LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Guiné-Bissau: Personalidades guineenses sancionadas exortam CEDEAO a anular medidas 19 Fevereiro 2018

Os líderes políticos guineenses alvos de sanções por parte da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) exortaram hoje a organização a anular as medidas que consideram injustas e atentatórias à unidade e soberania da Guiné-Bissau.

Guiné-Bissau: Personalidades guineenses sancionadas exortam CEDEAO a anular medidas

Os líderes políticos guineenses alvos de sanções por parte da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) exortaram hoje a organização a anular as medidas que consideram injustas e atentatórias à unidade e soberania da Guiné-Bissau.

Segundo um despacho da Lusa, em comício diante da sede da CEDEAO em Bissau, perante centenas de agentes da policia, vários elementos dos 19 dirigentes sancionados exigiram a anulação das medidas que dizem terem sido "encomendadas pelos fascistas" nomeadamente, Domingos Simões Pereira e Cipriano Cassamá.

Simões Pereira é o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e Cassamá é o vice-presidente desta formação política e ainda líder do parlamento do país.

Segundo Braima Camará, coordenador do grupo de 15 deputados expulsos do PAIGC, seriam Domingos Simões Pereira e Cipriano Cassamá os autores das sanções, com a finalidade de "entregar as riquezas" da Guiné-Bissau aos interesses estrangeiros.

Essa pretensão, prossegue o despacho da Lusa, nunca irá vincar assim como o Acordo de Conacri não será respeitado, disse.

Para Braima Camará, o Acordo de Conacri, instrumento proposto pela CEDEAO para saída da crise na Guiné-Bissau, "morreu" com a realização do congresso do PAIGC, pelo que, notou, o dirigente daquele partido Augusto Olivais "nunca será nomeado primeiro-ministro".

Para o PAIGC e outras três formações políticas no parlamento, Augusto Olivais seria a figura de consenso indicada no âmbito do Acordo de Conacri para ser primeiro-ministro e desta forma tirar a Guiné-Bissau do impasse que já dura há três anos.

A comunidade internacional tem apontado o respeito pelo Acordo de Conacri como única formula para acabar com a crise na Guiné-Bissau.

"O Acordo de Conacri morreu. Augusto Olivais nunca, nunca, nunca vai ser primeiro-ministro", repetiu Braima Camará, salientando que, para que o Acordo de Conacri possa valer, o PAIGC terá que anular o seu congresso que reelegeu Domingos Simões Pereira como líder.

O porta-voz do Partido da Renovação Social (PRS), segunda força mais votada nas últimas eleições legislativas, Victor Pereira, considerou, ao ler um manifesto que o seu partido enviou aos líderes da CEDEAO, que as sanções impostas a seis dirigentes do PRS visam "decapitar a liderança do partido" na perspetiva das próximas eleições.

No manifesto, o PRS defende que as sanções "devem ser levantadas imediatamente" por serem "injustas, imparciais e infundadas", e por, alegadamente, não se conformarem com os dispositivos normativos da própria CEDEAO.

O ministro do Comércio do Governo demissionário e um dos visados com as sanções, Victor Mandinga, afirmou que as medidas "têm como alvo" o Presidente guineense, José Mário Vaz, a quem, disse, a CEDEAO visa intimidar.

Também considerou que as sanções foram encomendadas por Domingos Simões Pereira, tal como já fizera, disse, contra os militares autores do golpe de Estado de 2012, alvos de medidas por parte da comunidade internacional.

"As sanções contra os militares fazem sentido porque nós somos contra golpe de Estado", esclareceu, segundo a Lusa, Victor Mandinga, defendendo que foi Domingos Simões Pereira, então secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), quem teria sugerido os nomes dos militares a sancionar.

Diz a mesma agencia que Victor Mandinga saudou a solidariedade dos "verdadeiros filhos da Guiné-Bissau" para com os cidadãos "sancionados de forma injusta" pela CEDEAO e ainda realçou a fraternidade e a compreensão da China e da Rússia, segundo disse, países que não alinharam com as medidas.

Victor Pereira, do PRS, disse esperar que as Nações Unidas, a União Europeia e a CPLP também irão se posicionar a favor do levantamento imediato das sanções, conclui a agência Lusa.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade
Cap-vert
Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project