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Guiné-Bissau: Debate entre candidatos aquece na reta final da disputa eleitoral 28 Dezembro 2019

Durante duas horas, os candidatos tiveram a oportunidade de expor as suas ideias na rádio e televisão-eleiçao é este domingo,29. Debate desta quinta-feira (26.12) foi um dos eventos políticos mais seguidos da história democrática da Guiné-Bissau.

Guiné-Bissau: Debate entre candidatos aquece na reta final da disputa eleitoral

Os dois candidatos na segunda volta das eleições presidenciais estiveram frente a frente, nesta quinta-feira (26.12), num debate público a 24 horas antes do encerramento da campanha eleitoral.

Foi um dos debates políticos mais seguidos da história democrática da Guiné-Bissau. Mais de uma dezena de rádios estiveram em cadeia e transmitiram o embate que aconteceu um dia antes do término do período de campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais, marcadas para 29 de dezembro.

Domingos Simões Pereira, do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, do Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15), protagonizaram um debate intenso. Durante duas horas, Sissoco Embaló e Simões Pereira abordaram assuntos de interesse público, mas o encontro teve momentos marcados por acusações e desmentidos.

Antagonismo natural

Durante a campanha eleitoral, as duas principais forças políticas do país confirmaram uma relação antagónica que talvez possa ser explicada pela génese do próprio MADEM G-15, um partido criado por dissidentes do PAIGC.

O debate confirmou a elevação de tom dos candidatos verificada na reta final de campanha eleitoral. Sissoco Embaló acusou Simões Pereira de atos de corrupção, suposto envolvimento com o tráfico de drogas e de querer dividir o país. O candidato do PAIGC negou as acusações e pediu para os guineenses avaliarem quem realmente empregava a “retórica da divisão”.

Os candidatos sugeriram no debate um tema que deverá ser aprofundado nos próximos anos : o sistema de Governo ideal para a Guiné-Bissau. Vigora no momento o semipresidencialismo, no qual o Presidente partilha o poder Executivo com um primeiro-ministro e um gabinete.

Para Simões Pereira, o sistema semipresidencialista tem “nível de democracia talvez mais avançado”, porque há três poderes a prestarem contas. O candidato do PAIGC considera que o sistema presidencialista “talvez seja mais simplificado, porque há vários ingredientes para que o sistema seja democrático”.

“Quando você tem uma taxa de analfabetismo e de pobreza tão acentuadas, a capacidade de os eleitores exercerem seus direitos democráticos de forma livre e transparente pode ser mais fácil de se corromper”, disse o candidato do PAIGC.

Sissoco Embaló defendeu que o problema não está no sistema de Governo, mas nas pessoas que gerem o modelo. “Disse a vários chefes de estado que o nosso sistema é um dos melhores, a questão são os homens. Funcionou em Cabo Verde, em Portugal e em São Tomé e Príncipe. Há choques institucionais, mas o nosso sistema, com o pendor parlamentar, não exclui o Presidente da República das suas prerrogativas constitucionais”, afirmou.

Forças Armadas e política externa

Domingos Simões Pereira defendeu a reforma as Forças Armadas, mas enfatizou que o Presidente da República deve colaborar para a dignificação dos militares.

A manutenção ou exoneração do atual chefe do Estado Maior, General Biaguê na Ntam, não foi comentada por nenhum dos candidatos. Umaro Sissoco Embaló destacou que, se for eleito, esse tema será abordado pelos órgãos competentes caso haja necessidade.

Sobre a política externa guineense, Sissoco Embaló defendeu a conlusão da carreira de diplomata, enquanto Domingos Simões Pereira disse que tem que se definir a política externa com base em grandes eixos e se criar competências nacionais para representar o país no exterior.

Duas visões diferentes

O analista político Luís Vaz Martins vê diferenças acentuadas entre os dois candidatos. Martins acredita que se trata de políticos que não têm a mesma plataforma.

“São totalmente diferentes, e ficou claro que não têm qualquer base para comparação, no sentido da compreensão do nosso sistema político e no sentido da própria dignificação perante seus pares, a sub-região e a nível internacional”, avalia Martins.

Apesar dos critérios previamente definidos pela organização do debate - no qual se tinha acordado que deveria decorrer em português - o candidato Sissoco Embaló optou por falar crioulo, a língua nacional do país. Já Simões Pereira respondia às questões em português, e replicava o seu adversário político em crioulo. Fonte: DW-África

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