INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Guerra na Ucrânia, dia 4: Putin mete alerta forças nucleares e Zelensky admite encontro 27 Fevereiro 2022

Quarto dia da invasão russa na Ucrânia, ordenada por Vladimir Putin. O cerco a Kiev intensificou-se na madrugada deste domingo e os combates entraram no centro de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, situada no nordeste do país e ainda sob controlo ucraniano.

Guerra na Ucrânia, dia 4: Putin mete alerta forças nucleares e Zelensky admite encontro

Vladimir Putinordenou o Ministério da Defesa e o Chefe do Estado-Maior para colocar "as forças de dissuasão em modo de alerta para combate" após o agravamento da pressão internacional sobre a invasão russa em curso na Ucrânia.

Os meios de comunicação ocidentais estão a interpretar as palavras do presidente russo considerando as referidas "forças de dissuasão" como sendo as armas nucleares da federação.

A Bielorrússia mostra-se disponível para receber armas nucleares se os países vizinhos, Polónia e Lituânia, ambos membros da NATO, também as tiverem. A "Rússia está a ser empurrada para uma terceira guerra mundial", afirmou o líder bielorrusso, Aleksander Lukashenko, que falou esta manhã com o fomólogo Zelenskyy e terá acordado, sob certas condições, um encontro entre delegações ucranianas e russas na fronteira.

A Rússia exigiu ainda à Alphabet, detentora da multiplataforma Google, o restabelecimento do acesso aos canais oficiais de Youtube no território ucraniano. A agência federal Roskomnadzor exige a retirada das restrições impostas aos canais russófonos RBC, TV Zvezda e Sputnik, avançou a Reuters.

A exigência russa surge depois de na sexta-feira o Kremlin ter ordenado a limitação do acesso às plataformas da Meta, a empresa mãe da Facebook, por alegada "censura" aos meios de comunicação russos.

A Agência Federal dos Transportes Aéreos, a Rosaviatsia, está a pedir às transportadoras russas para respeitarem os direitos dos passageiros nos voos internos e também para os voos previstos para o enclave de Kalinegrado, entre a Polónia e a Lituânia.

O Presidente da Ucrânia submeteu uma queixa contra a Rússia ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, e pede uma decisão urgente.

"A Rússia tem de ser responsabilizada por manipular a noção de genocídio para justificar a agressão. Pedimos uma decisão urgente, ordenando a Rússia a parar a atividade militar já e aguardar julgamentos a partir da próxima semana", escreveu Volodymyr Zelenskyy nas redes sociais.

A Ucrânia está a tentar organizar uma espécie de "legião estrangeira" de cidadãos não ucranianos amigos do país para combater contra a invasão russa.

"Todos os estrangeiros que desejem juntar-se à resistência contra os ocupantes russos e proteger a segurança mundial são convidados pelas autoridades ucranianos a juntar-se às forças de defesa", anunciou o Presidente Zelenskyy, numa das várias mensagens difundidas este domingo.

Ajuda internacional à Ucrânia

Portugal e Roménia, dois membros da União Europeia e da NATO, anunciaram o envio para a Ucrânia de equipamentos militares, incluindo "óculos de visão noturna e munições de diferentes calibres", por parte dos portugueses, combustível e coletes à prova de bala", pelos romenos.

Itália, França, Suécia, Países Baixos e Noruega somam-se à crescente lista de países onde o espaço aéreo foi fechado a companhias russas. Serão já 15 os países que fecharam o espaço aéreo à aviação russa.

O governo italiano anunciou ainda "o pagamento imediato de 110 milhões de euros ao Governo ucraniano", num "sinal concreto de solidariedade e apoio a um povo" com quem os italianos têm "uma relação fraterna", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros Luigi di Maio nas redes sociais.

O Papa Francisco aproveitou a missa deste domingo para manifestar apoio ao povo ucraniano. "Deus está com quem promove a Paz, não com quem recorre à violência", defendeu o líder da igreja católica, no Vaticano, dando força ao apelo urgente de ajuda humanitária aos deslocados pela invasão russa e condenando aqueles que "confiam na diabólica e perversa lógica das armas".

Na Alemanha, o chanceler mostrou solidariedade com o povo da Ucrânia e considerou a ofensiva russa como "criminosa".

Scholz diz que nunca houve tanta união como agora e que a ideia de Putin recuperar o império russo tem de reger as ações futuras dos aliados, justificando desta forma a constituição de um fundo extraordinário para financiar as forças armadas alemãs.

A partir do próximo orçamento federal, o governo alemão vai passar a contribuir com 2% do PIB para a Defesa.

Neste esforço de modernização militar, o chanceler disse que queria "construir novas armas com parceiros como a França", um dos principais promotores da criação de um exército europeu para defesa dos "27".

Olaf Scholz falou do envio de armamento para ajudar a resistência da Ucrânia, sublinha "o isolamento de Putin" no palco internacional e defendeu que as "sanções resultam".

Explicou a mudança de posição em relação à exclusão de bancos russos do sistema SWIFT, que agora a Alemanha apoia e que foi anunciada pela Presidente da Comissão Europeia na noite de sábado.

O chanceler separa o líder do Kremlin dos russos e lembra amizade histórica entre ambos os povos, russo e alemão, sendo muito aplaudido pelos deputados alemães, num Parlamento com muita gente a envergar vestuário nas cores da bandeira da Ucrânia.

O Japão também se juntou à exclusão europeia e americana de sete bancos da Rússia no sistema bancrio SWIFT, que permite pagamentos internacionais e estando bloqueado afeta as exportações e importações do país afetado.

Resistência firme em Kiev

O Presidente Volodymyr Zelenskyy mantém-se na capital, a difundir mensagens regulares pelas redes sociais para tentar mitigar o impacto da desinformação, uma das armas que tem sido utilizada pelo Kremlin para tentar acelerar o derrube do atual governo ucraniano.

A Rússia noticiou esta manhã a eventual abertura do líder ucraniano para negociar, mas Zelenskyy desmentiu a informação avançada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que apontava Minsk como o local acordado para as negociações.

O presidente ucraniano admite negociar, mas num primeiro momento apenas noutro país não envolvido na "agressão" à Ucrânia.

Entretanto, como revelou pelo Facebook, Zelenskyy admitiu em conversa com o homólogo bielorrusso Lukashenko um encontro entre delegações ucranianas e russas na zona fronteiriça do rio Pripyat, mas "sem condições prévias", como exige o Kremlin.

"Lukashenko assumiu a responsabilidade de durante o encontro os aviões, helicópteros e mísseis colocados na Bielorrússia se mantenham no solo", acrescentou o Presidente da Ucrânia.

Zelensky apelou inclusive aos cidadãos estrangeiros na Ucrânia a pegar nas armas e a juntarem-se à resistência contra a invasão russa. Pelo menos um português, Alexandre Pinto, atualmente em Poltava, já confessou à Rússia que ir pegar em armas e juntar-se ao que chamou de "tropas civis" ucranianas.

O Presidente ucraniano acusa a Rússia de estar a bombardear áreas residenciais, nomeadamente em Kiev, e prometeu manter a luta "tanto quanto possível para libertar o país".

"A noite passada foi brutal na Ucrânia. De novo, houve tiroteios, bombardeamentos de áreas residenciais e infraestruturas civis. Hoje, não existe nada no país que os agressores não considerem como um alvo. Combatem contra todos. Combatem contra tudo que mexe, contra infantários, contra edifícios residenciais e até contra ambulâncias", denunciou Zelenskyy.

Em Moscovo, há russos a prestar tributo este domingo de manhã a Boris Nemtsov, um conhecido opositor de Vladimir Putin que foi assassinado a 27 de fevereiro de 2015 numa ponte perto do Kremlin.

"Boris estaria em choque com esta guerra. Sentimos muita a falta dele", afirmou Tatyana Golika, citada pelo jornal Guardian,uma das pessoas que depositou flores no local onde foi assassinado Nemtsov.

O balanço de vítimas e deslocados

A Agência da ONU para os Refugiados estima haver já mais de 368 mil deslocados devido à invasão russa na Ucrânia e esse número continua a aumentar, sublinha o organismo, citando as autoridades nacionais implicadas no êxodo.

O porta-voz da agência, Chris Melzer, está a enviar relatos da fronteira polaca e, na noite de sábado, adiantava haver uma espera de 40 horas na fuga à guerra, numa noite com temperaturas de menos dois graus centígrados, estimando terem entrado na Polónia entre as 07h da manhã locais e as 22 horas mais de 45 mil deslocados oriundos da Ucrânia.

A ministra adjunta da Defesa da Ucrânia, Hanna Malyar, afirmou este domingo que a Rússia já ter perdido cerca de 4.300 soldados nesta invasão da Ucrânia, mais de 140 tanques, 27 aviões e 26 helicópteros. Um balanço que requer ainda confirmação imparcial. A Semana coom EuroNews; AP Photo/Andriy Andriyenko

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project