixando um rasto de muitos mortos.

Autoridades da região dizem que a linha de frente está a ser bombardeada "dia e noite", com as forças russas a tentar romper as linhas ucranianas.

Um oficial militar da NATO disse à CNN na quarta-feira que a aliança espera um impasse nas próximas semanas. Mas a autoridade disse que a NATO acredita que o momento mudou significativamente a favor da Ucrânia e o debate dentro dos círculos da NATO agora é sobre se é possível para Kiev retomar a Crimeia e os territórios de Donbass tomados pela Rússia e pelos separatistas apoiados pela Rússia, respectivamente, em 2014.

Zona sob controlo das forças separatistas apoiadas pela Rússia a 24 de janeiro de 2022, antes da invasão. Os separatistas em Donetsk e Luhansk declararam duas regiões independentes da Ucrânia em 2014, o que nenhum outro país reconheceu até 21 de fevereiro de 2022, quando Putin assinou decretos a reconhecê-las como tal e garantindo a sua segurança com tropas russas.

Kharkiv

As forças ucranianas rechaçaram os ataques russos na segunda cidade ucraniana de Kharkiv e avançaram em direção à fronteira em vários lugares ao norte e leste da cidade.

Autoridades ucranianas disseram na semana passada que estavam a libertar vilas nos arredores da cidade. Os seus avanços levaram à expulsão simbólica e embaraçosa das forças do Kremlin de volta à sua própria fronteira, enquanto assumiram a ameaça estratégica de cortar as linhas de fornecimentos da Rússia para dentro da Ucrânia e as suas forças mais ao sul, no Donbass.

Anastasia Paraskevova voltou recentemente para sua casa em Kharkiv pela primeira vez desde que fugiu da cidade há dois meses. Estava sob constante bombardeamento desde então, até que as forças russas foram repelidas.

Paraskevova disse que, no geral, a experiência foi boa. "A cidade estava muito mais viva. As pessoas estavam a andar pelas ruas. E algumas lojas estavam a funcionar. Parecia que alguma vida estava de volta, muito melhor do que quando eu estava aqui em março."

Kherson

Todos os dias, centenas ou mesmo milhares de pessoas tentam fugir da região ocupada pelos russos de Kherson, no sul da Ucrânia.

A cidade está sob controlo russo desde o início da invasão. Os ucranianos estão a sair por muitas razões: para evitar serem detidos ou para escapar às ações pesadas das forças russas, ou por causa da escassez crónica de remédios e de outros artigos básicos em Kherson, que caiu sob controlo russo logo após a invasão.

Na semana passada, um comboio de cerca de mil veículos tentou deixar Kherson. Os russos finalmente deixaram o comboio mover-se em lotes - mas apenas depois de mantê-lo num lugar durante a maior parte do dia.

Mariupol

Mariupol, cidade portuária no Mar de Azov, caiu finalmente nas mãos das forças russas após semanas de bombardeamentos implacáveis.

A cidade foi palco de alguns dos combates mais intensos desde que a Rússia lançou a sua invasão. Foi lá que a Rússia realizou ataques mortais a uma maternidade e o bombardeamento de um teatro onde centenas de civis se refugiavam da violência.

Mariupol tornou-se um símbolo da resistência ucraniana quando os seus defensores resistiram em Azovstal, uma grande fábrica siderúrgica onde cerca de mil civis se abrigaram a determinado momento, com stocks de comida e água a diminuir.

Os militares da Ucrânia anunciaram na segunda-feira que suas forças haviam completado a sua "missão de combate" em Azovstal, cedendo efetivamente a cidade às forças russas. Na sexta-feira, a Ucrânia ordenou que as suas forças parassem de defender a fábrica.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, disse na sexta-feira que quase dois mil soldados ucranianos se renderam em Azovstal. A CNN não pode verificar independentemente esse número.

Com a cidade agora quase totalmente sob controlo russo, existe a preocupação de que indícios de quaisquer potenciais crimes de guerra - como os supostamente cometidos em Bucha e Borodianka - possam ser perdidos ou destruídos.

Bucha

Mais indícios de possíveis crimes de guerra russos estão a surgir em Bucha, cidade do norte da Ucrânia perto de Kiev, a capital. Uma investigação do The New York Times alegou que paraquedistas russos realizaram execuções sumárias de pelo menos oito homens ucranianos em Bucha a 4 de março.

Evidências de valas comuns e de execuções de civis nas cidades de Bucha e Borodianka continuaram a surgir desde o início de abril, após a retirada das forças russas da região de Kiev.

Imagens de corpos espalhados pelas ruas de Bucha provocaram a condenação internacional e alimentaram pedidos de investigação sobre possíveis crimes de guerra russos.

A CNN visitou o local das valas comuns em Bucha em abril, depois de as forças russas se retirarem, revelando os horrores de sua ocupação ao mundo. O correspondente Fred Pleitgen foi um dos primeiros a chegar a uma vala comum, que os moradores cavaram enquanto o local estava sob ocupação russa, porque muitos moradores foram mortos e cerimónias funerárias mais longas teriam sido muito perigosas no meio dos tiros e bombardeamentos.

Um soldado julgado

Esta semana teve início o primeiro julgamento de crimes de guerra na Ucrânia desde o início da invasão. Um soldado russo de 21 anos, chamado Vadim Shishimarin, declarou-se culpado de matar um homem desarmado de 62 anos.

O primeiro dia do julgamento foi tão cheio de jornalistas que as autoridades de Kiev foram forçadas a mudar para um local maior. Desde então, ele foi palco de vários momentos dramáticos, incluindo um confronto entre o soldado e a viúva da vítima, e o testemunho do próprio Shishimarin.

Na sexta-feira, Shishimarin reconheceu que era responsável pelo assassinato, mas que “lamentava se arrependia sinceramente".

"Eu estava nervoso no momento em que tudo aconteceu. Não queria matar. Mas aconteceu e eu não nego", disse.

O advogado de Shishimarin, Viktor Ovsyannikov, argumentou que, embora o seu cliente fosse culpado de matar, não fora um homicídio.

"Shishimarin estava num estado de stress causado pela situação de combate e pela pressão do seu comandante. A análise dessas circunstâncias permite-me concluir que Shishimarin não tinha intenção direta de cometer assassínio", disse Ovsyannikov.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na quarta-feira que a Rússia não tem detalhes sobre o caso de Shishimarin e considera as acusações "inaceitáveis", "ultrajantes" e "encenadas".

Diplomatas regressam

As missões diplomáticas estrangeiras começaram a voltar ao ativo em Kiev esta semana, depois de diplomatas fugirem em massa da cidade no início do conflito.

A bandeira dos EUA foi hasteada sobre a Embaixada dos Estados Unidos para marcar o retomar oficial das operações na quarta-feira, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suíça disse quinta-feira que também reabrirá a sua embaixada.

Os EUA e a França começaram a enviar diplomatas de volta a Kiev no final de abril.

Um pacote de ajuda maciço

Os deputados dos EUA aprovaram na quinta-feira um projeto lei que enviará cerca de 40 mil milhões de dólares para a Ucrânia para pagar ajuda militar e humanitária, incluindo financiamento que ajudará as forças militares e de segurança nacional ucranianas, ajudará a reabastecer os stocks de equipamentos dos EUA enviados à Ucrânia e fornecerá assistência médica e de saúde pública a refugiados ucranianos. O presidente dos EUA, Joe Biden, assinou o pacote de ajuda quando estava na Coreia do Sul.

Desenvolvimentos nórdicos

A Rússia parou de enviar gás natural para a Finlândia no sábado, apenas alguns dias depois e a Suécia se candidatar à adesão à NATO.

Durante décadas, Helsínquia e Estocolmo evitaram aderir à aliança, mas citaram a invasão de Moscovo como o impulso final para fazê-lo agora. Os dois países entregaram formalmente os seus pedidos na quarta-feira.

A maioria dos membros da NATO parece disposta a apoiar ambas as propostas, exceto a Turquia. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse quinta-feira que seu país "dirá não à entrada da Suécia e da Finlândia na NATO", citando o seu apoio ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O PKK procura ter um Estado independente na Turquia e há décadas trava uma luta armada com Ancara. Foi designada uma organização terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia.

Alguns especialistas dizem que Erdogan pode estar a procurar concessões ou a destacar queixas que a Turquia deseja trazer à atenção da comunidade internacional. A Semana com CNN Internacional

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