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Guiné-Bissau: Recenseamento eleitoral em clima de incerteza 23 Setembro 2018

Começou esta sexta-feira o recenseamento eleitoral na Guiné-Bissau com vista à organização das legislativas fixadas a 18 de Novembro com quase um mês de atraso, uma vez que deveria ter arrancado a 23 de Agosto. Por isso, têm aumentado as críticas à actuação do governo e alguns partidos, nomeadamente o MADEM de Braima Camará e a APU-PDGB (Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau) de Nuno Nabian têm vindo nos últimos dias a exigir que Presidente José Mário Vaz demita o Primeiro-Ministro, Aristides Gomes, por incapacidade.

Guiné-Bissau: Recenseamento eleitoral em clima de incerteza

Segundo a RFI, estes mesmos partidos têm mantido contactos com o PRS que integra o governo, no intuito de chegar a algum entendimento no âmbito da preparação das legislativas. Ao confirmar que tem havido conversações, o porta-voz do PRS e Ministro da Comunicação Social, Victor Pereira, sublinha que "não se trata de uma coligação" e se "procuram os maiores entendimentos possíveis entre partidos que participam nas eleições".

Questionado sobre a posição do seu partido relativamente às críticas do MADEM e da APU que apelam à demissão do governo do qual faz parte, o porta-voz do PRS e Ministro da Comunicação Social, Victor Pereira, refere que o diálogo mantido com estes partidos "não é contra o governo".

De salientar, por outro lado, que no rol de críticas que têm acompanhado o processo pré-eleitoral, além dos partidos políticos, sectores da sociedade civil também têm emitido reservas, sem contudo apelar à demissão do executivo. Na quinta-feira,20, em comunicado, o grupo das organizações da sociedade civil guineense para as eleições (GOSCE) deu conta de lacunas na forma como arrancou o recenseamento eleitoral.

Ao referir que o registo não está a cumprir uma série de requisitos técnicos, nomeadamente no que tange às informações respeitantes "à duração do recenseamento", este grupo também aponta "uma total descoordenação dos actores responsáveis pela gestão do processo", bem como a "ausência dos recursos efectivos para a participação da CNE e das suas estruturas regionais", pelo que o GOSCE reclama que o Governo crie condições financeiras e técnicas para “um recenseamento efectivo e credível”, apelando por outro lado "todos os cidadãos guineenses com capacidade eleitoral a participarem no recenseamento", refere a RFI.

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