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Guiné-Bissau: Polícia arromba portas da sede do PAIGC e expulsa congressistas 01 Fevereiro 2018

O secretário nacional do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Aly Hijazi, disse, nesta quinta-feira, à Lusa que agentes da polícia arrombaram as portas da sede daquele partido e expulsaram do local os militantes que se preparavam para um congresso.

Guiné-Bissau: Polícia arromba portas da sede do PAIGC e expulsa congressistas

«Sem qualquer mandado judicial, a polícia arrombou três portas da nossa sede e escorraçou-nos», referiu Hijazi, também presidente da comissão preparatória do 9.º congresso do PAIGC.

Segundo a mesma fonte, a reunião devia ter começado na terça-feira, mas foi interditada pela polícia guineense que alega ter ordens judiciais para impedir que o encontro se realize.

O secretário nacional afirmou que um agente que se identificou «apenas como sendo o comandante», mandou que retirasse os cerca de 210 congressistas que se encontravam no interior da sede.

«Perguntei-lhe quem deu ordens para retirar pessoas da sede, ele respondeu-me que eram ordens superiores», contou Aly Hijazi, acrescentando que, não tendo acatado a ordem do agente, este mandou os outros agentes arrombarem as portas.

Aly Hijazi referiu não ter havido nenhuma resistência dos militantes e dirigentes do PAIGC que se encontravam na sede do partido desde domingo à noite à espera da abertura do congresso.

A polícia lançou algumas granadas de gás lacrimogéneo para obrigar os congressistas a afastarem-se da sede, prossegue a Lusa.

O secretário nacional receia que, não estando na sede nenhum militante, possa haver atos de vandalismo no local.

Militantes do PAIGC que se consideram excluídos injustamente das conferências de base que determinaram a escolha de delegados ao congresso apresentaram três providências cautelares para impedirem a realização do congresso.

Chefe do Estado e silêncio da comunidade internacional

Para observadores independentes em Bissau, tudo indica que é o governo ditatorial e ilegal da iniciativa do Presidente da República que está, a par da prolongada crise política no país, por trás da confusão política registada nos últimos dias com assalto à sede do PAIGC e a consequente inviabilização do congresso eletivo deste partido.

Enrtetanto, o Chefe do Estado José Mário Vaz afirmou, nesta quinta-feira,31, que é «o primeiro dos inconformados» com o estado de coisas negativas que acontecem no país, mas também é o ultimo a desistir do combate para as mudar.

No seu discurso de posse do novo primeiro-ministro Artur Silva, antigo chefe da diplomacia guineense, que nomeou, na terça-feira, José Mário Vaz disse ser chegada a «hora da verdade e do trabalho» para construir uma Guiné-Bissau melhor.

«Como já tive oportunidade de referir em outras ocasiões: Sou o primeiro dos inconformados com o atual estado das coisas negativas e serei o último a desistir deste combate», destacou o presidente guineense, que está sendo referido como o principal responsável da crise política que se vive na pátria de Amílcar Cabral.

Para os críticos e visados com esta situação, a comunidade internacional asiste, no entanto, mudo e calado os desmandos do regime ditatorial que o JOMAV ja instalou na Guiné-Bissau. Lembram que o atual poder proíbe manifestações, reprime jovens inconformados, invade sede do PAIGC e ataca seus dirigentes. Não respeita ninguém, mas a intervenção militar das forças conjuntas da ONU-CEDAO-UA nunca acontece.

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