"Contrariamente a notícias falsas de pessoas que estão deslocadas do palco dos acontecimentos, a província de Cabo Delgado não está fechada aos jornalistas", disse Filipe Nyusi.
Segundo a Lusa, o Presidente referiu-se à situação em Cabo Delgado, palco de ações de grupos armados, quando falava durante o lançamento da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), entidade estatal criada para a promoção do desenvolvimento da região.
De acordo com a mesma fonte, o chefe de Estado moçambicano alertou, contudo, que a movimentação na província de Cabo Delgado está sujeita aos condicionalismos típicos de uma zona de guerra.
"É zona de guerra e é imprevisível", alertou Filipe Nyusi.
Várias organizações nacionais e internacionais acusam as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas e os grupos armados que atuam na região de tornar impossível o trabalho dos jornalistas e de investigadores independentes no contexto da violência armada em curso na província de Cabo Delgado há cerca de três anos, escreve Lusa.
Ibrahimo Abu Mbaruco, avança a fonte, jornalista de uma rádio comunitária do distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, está desaparecido há quatro meses e não se conhecem desenvolvimentos em relação a uma investigação ao caso anunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
No início de 2019, os jornalistas Amade Camal e Germano Adriano foram mantidos em cativeiro num quartel militar, tendo sido libertados após pressões internas e internacionais.
Ambos são alvo de processos-crime, cujo desfecho ainda não aconteceu.
Lusa explica que, ainda no ano passado, os jornalistas Anastácio Valoi e o ativista moçambicano da Amnistia Internacional (AI) David Matsinhe foram detidos em Cabo Delgado.
No início deste ano, o jornalista do canal privado STV, Izidine Achá, foi momentaneamente detido a exercer a atividade na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, refere a notícia avançada pela Lusa.
Em 2019, prossegue o CDD, um outro jornalista, Amade Abubacar, esteve privado de liberdade durante três meses, num quartel militar de Mueda, em Cabo Delgado.
A província de Cabo Delgado é alvo de ataques por grupos armados desde outubro de 2017, que já causaram a morte de, pelo menos, 1.059 pessoas em quase três anos, além da destruição de várias infraestruturas.
De acordo com as Nações Unidas, a violência armada levou à fuga de 250.000 pessoas de distritos afetados pela insegurança, mais a norte da província.
As Nações Unidas e várias entidades internacionais já classificaram os ataques como uma ameaça ‘jihadista’ e algumas das ações foram reivindicadas pelo Estado Islâmico.
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