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Guineenses, são-tomenses e portugueses lideram entre imigrantes em Cabo Verde 06 Dezembro 2022

Mais de 2.000 portugueses residiam em 2021 em Cabo Verde, segundo dados do relatório final do recenseamento geral da população, atrás dos mais de 4.300 nascidos na Guiné-Bissau e quase 3.000 em São Tomé e Príncipe.

Guineenses, são-tomenses e portugueses lideram entre imigrantes em Cabo Verde

Segundo dados compilados hoje pela Lusa a partir do relatório sobre migrações do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) de Cabo Verde, aquando da realização do quinto Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH-2021) residiam no arquipélago 18.562 cidadãos nascidos fora do país.

Desses, 23,6% tinham nascido na Guiné-Bissau, equivalente a 4.375 imigrantes, 15,6% em São Tomé e Príncipe, totalizando 2.894 pessoas, e 11% em Portugal, equivalente a 2.050 pessoas.

Foram ainda registados 1.724 senegaleses (9,3%), 1.577 angolanos (8,5%) e 796 chineses (4,3%).

"A maioria dessa população chegou a Cabo Verde pela primeira vez entre os anos de 2000 e 2019. Cerca de 34,7% chegaram entre 2010 e 2019", observa o INE, sendo este período de dez anos aquele em que o arquipélago assistiu ao forte crescimento do turismo, até ao recorde de 819.000 turistas em 2019.

Segundo o INE, o agrupamento familiar foi o principal motivo (46,3%) apontado para a imigração para Cabo Verde - que permite a naturalização ao fim de cinco anos de residência -, seguindo-se a procura de trabalho (36,5%).

O relatório refere ainda que só com nacionalidade estrangeira viviam em Cabo Verde 10.875 pessoas, 33,7% eram da Guiné-Bissau, 11,3% do Senegal, 10% de Portugal, 7,1% da China e 4% de São Tomé e Príncipe.

Cabo Verde tinha, em 2021, uma população residente de 491.233 pessoas, uma ligeira redução face a 2010, segundo dados definitivos do quinto RGPH-2021, anunciados em abril passado pelo INE, mas muito abaixo das estimativas, que apontavam para mais de meio milhão de habitantes.

Os resultados definitivos do RGPH-2021 referem que foram recenseados 150.206 edifícios, 201.348 alojamentos, 147.984 agregados familiares e 505.044 pessoas.

"Da população recenseada, 491.233 são residentes, 13.504 visitas, 104 sem-abrigo e 203 que se encontravam atracados nos navios nos portos do país", anunciou em abril passado o INE.

O RGPH-2021 de Cabo Verde, a maior operação estatística do arquipélago, ao envolver cerca de 2.000 profissionais, decorreu no terreno, com a recolha de dados totalmente em formato digital, de 16 de junho a 07 de julho de 2021.

Em agosto seguinte, na apresentação dos dados então provisórios, o INE referiu que tinham sido recenseados na operação 483.628 habitantes, o que seria uma redução de 1,6% face ao recenseamento realizado em 2010, passando ainda a contabilizar mais homens do que mulheres.

Na apresentação feita em abril pelo INE, com os dados definitivos, é referido que a população cabo-verdiana residente - 29,6% do total concentrada a viver na Praia, capital do país - era constituída, aquando do recenseamento, globalmente, por 246.363 homens e 244.870 mulheres.

O recenseamento realizado pelo INE em 2021 refere que 65,1% da população tinha entre 15 a 64 anos, 6,7% mais de 65 anos e 28,2% até 14 anos.

Cabo Verde já realizou quatro recenseamentos após a independência, em 1980, 1990, 2000 e 2010. No anterior realizado, em 2010, a população residente no arquipélago então contabilizada foi de 491.875 pessoas, 117.289 agregados familiares, além de 114.297 edifícios e 141.761 alojamentos.

Este quinto Recenseamento Geral da População e Habitação deveria ter ocorrido em 2020, mas foi adiado para o ano seguinte, face à pandemia de covid-19.

A Semana com Lusa

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