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Guerra religiosa: Rússia-Ucrânia e Cisma da Igreja Ortodoxa 25 Abril 2022

Este domingo de Páscoa Ortodoxa, o presidente Zelensky entrou na Catedral de Santa Sofia para dirigir uma "mensagem de esperança" que enfaticamente incentiva "a lutar contra o invasor". Esta guerra é também religiosa, a confirmar a dualidade de posições expressas no dia 24-2 pelo patriarca Bartolomeu I — que disse estar "chocado" e condenou veemente “a invasão russa" — e pelo patriarca Cirilo, que fez um apelo pela "paz entre os povos russo e ucraniano" justificada pela "história comum de séculos que remonta ao batismo da Rússia” — num alinhamento à justificativa dada por Putin para a invasão.

Guerra religiosa: Rússia-Ucrânia e Cisma da Igreja Ortodoxa

O novo Cisma da Igreja Ortodoxa — com a Igreja Ortodoxa da Rússia a formalizar o rompimento com a Igreja Ortodoxa de Constantinopla — foi causado pelo reconhecimento da independência da Igreja da Ucrânia a 15 de dezembro de 2018, em ato solene em que participou o presidente ucraniano Petro Poroshenko.

O próximo passo será dado no Sínodo da Igreja Ortodoxa marcado para março próximo, que deve vir a marcar o Cisma (separação) face à Igreja Ortodoxa sediada em Constantinopla, Turquia, que reconheceu a independência da Igreja Ucraniana, após 332 anos de tutela russa. O segundo Cisma está perto, dez séculos depois do Cisma que separou Católicos e Ortodoxos no ano de 1054.

O concílio de eclesiásticos ortodoxos ucranianos que oficializou a proclamação da independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana, este sábado, tem por base um édito do patriarca Bartolomeu, da Igreja Ortodoxa sediada em Constantinopla, o nome religioso de Istanbul, que é centro económico, histórico-cultural, e mais populosa que a capital turca, Ancara.

A Rússia tinha já exigido em outubro que o patriarca de Constantinopla — reconhecida como “o coração”, a principal sede, da Igreja Ortodoxa, por razões históricas — se demarcasse da anunciada independência da Igreja da Ucrânia.

Em vão: o patriarca Bartolomeu, tido como o ’primus inter pares’ (o primeiro da Igreja Ortodoxa) reconheceu a 11 de outubro de 2018 que a Igreja da Ucrânia tinha o direito de escolher o seu patriarca. Isto acirrou ainda mais a divisão com a Igreja Ortodoxa sediada em Moscovo, aprofundada desde a invasão da Crimeia em 2014 —que a Igreja Ortodoxa de Constantinopla condenou.

Em Constantinopla, o líder da Igreja Ortodoxa fez mais: revogou o decreto de 1686 que impôs a tutela russa, abrindo caminho para a proclamação da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, dois meses depois, numa solenidade que o presidente ucraniano Petro Poroshenko saudou como ’um dia histórico’.

O patriarca Bartolomeu, nascido Dimitrios Arkhontonis há 81 anos na ilha turca de Imbros, lidera o patriarcado ecuménico de Constantinopla desde 1991 e tem na ecologia o tema central da sua ação. O primeiro entre os seus iguais (’primus inter pares’) impôs-se a missão de reforçar a união não só entre as Igrejas Ortodoxas mas também com as outras religiões, bem como, conciliar essa já difícil missão com o também difícil diálogo com o governo turco.

A guerra religiosa em curso entre Ortodoxos evidencia o paradoxo...

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Fontes: DW.de/Le Monde/Fontes históricas. Relacionado: Rússia vs. Turquia no iminente novo Cisma da Igreja Ortodoxa — Reconhecida independência da Igreja da Ucrânia, 18.dez.018. Fotos: O presidente Zelensky na catedral de Kiev este domingo de Páscoa Ortodoxa, 2º mês da invasão russa. Em 2017, evidenciava-se a proximidade entre o presidente russo e o Patriarca Kirill/Cirilo: Putin apresentou-se no encontro entre os representantes das delegações das Igrejas Ortodoxas tuteladas pelo Patriarca de Moscovo, suscitando muita discussão sobre a estratégia do novo tzar, que alia política e religião.

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