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Hattie McDaniel oscarizada por "E tudo o vento levou" preferia fazer de criada por $700 que ser uma por $7 USD 21 Dezembro 2019

"E tudo o vento levou" é tido como um dos sete maiores filmes dos últimos cem anos e destaca-se ainda por ter sido a primeira vez que um afroamericano ganhou um óscar, atribuído à atriz Hattie McDaniel que interpreta a escrava "Mammy".

Hattie McDaniel oscarizada por

Completaram-se este ano os oitenta anos do filme "E tudo o vento levou", um dos sete maiores filmes dos últimos cem anos segundo críticos de cinema além de vários rankings.

Mas o filme de 1939 destaca-se ainda por ter sido a primeira vez que um ator afroamericano ganhou um óscar. Foi a atriz Hattie McDaniel pelo seu papel da escrava "Mammy".

Criticada por aceitar fazer papéis em que os afroamericanos são retratados de forma estereotipada, Hattie McDaniel produziu a famosa tirada: "Prefiro fazer de criada por $700 que ser uma por $7 USD".

A sua experiência falava: criança ainda, tinha começado a ganhar a vida como cantora e atriz nos espetáculos do irmão Otis, um dos seus treze irmãos, mas quando este morreu em 1916 ela teve de trabalhar como criada e cozinheira.

Em 1920, teve a sua oportunidade de voltar a atuar: o Professor George Morrison incluiu-a no seu grupo Melody Hounds em digressão pelo país. Com as antenas da rádio a abrirem-se para o grupo, Hattie tornou-se uma cantora habitual na emissora KOA de Denver. Chegou até a gravar dez discos entre 1926 e 1929 (março) para as discográficas OKEH, Paramount, Merrit.

Mas em 1929 o crash da Bolsa afetou até mesmo a rádio, esse "maravilhoso novo meio". Hattie voltou a trabalhar como criada e cozinheira. Em 1930, convenceu o patrão do clube noturno — onde, de dia, trabalhava como lavadeira, e, à noite, no bengaleiro —, o Club Madrid em Milwaukee, a deixá-la cantar.

Após muita relutância, ela conseguiu subir ao palco, a meio do expediente no bengaleiro. Numa dessas performances cantou a "Aunt Dilsey Improvisation" que é da sua autoria.

Em 1931, mudou para Los Angeles na companhia de três irmãos atores. Conseguiu entrar no seu primeiro filme, The Golden West, de 1932, um western. Seguiram-se outros filmes, sempre no papel de criada.

Mas em 1934 Hattie atua na comédia Judge Priest e o realizador John Ford impressiona-se com o insuspeitado talento da atriz. O famoso cineasta cedeu à quase desconhecida Hattie mais espaço do que previa o guião e destacou-lhe o nome na abertura do filme (embora tenham escrito o seu apelido McDaniels, com um erróneo "s" final).

Ela destaca-se no filme de John Ford como uma cantora dotada. Canta a balada My old Kentucky home, goog night, assinada em 1852 pelo compositor Stephen C. Foster e famosa pela mensagem contra a escravatura.

Hattie, de degrau em degrau, abriu o caminho para obter o primeiro óscar de um ator afroamericano.

Fontes: Arquivos online. Fotos: Hattie ganhou, em 1940, o Óscar de Melhor Atriz Secundária em "E tudo o vento levou", de 1939. (A preto e branco) Hattie, ao centro (de fato escuro), presidiu à Comissão de Receção dos Soldados Negros na Guerra, em 1944. LS.

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