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Guiné-Conacri: Camará nega ser mandante de massacre de 157 pessoas no estádio, aponta dedo a Condé — Alega doença e sessão é suspensa 18 Dezembro 2022

O antigo presidente Moussa Dadis Camará disse em tribunal que não deu ordens "a ninguém" em 28 de setembro de 2009, o dia do massacre de 157 pessoas no "Estádio 28 de Setembro", cometido pelas forças de segurança guineenses. Nos dois dias do seu interrogatório no julgamento esta semana, o tom do presidente entre 2008 e 2010 é no mínimo desafiador e incomoda a defesa dos queixosos: "Ele pensa que ainda é presidente".

Guiné-Conacri: Camará nega ser mandante de massacre de 157 pessoas no estádio, aponta dedo a Condé — Alega doença e sessão é suspensa

"Não dei nenhuma ordem a ninguém, sr. imperador da acusação", disse Camará. O tom da resposta ao juiz foi criticado: "Ele pensa que ainda é presidente", segundo um dos advogados de defesa das mais de 1300 vítimas do massacre de 28.09.2009, em que mais de 1200 ficaram feridas e 157 morreram.

Camará, que ao regressar ao país foi preso e levado a tribunal, estivera exilado no Burkina-Faso após deixar Marrocos onde permaneceu em tratamento médico após o atentado de dezembro de 2009. No país vizinho do seu converteu-se ao catolicismo e mudou o nome próprio Moussa para o francês Moïse (Moisés).

No seu depoimento ao tribunal de Dixinn, na capital Conacri, e que interrompeu ao segundo dia alegando estar doente, Camará afirmou que foi impedido de se deslocar ao estádio de Conacri naquele "fatídico dia", por conselho do seu "homem de confiança", o militar Toumba Diakité. O mesmo ex-adido militar que acusou de ser a mão armada do complô contra si orquestrado pelo seu sucessor Alpha Condé.

Uma revelação destaca-se no depoimento de Camará. Segundo ele, o coronel Moussa Tiégboro Camará, que foi o seu antecessor, estava também no estádio no dia dos factos.

Co-acusados: Camará e dez co-acusados respondem por "homicídios, assassínios, violações, pilhagens, incêndios voluntários, roubos, agressões e golpes voluntários, ultraje às forças da ordem pública, tortura, rapto e sequestro, não-assistência a pessoa em perigo, violência sexual, atentado ao pudor, posse ilegal de material de guerra de primeira categoria e cumplicidade nestes diversos tipos de infração".

Magnicídio. Foi em dezembro de 2009 que ocorreu uma tentativa de assassinato (magnicida) contra Camará que completava então um ano como presidente. Atingido na cabeça, foi levado para Marrocos. A França e os Estados Unidos manifestaram-se favoráveis ao seu exílio.

Perda de tempo. "Temos aqui um acusado que acredita que continua a ser o presidente da República. Sorri o tempo todo, não responde às perguntas. Dá detalhes inúteis. As suas respostas às muitas perguntas não convencem. Faz declarações que nada têm a ver com o assunto em pauta. Enfim, faz-nos perder tempo", exasperou-se Alpha Amadou DS Bah, um dos advogados das vítimas.

Militares fonte de instabilidade

Em 2008 a ascensão de Moussa Dadis Camará, de 44 anos, à presidência deu-se através dum golpe-de-Estado, que impediu a presidência interina após a morte de Lassana Conté. Este, que derrotara Condé nas eleições de 1993 e 1998), foi o presidente entre 1993 e 2008.

Mais um golpe com apoio dos militares, como o mais recente que depôs o octogenário Alpha Condé e impôs como presidente interino o coronel Mamadi Doumbouya(foto), de 41 anos.

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Fontes: Le Monde/Le Figaro/DW.de/Radio RFI/GuinéeNews.com/. Relacionado: Guiné-Conakry/Golpe-de-Estado: Alpha Condé livre "já está na residência da primeira-dama", 30.nov.021; Guiné-Conakry: PR Alpha Condé, 82 anos corre para 3º mandato, 16.out.020; A África ganhou em liderança com a chancelerina", Alpha Condé entre presidentes, UA na despedida em Berlim, 28-8 a 07.set.021; Guiné-Conakry: PR Condé contestado por querer 3º mandato — "Ditadura mata Futuro", 24.jan.020; Guiné-Conacri: Monogamia vira lei sob impulso de Alpha Condé, 13.mai.019; Fotos (AFP/Getty): Presidente interino, coronel Mamadi Doumbouya, de 41 anos, e a esposa francesa, a ex-polícia militar Lauriane Doumbouya. Julgamento de Moussa Dadis Camará nesta semana de 12 a 16.

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