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Guiné-Bissau: O impacto das alianças na segunda volta das eleições presidenciais 06 Dezembro 2019

Apesar do esforço dos partidos em fazer alianças, analistas advertem que transferência de votos não deve ser "automática", revela a DW-África.

Guiné-Bissau: O impacto das alianças na segunda volta das eleições presidenciais

O cenário político da Guiné-Bissau está a configurar-se para a disputa da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 29 de dezembro. Domingos Simões Pereira, o candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) enfrentará nas urnas Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15).

Enquanto se negoceiam alianças, os observadores ouvido pela DW-África estão céticos quanto a uma transferência automática de votos.

O analista político Suleimane Cassamá acredita que as alianças políticas que estão a ser desenhadas não terão o efeito desejado. Para ele, a ideia de transferência de votos não é automática. "Não se pode pensar que vamos apoiar o fulano e [ele] já terá os votos dirigidos. Isso não vai acontecer."

Segundo a mesma fonte, os grupos de jovens que estiveram com José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior na primeira volta anunciaram apoio a Simões Pereira. Por sua vez, Gomes Júnior e Nuno Nabiam - dois candidatos derrotados na primeira volta - anunciaram que estarão ao lado de Sissoco Embaló na reta final das presidenciais.

Debates no APU-PDGB

A aliança entre Nabiam e Sissoco Embaló está a tornar-se um capítulo à parte na disputa por aliados. A aproximação entre os dois políticos não terá sido bem aceite por muitos membros da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), partido de Nabiam.

Sobre este oarticular, a direção de Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau denunciou, no início da noite desta quinta-feira, 05 de dezembro de 2019, o acordo político assinado por seu líder e candidato derrotado na primeira volta das eleições presidenciais, Nuno Gomes Nabiam e Umaro Sissoco, no qual compromete-se apoiar este último na segunda volta prevista para dia 29 do mês em curso.

Segundo o jornal O Democrata, a denúncia do referido acordo político, assinado em Dacar (Senegal), entre Nabiam e Sissoco, foi tornado público através de um comunicado assinado por todos os cinco vice-presidentes e a direção do secretariado nacional daquela terceira maior formação política no hemeciclo guineense: Mama Saliu Lamba, Armando Mango, Joana Cobna Nhanca, Fatumata Djau Baldé e Batista Té, bem como por Secretário Nacional, Juliano Fernandes, no qual decidiram demarcar-se do referido acordo político, que Nabiam diz ter assinado em nome do seu partido.

Um integrante do APU-PDGB revelou à DW África que o apoio de Nabiam a qualquer um dos candidatos à segunda volta "deveria ter sido decidido pelos órgãos do partido".

Camaleão e traidor do partido de Cabral

Para o analista Cassamá, Nabiam não conseguiu convencer o seu próprio partido a apoiar a sua candidatura na primeira volta, então "dificilmente isso ocorrerá com uma candidatura diferente”.

O acordo que consolidou a aliança entre Nabiam e Embaló foi assinado no Senegal, na terça-feira (03.12). Nuno Nabiam é o líder do APU-PDGB, partido que representa a quarta força no Parlamento e integra o atual Governo do PAIGC.

Segundo outras fontes na Guiné Bissau, Nuno Nubiam está a ser considerado «um camaleão e falso politico sem caracter», porque assinou acordos com dois partidos, isto conforme a sua conveniência. «Por isso, a sua credibilidade ficou abalada e dificilmente vai recuperá-la. O pior é que já criou uma crise interna no seu partido, perdendo apoio de dirigentes e deputados de peso. Estes, segundo observadores atentos, podem, em piores das hipóteses, continuar como independentes no parlamento e apoiar o atual governo de Aristides Gomes até o final da legislatura.

Já o ex-presidente do PAIGC e PM da Guiné, Carlos Júnior, é qualificado de «traidor do partido de Cabral (PAIGC)», perdendo a confiança dos militantes. Para muitos, apesar do número inexpressivo de votos que arrecadou, devia, por coerência ideológica, ficar calado», comentam dirigentes do partido dos libertadores na Guiné e em Cabo Verde.

Discurso e mobilização

O analista político Bacar Camará opina, segundo ainda a DW-África, que o discurso e a capacidade de mobilização dos candidatos serão fatores determinantes para a vitória na segunda volta.

"A capacidade de gerar uma narrativa que crie expetativa e repudie aquilo que se introduziu na nossa democracia: uma ameaça de fragmentação social e da nossa convivência pacífica, que é o argumento étnico-religioso», sublinhou.

Na terça-feira, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) definiu por sorteio que o boletim de voto da segunda volta terá Simões Pereira na primeira posição e Sissoco Embaló na segunda. Este ficou, no entanto, em primeiro lugar no tempo de antena-Rádio-TV

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