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Guiné-Bissau: Comunicação Social pública em greve 17 Julho 2018

Trabalhadores dos órgãos públicos de Comunicação Social exigem melhores salários e melhores condições laborais. Emissões de rádio e televisão foram suspensas - desde esta segunda-feira, devendo prolongar-se até o próximo dia 18. Segundo os sindicatos, nem há serviços mínimos.

Guiné-Bissau: Comunicação Social pública em greve

Por causa da greve, a televisão pública da Guiné-Bissau (TGB) suspendeu a emissão. O jornal Nô Pintcha e a Agência Noticiosa da Guiné (ANG) pararam de escrever notícias, e a Radiodifusão Nacional (RDN) deixou de emitir.

Esta segunda-feira (16.07), na RDN, só estavam três funcionários e o diretor-geral, Abduramane Turé: "Esta é uma rádio que costuma trabalhar das 5h da manhã à meia-noite e hoje não pudemos sequer emitir os principais jornais e os programas habituais que os ouvintes gostam de acompanhar", afirmou Turé.

Os jornalistas e técnicos dos órgãos de Comunicação Social públicos estão em greve para reivindicar o cumprimento de alguns pontos do acordo a que chegaram com o Governo a 18 de setembro do ano passado. Pedem, por exemplo, a melhoria das condições salariais e dos equipamentos de trabalho.

Sindicatos: Com polícia, não há serviços mínimos

Julciano Baldé, porta-voz da comissão negocial dos sindicatos dos órgãos de Comunicação Social públicos, confirmou à DW África que a adesão à greve foi geral. Segundo Baldé, esta segunda-feira, não foram garantidos serviços mínimos porque o Governo colocou polícias no Centro Emissor do país, onde estão a rádio e a televisão nacionais, além de antenas de emissoras internacionais.

"Nós queríamos fazer serviços mínimos, mas dado o que assistimos no centro de emissoras em Nhacra, mudou tudo por completo", afirmou. "Segundo informações dos associados, o atual diretor colocou um grupo de polícias no centro a impedir que observassem a greve. Então, pedimos aos técnicos para abandonarem o local."

A DW África contactou o Governo guineense, mas o ministro da Comunicação Social manifestou-se indisponível para comentar o assunto. Os sindicatos dizem que o Governo ainda não os chamou para negociações.

Emissões internacionais também em risco?

A principal missão do atual Executivo é organizar as próximas eleições legislativas, marcadas para 18 de novembro, mas os governantes têm sido confrontados com uma onda de greves em vários setores: da função pública ao ensino público.

A greve dos órgãos públicos de Comunicação Social deverá prolongar-se até quarta-feira (18.07). Se a greve continuar e não forem garantidos serviços mínimos, as emissões de órgãos internacionais como a RFI, RDP e RTP África poderão deixar de ser captadas na Guiné-Bissau, porque o sinal destas emissoras parte do centro emissor de Nhacra.

O porta-voz da comissão negocial dos sindicatos, Julciano Baldé, sublinha que só serão garantidos serviços mínimos se as forças de segurança se retirarem do local. C/DW

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