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Começou a guerra na Ucrânia: Alemanha condena ofensiva russa, Polónia apela à NATO e China manifesta-se 24 Fevereiro 2022

A Alemanha condena a "injustificada" ofensiva militar russa-40 soldados ucranianos foram mortos nos primeiros momentos dos ataques. A ministra das Negócios Estrangeiros alemã admite que "mesmo na Rússia os cidadãos devem estar envergonhados" pela invasão da Ucrânia e anuncia o maior pacote de sanções da União Europeia aos interesses de Moscovo.

Começou a guerra na Ucrânia: Alemanha condena ofensiva russa, Polónia apela à NATO e China manifesta-se

Annalena Baerbock apela a todos os países que respeitam a Carta das Nações Unidas a isolar a Rússia perante os acontecimentos das últimas horas.

A ministra alemã apela ainda a todas as pessoas na Ucrânia a inscreverem-se para a ponte aérea a ser estabelecida para resgatar civis das zonas atingidas pela ofensiva russa.

A Polónia exige a ativação do Artigo 4.° do Tratado da NATO, no qual se lê que "as Partes consultar-se-ão sempre que, na opinião de qualquer delas, estiver ameaçada a integridade territorial, a independência política ou a segurança de uma das Partes".

É a sexta vez que este artigo é evocado e acontece depois da ofensiva russa na Ucrânia ter atingido alvos perto da fronteira polaca com a Ucrânia.

Um conselheiro do gabinete do Presidente da Ucrânia disse estar em curso um forte bombardeamento de artilharia russa contra infraestruturas e que as forças armadas ucranianas estão a lutar com força, avança a Reuters.

A agência de notícias avança com mais uma declaração do membro do gabinete presidencial, garantindo que "a situação está sob controlo" e que "não vai haver nenhum ’Blietzkrieg’ (ataque relâmpago)" que desorganize a defesa do país.

"Temos de responder imediatamente à agressão criminosa da Rússia. A Europa e o mundo livre têm de parar Putin. Hoje, o Conselho Europeu deve aprovar as sanções mais severas possíveis. O nosso apoio à Ucrânia deve ser real", expressou o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki.

O líder do comité dos Negócios Estrangeiros do Parlamento da Alemanha apoia o envio de armas para a Ucrânia, no que seria uma reviravolta da posição germânica em relação ao apoio militar às forças ucranianas.

A posição revelada não tem força executiva, mas revela que o debate está em curso na Alemanha.

As sirenes de alerta ouvem-se na capital da Ucrânia desde as 05 horas da manhã (menos três horas em Lisboa).

O Presidente da Rússia ordenou uma ofensiva militar para na região do Donbass, para alegadamente "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho, adianta a agência russa TASS, mas a ofensiva foi afinal mais vasta.

O Presidente da Ucrânia, que é curiosamente judeu, declarou a Lei Marcial após o início da ofensiva militar russa no país.

Volodymyr Zelensky revelou ter falado de pronto com o homólogo dos Estados Unidos, a quem garantiu não ter havido qualquer provocação a justificar esta ofensiva.

A União Europeia anunciou o agravamento do pacote de sanções já anunciado devido ao reconhecimento unilateral da independência das regiões separatistas na Ucrânia. Agora, para penalizar "a ação militar não provocada e injustificada" da Rússia.

O embaixador ucraniano na Turquia pediu ao governo de Recep Tayyp Erdogan para restringir a passagem de navios de guerra russos pelo estreito do Bósforo e Dardanelos, noticiou o jornal turco Yeni Safak. O presidente turco apela à Rússia para retomar a via da negociação.

Os serviços fronteiriços ucranianos acrescentam a alegada participação de soldados bielorrussos na invasão russa.

Alexander Lukashenko nega a participação de soldados bielorrusos na ofensiva da Rússia em curso na Ucrânia, adianta a agência BelTA.

O presidente da Bielorrússia, confesso aliado da Rússia e membro do CSTO, disse ainda ser necessário que a Ucrânia encontre formas de "evitar derramamento de sangue e um massacre", esperando que a situação não se torne "numa guerra de grande escala".

A ofensiva russa integra artilharia e equipamento pesada, apoiados por armas ligeiras, acrescenta o mesmo serviço ucraniano.

O líder da república separatista de Donetsk, Denis Pushilin, que tinha pedido apoio à Rússia para uma ofensiva de conquista de território à Ucrânia, anunciou que o quartel-general das forças armadas da Ucrânia no Donbass está "praticamente destruído".

Ao contrário do que anunciou Vladimir Putin, a ofensiva não se cingiu ao Donbass, mas sim a toda a linha fronteiriça ucraniana com a Rússia e a Bielorrússia.

"Estas operações estão a acontecer dentro das regiões de Lugansk, Sumy, Kharkiv, Chernihov e Zhitomir. um ataque estará já também em curso a partir dos territórios temporariamente ocupados da República Autónoma da Crimeia", afirmou a Guarda Fronteiriça Ucraniana.

Há relatos de explosões em Mariopol, Odessa e Kharkiv. Em Kiev também já se ouve o som de explosões. As forças armadas russas afirmam ter destruída os sistemas de defesa aérea e que neutralizou as bases aéreas da Ucrânia, numa tentativa de cortar a defesa militar e o acesso ao Mar Negro.

O Estado Maior das Forças Armadas ucranianas revelou estarem curso ataques contra os aeródromos de várias cidades desde as cinco horas da manhã (menos três horas em Lisboa), mas que "as forças de defesa estão em total alerta e a manter as posições defensivas". "A situação está sob controlo", garantia o EMFAU.

O Serviço de Emergência da Ucrânia anunciou a explosão de uma torre de televisão na cidade Lutsk, no ocidente do país, já perto da fronteira com a Polónia, um estado membro da NATO.

As operações em 12 aeroportos no sul da Rússia foram suspensas temporariamente, informou a Agência Federal Russa dos Transportes Aéreos. Uma medida justificada pelo organismo com "a complicada situação em torno da Ucrânia".

Do outro lado, a Ucrânia fechou o espaço aéreo "devido ao alto risco para a segurança da aviação civil", informou o regulador aéreo ucraniano, e o sistema energético mantém-se operacional.

"O sistema de energia ucraniano está desligado dos sistemas da Rússia e da Bielorrússia. Todas as instalações da rede operam sob segurança reforçada", informou a Ukrenergo, a empresa de energia da Ucrânia.

O último relatório da equipa de observadores da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa, difundido esta quarta-feira, dá conta do bloqueio imposto por homens armados afetos às repúblicas separatistas, apoiados por soldados com uniformes russos, de que pudessem realizar as missões de observação em áreas da zona reclamada pelos rebeldes.

Reação internacional

China mantém-se neutra e, numa conferência de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros desta manhã, a porta-voz, Hua Chunying, limitou-se a dizer que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia se trata de uma situação com "um historial complexo".

"A China está a acompanhar de perto as últimas atualizações na Ucrânia e pede a todas as partes para se conterem e evitem que a situação se descontrole", afirmou Hua Chunying.

A embaixada chinesa na Ucrânia está a aconselhar os respetivos cidadãos e empresas no território, através da rede social WeChat, a procurarem abrigo, longe de janelas de vidro e a manterem o contacto com associações chinesas e os representantes da China no país.

Portugal não deverá sofrer impacto em termos energéticos, um dos maiores receios do norte da Europa, mais dependente do gás e do petróleo russo. "Mais de metade do consumo energético no país provém de energias renováveis", esclareceu o ministro dos Negócios Estrangeiros, em declarações à SIC.

Augusto Santos Silva sublinhou, no entanto, a solidariedade e a lealdade de Portugal com os parceiros europeus, mantendo-se firme na resposta da União Europeia e da NATO à ofensiva da Rússia, apelando aos cidadãos portugueses na Ucrânia para se manterem atentos às recomendações das autoridades locais.

Embaixada de Portugal na Ucrânia aconselhou os cidadãos nacionais no território ucraniano a abandonarem o país, utilizando preferencialmente as fronteiras terrestres com a Polónia e a Roménia, países da União Europeia.

A União Europeia anunciou o agravamento das sanções decididas esta semana contra interesses russos, num primeiro momento devido ao reconhecimento unilateral da independência de regiões separatistas em território da Ucrânia.

"A Presidente Von der Leyen e o Alto Representante Josep Borrell vão delinear um novo pacote de sanções a ser finalizado pela Comissão Europeia e pelo Serviço de Ação Externa Europeia, em coordenação próxima com os parceiros. O Conselho irá implementá-las rapidamente", lê-se num recente comunicado da Comissão Europeia.

A Presidente Von der Leyen vai liderar uma reunião extraordinária do colégio da Comissão Europeia esta manhã pelas 09h30 (menos uma hora em Lisboa) para preparar o Conselho Europeu desta quinta-feira.

Pouco depois, às 10h (09h em Lisboa), decorre na residência oficial do primeiro-ministro português uma "reunião com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o ministro da Defesa Nacional e o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA)", anunciou o gabinete de António Costa.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas estava reunido em Nova Iorque quando a ordem foi dada. António Guterres apelou de imediato à cessação de todas as hostilidades.

A manobra de Putin foi condenada pela NATO e pelos Estados Unidos. O Presidente Joe Biden condenou o ataque à ucrânia, que descreveu como "não provocado e injustificado", e disse que o mundo vai "responsabilizar a Rússia".

Putin acusa os Estados Unidos e os seus aliados de ignorarem a exigência russa para impedir a Ucrânia de aderir à NATO e a Ucrânia de não reconhecer a anexação russa da Crimeia e de não desmilitarizar nas regiões separatistas.

A ordem de avançar

Sem declarar formalmente guerra, o presidente russo deu ordem às tropas para atravessar a fronteira e darem a ajuda militar solicitada pelas regiões rebeldes ucranianas que o Kremlin reconheceu unilateralmente na segunda-feira como independentes.

Numa declaração transmitida na televisão, Vladimir Putin justificou a manobra com a alegada necessidade de proteger os cidadãos nas autoproclamadas Repúblicas de Lugansk e Donetsk, "que têm vindo a sofrer de abusos e genocídio por parte do regime de Kiev nos últimos oito anos".

Putin manifestou ainda que não vai autorizar que o país vizinho possa vir a ter armas nucleares, citando supostas afirmações de alegadas forças extremistas ucranianas de que já estarão na posse de armamento nuclear.

O líder russo acusa a NATO de estar a apoiar grupos nacionalistas radicais e neonazis ucranianos para atingir o que denuncia como os interesses da aliança atlântica.

O que é a CSTO?

A Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO, na sigla anglófona) é uma aliança de seis antigas repúblicas soviéticas (Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia e Tajisquistão) fundada em fevereiro de 1992 como Forças Armadas Unidas e rebatizada escassos meses depois para Tratado de Segurança Coletiva e tornada, finalmente, CSTO em 2002.

O Usbequistão fez parte dos fundadores e em 1993 juntaram-se também o Azerbaijão e a Geórgia, mas este trio abdicou da aliança em 1999.

A aliança é similar à NATO, tem uma base militar e de cooperação entre os estados. A sede está localizada em Moscovo, na Rússia, e anualmente são realizados exercícios envolvendo militares dos aliados.

A atual intervenção no Cazaquistão é a primeira operação num cenário de conflito real para as chamadas Forças de Paz da CSTO. A Semana com EN

(Em atualização)

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