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Guiné-Bissau: Padre denuncia ameaças após reagir a críticas do PR ao bispo de Bissau 09 Janeiro 2022

Augusto Tambá diz ter sido ameaçado de morte após carta aberta sobre as críticas de Sissoco Embaló ao bispo de Bissau. LGDH acusa o Presidente de estar por trás de todos os atos de intimidação contra a sociedade civil.

Guiné-Bissau: Padre denuncia ameaças após reagir a críticas do PR ao bispo de Bissau

O padre católico Augusto Mutna Tambá denuncia ameaças de morte na sequência da reação às declarações do Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, contra o bispo de Bissau, Dom José Lampra Cá. Em carta aberta divulgada nas redes sociais, Augusto Tambá, pároco da diocese de Buba, no sul da Guiné-Bissau, classificou as críticas do chefe de Estado como um "ataque desnecessário" ao bispo que, disse, "apenas está ao serviço da sua missão eclesiástica".

Agora, diz estar a ser alvo de ameaças através de mensagens e telefonemas. "A primeira mensagem que recebi é de um senhor que agora não quero revelar o nome, mas com calma e prudência a imagem já está no meu perfil do Facebook. Depois, alguém me ligou insultando e acusando com injúrias. A segunda pessoa disse-me ’sabes que podemos reduzir-te a pedaços por causa daquilo que escreveste’", conta à DW África.

O padre guineense não tem dúvidas: as ameaças são uma tentativa de silenciar vozes críticas à crise social e política que se vive na Guiné-Bissau. "Mas não é por causa de alguém que pode silenciar a minha voz, restringir a minha liberdade, que vou deixar de fazer reflexões como antes fazia", garante. "Assumo em pleno a carta aberta que fiz, ninguém me intimida por causa da minha opinião".

Para Augusto Tambá, as declarações do Presidente da República contra o bispo de Bissau são um atentado contra si e contra a religião. "Sobretudo a religião católica, porque o Presidente disse que não precisa dos bispos na política. É contraditório, porque tem um imã no Conselho de Estado", considera.

Sissoco Embaló é "o responsável moral e político"

O padre Augusto Mutna Tambá pondera abrir um processo para proteger a sua integridade física, caso as ameaças continuem. Um caso que não surpreende Bubacar Turé, vice-presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH): "Não sabemos as origens ou as motivações [das ameaças contra Augusto Tambá], mas não há dúvidas de que o tipo de discurso político do Presidente da República é um claro incentivo a ações de violência desta natureza", afirma, em entrevista à DW.

"Se há algum responsável moral e político é claramente o senhor Presidente da República. A forma como reagiu a uma declaração normal do bispo de Bissau é totalmente inaceitável num estado de direito democrático. É uma forma de condicionar, uma tentativa de chantagear, e tudo isso enquadra-se na estratégia do Presidente de instalar um regime autoritário, absolutista, que quer controlar a mente das pessoas", sublinha.

Bubacar Turé considera que "desde que acedeu ao Palácio da República", Sissoco Embaló "tem habituado os guineenses a contradições e discursos inadequados e que revelam a sua inabilidade para o exercício das mais altas funções que está a exercer".

"Filhos e enteados" religiosos?

"Ele não pode querer chantagear os atores sociais, numa altura em que tenta manipular algumas pessoas ligadas a certas confissões religiosas contra outras", acusa o vice-presidente da LGDH.

Turé concorda que, do lado do Presidente, há "filhos e enteados religiosos". "Tudo isso se insere na estratégia de condicionar o exercício das liberdades e chantagear as vozes discordantes. À luz da nossa Constituição, não há nada que impeça um bispo ou um padre ou um religioso de exercer a atividade política", lembra.

Ainda assim, o representante da LGDH não acredita num conflito inter-religioso iminente, "não obstante o Presidente insistir sistematicamente em manipular alguns setores da comunidade muçulmana contra a igreja católica".

Bubacar Turé afirma que "esta é a segunda vez em que Sissoco Embaló tenta manipular algumas correntes, organizações representativas da comunidade islâmica, a reagir contra a igreja católica" e defende que "a sociedade guineense deve unir-se e tentar travar estas manobras que são muito perigosas e que tendem a criar caos". A Semana com DWÁfrica

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