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Guiné Equatorial: Vice-presidente Teodorin acusa Espanha de ingerência 23 Novembro 2022

O vice-presidente da Guiné Equatorial e filho do atual Presidente acusou hoje a Espanha de tentar "interferir nos assuntos internos" do país, na sequência do que diz ser "notícias falsas na imprensa sensacionalista espanhola".

Guiné Equatorial: Vice-presidente Teodorin acusa Espanha de ingerência

Numa mensagem no Twitter, Teodorin Obiang escreveu: "não nos surpreende que a imprensa sensacionalista espanhola faça eco de informações falsas difundidas pelos partidos traidores à pátria da oposição".

Na mesma mensagem, que surge dias depois das eleições presidenciais, legislativas e municipais, Teodorin acrescentou: "Ninguém é cego para dar-se conta de que Espanha quer fazer ingerência nos assuntos internos da Guiné Equatorial".

O vice-presidente da Guiné Equatorial, o mais recente membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizou eleições no domingo que deverão dar novamente uma vitória esmagadora a Teodoro Obiang, o Presidente que a nível mundial está há mais tempo no poder.

A imprensa espanhola fez várias notícias sobre as eleições neste pequeno país da África Oriental, destacando a longevidade de Obiang, as críticas dos ativistas e a esmagadora votação de Obiang, que venceu sempre as eleições com mais de 90% dos votos.

Os artigos dos jornais El Mundo e El Pais relatam as denúncias dos ativistas equatoguineenses sobre várias irregularidades, incluindo votos repetidos, permissão para votar em nome de familiares ausentes e a obrigatoriedade de escolher um boletim de voto para todas as eleições, o que levou os partidos da oposição a dizerem que não reconhecem a legitimidade dos resultados eleitorais.

O El Periodico, por exemplo, escreve em título "O tirano Obiang encaminha-se para um sexto mandato na Guiné Equatorial" e, no artigo que usa os dados da agência de notícias espanhola relativos ao andamento da contagem dos votos, há também um subtítulo que se refere a Obiang como "o ditador ativo mais antigo".

Na terça-feira, o chefe da missão de observadores da União Africana (UA) às eleições na Guiné Equatorial disse que o processo correu "de forma pacífica e em conformidade com as normas internacionais", não detetando qualquer problema.

"A votação ocorreu num ambiente geralmente pacífico, em conformidade com as normas internacionais e o quadro jurídico nacional que regula as eleições", disse o antigo Presidente da Guiné-Bissau José Mário Vaz, acrescentando que "a missão não observou quaisquer irregularidades palpáveis durante todo o processo de votação e visitas às mesas dos centros de voto".

A declaração do chefe da missão da UA surge numa altura em que estão escrutinados mais de 45% dos votos, com o Presidente Teodoro Obiang a recolher 189.031, a enorme distância dos restantes dois candidatos presidenciais.

Andrés Esono Ondo, da Convergência para a Democracia Social da Guiné Equatorial (CPDS), obteve até agora 5.473 votos, enquanto Buenaventura Monsuy Asumu, do Partido da Coligação Social Democrática (PCSD), regista apenas 1.490.

"Os votos dos eleitores eram sistematicamente perfurados" depois de depositarem o boletim de voto em "urnas transparentes e fechadas para evitar potenciais votações múltiplas", acrescentou o antigo chefe de Estado, vincando, citado pela agência Efe, que os cerca de 50 observadores da UA asseguraram que "o segredo do voto foi respeitado e os representantes dos candidatos puderam levar a cabo a sua missão sem qualquer obstáculo".

Além disso, concluiu, as forças de segurança "não fizeram qualquer pressão ou obstrução para influenciar o acesso às mesas dos centros de votação ou a livre expressão do voto".

Os supervisores da UA observaram 210 mesas eleitorais de um total de 1.486, sendo 71% em zonas urbanas e 29% em áreas rurais.

As missões da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEAAC) também emitiram pareceres similares.

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, concorreu a um sexto mandato após 43 anos no poder.

As eleições presidenciais de domingo coincidiram com eleições legislativas, senatoriais e municipais – o que constitui uma infração à Constituição equato-guineense, que exclui a realização simultânea das presidenciais com outros plebiscitos.

As presidenciais estavam, por outro lado, previstas para abril próximo, sendo esta antecipação também expressamente excluída na Constituição do país.

Um total de 427.661 eleitores, de entre uma população de 1,45 milhões de habitantes, estavam registados para escolher um dos três candidatos à Presidência, assim como o partido para ocupar os 100 assentos na câmara baixa do Parlamento em Malabo (99 dos quais atualmente reservados ao Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE, partido único até 1991), parte do senado (cujos 70 assentos são ocupados pelo PDGE), e os dirigentes dos 37 municípios do país.

Os candidatos à presidência foram Teodoro Obiang, líder do PDGE, Andrès Esono Ondo, presidente do partido da CPDS, o único partido da oposição que não está proibido, e o líder PCSD, Buenaventura Monsuy Asumu, um senador e aliado crónico de Obiang, que concorre contra o Presidente pela quinta vez oferecendo ao regime um simulacro de democracia.

Teodoro Obiang, atualmente com 80 anos, governa com "punho de ferro" um pequeno país rico em petróleo desde 1979, na sequência de um golpe de Estado em que derrubou o seu tio e ditador sanguinário Francisco Macias Nguema, e é o Presidente há mais tempo no poder em todo o mundo.

A Semana com Lusa

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