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Guerra na Ucrânia, dia 5: Dezenas de civis mortos e centenas de feridos em Kharliv 28 Fevereiro 2022

A invasão da Ucrânia está no quinto dia após a ordem de Vladimir Putin. A comunidade internacional uniu-se durante o fim de semana, como nunca antes, e largou uma "bomba de sanções" sobre a economia russa.

Guerra na Ucrânia, dia 5: Dezenas de civis mortos e centenas de feridos em Kharliv

Enquanto decorrem na Bielorrússia as conversações para tentar travar a invasão russa na Ucrânia, a ofensiva das forças fiéis a Vladmir Putin prossegue em diversas frentes e o ministro do Interior ucraniano fala em "dezenas de civis mortos e centenas feridos depois de um maciço bombardeamento com mísseis GRAD em Khakiv".

A informação está a ser avançada pelo jornal "Kyiv Post", citando o jornalista Christo Grozev.

As conversações entre as delegações do governo da Ucrânia e do Kremlin estão a em curso.

O "Kyiv Post" publicou uma fotografia da mesa com ambas as delegações frente a frente.

De acordo com a agência bielorrussa BelTA, as conversações estão a decorrer no lado bielorrusso da fronteira, na região de Gomel, não muito longe da antiga central nuclear ucraniana de Chernobyl.

A delegação ucraniana é liderada pelo ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, e a russa pelo conselheiro do Kremli, Vladimir Medinski.

"Podem sentir-se inteiramente em segurança", garantiu Vladimir Makei, o chefe da diplomacia bielorrussa, que recebeu ambas as delegações.

Lituânia reforça queixa ucraniana contra a Rússia no Tribunal Penal Internacional e pede a investigação de "crimes de guerra e crimes contra a Humanidade na Ucrânia."

"Há novo material a chegar-nos todos os dias, mas já temos o suficiente para submeter o pedido", afirmou a primeira-ministra Ingrida Simonyte, durante uma videoconferência do respetivo governo.

Grupo de piratas informáticos "Anonymous", que decretou "guerra cibernética" à Rússia, está a pedir tradutores de ucraniano depois de ter tido alegadamente acesso a uma enorme quantidade de documentos da agência nuclear russa.

A agência de notícias estatal russa, a TASS, parece estar a ser vítima de ataques cibernéticos e está a dar mensagem de erro quando se tenta aceder a ambas as versões em que é difundida, russo e o inglês.

O clube de futebol alemão Schalke 04 anunciou ter rompido unilateralmente o contrato de patrocínio com a Gazprom, a companhia estatal russa de gás, e ainda um dos principais patronos, por exemplo, da UEFA e da Liga dos Campeões.

Volodymyr Zelenskyy reitera o pedido de a Ucrânia ser aceite na União Europeia. "Dirigimo-nos à UE, em relação à integração da Ucrânia sem mais demora através de um novo processo especial", sugeriu o Presidente ucraniano numa recente mensagem de vídeo.

O deputado ucraniano Kira Rudik pegou em armas e juntou-se às tropas civis para ajudar no terreno a resistência contra a invasão das forças fiéis a Vladimir Putin.

A pressão aumenta sobre o Kremlin, que aceitou retirar as exigências iniciais para entrar em negociações com o Governo de Kiev, que rejeita ceder um centímetro do território.

O Kremlin recusou revelar "as posições" que vai defender na reunião com a delegação ucraniana. "As negociações devem decorrer em silêncio", afirmou o porta-voz russo Dmitri Peskov.

O executivo liderado por Volodymyr Zelenskyy sublinha que o único objetivo desta reunião é acordar um cessar fogo e a retirada da Ucrânia das forças fiéis a Putin.

O Presidente ucraniano emitiu uma nova mensagem, esta destinada aos soldados russos, a quem apelou ao fim da lealdade a Vladimir Putin: "Deponham as armas, partam. Não acreditem nos vossos comandantes nem nos propagandistas. Salvem-se, simplesmente."

O Presidente de França participa hoje numa videoconferência com os líderes dos Estados Unidos, do Canadá, da Alemanha, de Itália, do Japão, da Polónia e da Roménia, e com outros representantes da União Europeia e da NATO, para coordenar os passos seguintes dos aliados na respetiva defesa e no apoio possível à resistência ucraniana contra a invasão russa.

Emmanuel Macron recebe de seguida, no Eliseu, o chanceler alemão, Olaf Scholz, e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Chefe da diplomacia da UE lidera reunião dos ministros da Defesa dos "27" para debater os últimos acontecimentos na Ucrânia, em relação ao "assalto no provocado por parte da Rússia."

"Vamos discutir as necessidades urgentes e coordenar a nossa assistência, com a ajuda da câmara especial gerida pela equipa militar da UE", afirmou Josep Borrell, pelas redes sociais.

Invasão russa em várias frentes

A ofensiva acalmou esta madrugada em Kiev, mas parece ter-se intensificado em Kharkiv e no sul da Ucrânia.

As ruas da capital encontravam-se desertas e tranquilas esta segunda-feira de manhã, pouco depois de ter terminado o recolher obrigatório imposto a partir de sábado à tarde e após uma noite com menos atividade das forças invasoras

Na cidade portuária de Mariupol, ponto estratégico terrestre entre a fronteira da Rússia e a península anexada da Crimeia, os bombardeamentos atingiram zonas residenciais e deixaram gravemente feridas inclusive crianças.

As imagens difundidas pelas agências internacionais mostram crianças a receber cuidados intensivos de reanimação após terem sido feridas em bombardeamentos sobre zonas residenciais de Mariupol.

O Ministério da Defesa ucraniano alegou esta manhã ter abatido 29 aviões, 29 helicópteros, 191 tanques e 816 veículos blindados. Acrescenta a captura de 74 armas, um sistema de mísseis anti-aéreos BUK, 21 sistemas Grad multlançadores de roquetes , 291 veículos, duas embarcações.

A mesma fonte adianta a morte de cerca de 5.300 soldados russos, mas este ´€ um balanço que carece de verificação imparcial.

Os deslocados pela guerra

A tragédia humanitária provocada pela invasão russa da Ucrânia agrava-se. Além dos mais de 350 civis ucranianos e mais de três mil soldados russos mortos nesta guerra, anunciados por Kiev, haverá já mais de 500 mil deslocados pela guerra, avança o Alto Responsável da ONU para os Refugiados.

Os deslocados estão a procurar abrigo em países da União Europeia vizinhos da Ucrânia, sobretudo na Polónia e Roménia, também membros da NATO, para onde, por exemplo, Portugal recomenda que os respetivos cidadãos se dirijam.

As Nações Unidas atualizaram esta segunda-feira de manhã as vítimas civis desta invasão russa da Ucrânia para 192 mortos, incluindo sete crianças, e 304 feridos, mas o balanço real será "muito consideravelmente mais elevado", alerta Michelle Bachelet, a Alta Comissária para os Refugiados.

O número de pessoas em fuga continua a aumentar e a Comissão Europeia receia a maior crise humanitária em território europeu desde a II Guerra Mundial com mais de sete milhões de deslocados pela guerra só dentro da Ucrânia.

"As necessidades estão a aumentar rapidamente", alertou no domingo Janez Lenarcic, o Comissário Europeu para a Gesto de Crises e Ajuda Humanitária.

A "bomba de sanções" sobre a Rússia

Diversos países europeus acordaram enviar armas e financiar a compra de mais equipamento de defesa para as forças armadas ucranianas, incluindo pela primeira vez a União Europeia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia reiterou o pedido internacional para parar todos os negócios com a Rússia.

"Fazer negócios com a Rússia, hoje, significa financiar a agressão, crimes de guerra, desinformação, ciberataques e sobretudo o Hitler do século XXI que se chama Vladimir Putin", escreveu Dmytro Kubela, nas redes sociais.

A Lituânia deu autorização aos respetivos cidadãos para poderem viajar para a Ucrânia e entrarem na luta contra a invasão russa.

O Japão anunciou a imposição de sanções contra o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, e o banco central da Rússia.

A União Europeia fechou o espaço aéreo aos aviões com quaisquer ligações à Rússia, excluiu diversos bancos russos do sistema internacional SWIFT e aprovou pela primeira vez o financiamento da compra de armas para um país sob ataque.

Putin respondeu com a colocação em alerta máximo das apelidadas forças de dissuasão, que se presume incluírem as mais de seis mil ogivas nucleares existentes no país.

Por outro lado, o Kremlin alertou para o perigo de se fornecer armas à Ucrânia.

A moeda russa, o rublo, desvalorizava cerca de 30% ao início desta segunda-feira face ao dólar americano depois das sanções económicas, que incluem também os Estados Unidos, o Japão, o Canadá, o Reino Unido e outros países externos à União Europeia.

"Juntos, mais fortes", resumiu Zelenskyy, na publicação onde deu conta de ter falado este domingo com o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Banco Central Europeu anunciou esta segunda-feira que o Sberbank Europe, que integra o grupo bancrio homónimo da Rússia, e duas outras subsidiárias "estão falidas ou na iminência de falir".

O Banco Central da Rússia tenta mitigar o colapso económico e subiu as taxas de juro de 9,5% para 20%, para tentar compensar a desvalorização do rublo.

Em Moscovo e noutras cidades russas a contestação à invasão russa da Ucrânia sobe de tom. O Kremlin tem ordenado a opressão dos principais instigadores dos protestos, provocando a detenção de mais de quatro mil pessoas que se opõe à invasão da Ucrânia.

Na Bielorrússia, foram detidas cerca de 800 pessoas devido a protestos ocorridos após o governo de Alexander Lukashenko ter abdicado do estatuto de país não-nuclear e admitido acolher armas nucleares russas no país.

A autorização para a Bielorrússia poder receber armamento nuclear passou no Parlamento com 65% dos votos, de acordo com dados oficiais.

O Kremlin proibiu ainda o uso das palavras "invasão", "ofensiva" e "guerra". Os meios de comunicação têm de se referir ao que está a acontecer na Ucrânia como uma "operação especial".

Diversas plataformas de Internet estão a tentar filtrar a desinformação russa e algumas, como o Youtube, já bloquearam mesmo os meios de comunicação afetos à Rússia em território ucraniano. EN c/AP, AFP, Lusa, Guardian, Tass

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