INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Guiné-Conakry: PR Alpha Condé, 82 anos corre para 3º mandato 16 Outubro 2020

Constitucional para uns e inconstitucional para outros, a candidatura do presidente Alpha Condé — o quarto chefe de Estado conacri-guineense e o "primeiro democraticamente eleito" — é todavia permitida pela mudança na Constituição votada em referendo por mais de 90 por cento dos eleitores em 22 de março. Dentro de dias, se saberá se Condé, eleito à terceira tentativa em 2010 ao fim de mais de trinta anos na oposição, irá na eleição do próximo domingo, 18, vencer pela terceira vez e quiçá manter-se no cadeirão presidencial até 2032, aos 94 anos, ou dar-se por contente com o estatuto de presidente emérito aos 82 anos.

Guiné-Conakry: PR Alpha Condé, 82 anos corre para 3º mandato

O novo mandato presidencial de Condé — que lidera o RPG-União Popular da Guiné, na oposição desde 1978 até 2010 — seria o primeiro, diz o próprio, enquanto a oposição diz que seria o terceiro.

As duas interpretações dão contas diferentes embora ambas tenham por base a nova Constituição, segundo a qual o presidente só pode concorrer duas vezes, ao contrário das três vezes que a anterior versão da lei magna permitia no país nosso vizinho no continente.

As manifestações que continuam por estes dias — tal como em fins de janeiro e em abril, em oposição ao referendo que, boicotado pela oposição, se marcou por mais de 60 por cento de abstenção — em nada diferem da turbulência permanente que marcou os dez anos da presidência de Alpha Condé.

Primeiro, foram as suspeitas de fraude eleitoral na segunda-volta em 2010. Recorde-se que embora a Fundação Carter tenha constatado irregularidades na votação e na contagem de votos, dado que cerca de um milhão de votos desapareceram na última contagem, é a mesma entidade que critica a decisão do STJ conacri-guineense de proceder a uma segunda contagem de votos.

Seguiu-se uma tentativa de assassinato em 2011, em que os militares são suspeitos. Useiros e vezeiros em golpes, a classe marcial já tinha protagonizado em 23 de dezembro de 2008, apenas 12 horas após o óbito de Conté, um golpe de Estado em que quiseram impor o capitão do exército Moussa Dadis Camara, apoiado pelo CNDD-Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento. O comunicado das Forças Armadas lido na televisão anunciou a suspensão do parlamento e da constituição, "bem como a atividade política e sindical".

Fonte de instabilidade — como demonstram os golpes de Estado por eles promovidos —, são os militares que estão na linha da frente a defender o regime. Como nos periódicos protestos violentos de jovens — que saem à rua contra o desemprego e a falta de horizontes — prontamente reprimidos pelas forças da ordem. Em tempos de Covid, os militares têm de novo estado na linha da frente, nas cidades conacri-guineenses. e estão nos noticiários internacionais pela repressão a opositores, como denunciam diversas organizações internacionais.


Fumos de corrupção?

Em 2016, uma reportagem da France24 suscita acusações de corrupção a envolver a multinacional da mineração Rio Tinto e um governante conacri-guineense. Um alegado suborno de 10,5 milhões de dólares terá dado direitos à Rio Tinto na mineradora Simandou.

Embora Condé não pareça envolvido, já que os registos gravados só provam que ele defendeu um contrato de 700 milhões de dólares que entrariam nos cofres do Estado, a oposição tem dito o contrário.

Entre esses adversários do líder do RPG-União Popular da Guiné na oposição desde 1978 — e que teve de esperar 2010 para eleger-se na segunda-volta da presidencial, com 57,85% dos votos — o mais ativo é Celiou Dalein Diallo, de 68 anos, economista, antigo governante e "tecnocrata transformado em político".

Diallo lidera o "partido liberal" UFDG-União das Forças Democráticas da Guiné(-Conakry) desde 2007. Em 2006, ocorreu a sua "demissão clamorosa" do cargo de primeiro-ministro sob Lansana Conté — cuja presidência começa em 1984, com a morte do primeiro presidente Sékou Touré, e só termina vinte e quatro anos depois, com a sua própria morte em 2008.

Em 2010, Diallo obteve a vitória na primeira-volta com 42,5% contra 18% de Condé, para na segunda-volta ser derrotado. Domingo, voltam a enfrentar-se.

Fontes: BBC/AFP/Outras referidas. Relacionado: Guiné-Conakry: PR Condé contestado por querer 3º mandato — "Ditadura mata Futuro", 24.jan.020; Guiné-Conakry: 5 mortos em protestos contra mudança na Constituição ’para 3º mandato’ de Alpha Condé, 16.out.019. Fotos (AFP-Getty/Reuters): Alpha Condé. Manifestantes contra a revisão da Constituição.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project