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Heavy H entre em cena com “Amigo” 31 Maio 2009

Heavy está de volta aos palcos com “Amigo”. Um disco que traz um cocktail de géneros, que vão desde funaná ao soukous, passando por zouk love, taraxa, batida, reggae e outros . “Amigo”- o quinto álbum a solo desse artista da Praia, conhecido pela sua irreverência e forma peculiar de estar na música-, veio mostrar um Heavy mais maduro e confiante nos estilos que o identificam. Nesta entrevista Heavy fala desse seu “Amigo” e abre o Hélder Silva, que se esconde atrás do apodo Heavy H.

Heavy H entre em cena com “Amigo”

Entrevista por: Gilvanete Chantre

Fale-me deste seu “Amigo”?

Amigo traz 11 faixas, com um repertório que segue a linha dos trabalhos anteriores. Portanto, uma variedade de géneros musicais, onde temos desde funaná a soukous, zouk love, taraxa, batida, reggae e dance.
São todas composições minhas, onde dou ênfase à amizade porque acho que, hoje em dia, as pessoas estão muito preocupadas com a matéria e esquecem de valorizar a amizade, a família. " Amigo" é um tema feito para unir e sobretudo para acabar com bairrismo estúpido que insiste em dividir as ilhas. Aliás, este sempre foi meu lema, desde do meu primeiro disco, "Sampadjudu ku badiu a nôs é kool". " Amigo" é feito já com o propósito de unir o povo cabo-verdiano, porque sendo um país pequeno só assim conseguimos atingir patamares mais altos e alcançar outros horizontes.
Outra novidade do “Amigo” é o CD –DVD que apresenta, porque traz quatro clipes bónus: “Bom pa filme”, “Dod na bo”, “Caliente” e “Ah minis”, todos já conhecidos do grande público.

E as participações e os arranjos deste irreverente “Amigo” do Heavy?

Tem a Samira, que sempre canta comigo, e outras participações especiais: do Nichols, Meno Pecha, Dany Petiot e o Dj Amorim. E nos arranjos conto com o Dabs, com quem costumo trabalhar, o Djodje do TC - um produtor de mão-cheia- , e muitos músicos jovens, nos quais eu quis apostar. Com o músico Kim Alves gravei três músicas.

Desde quando e como começou a pensar neste disco?

Devido à pirataria e falta de patrocínios, e sobretudo à falta de vontade institucional de ajudar, estava quase desistindo da música. No entanto, em Novembro do ano passado um grupo de músicos que vivem em Portugal, entre eles o Nichols, me convidaram para fazer um trabalho e me pediram três músicas (sexo descontrolado, um taraxa e um zouk). Mas o projecto não saiu, então resolvi fazer meu próprio CD. Por já ter essas três músicas e com um período de quatro anos sem lançar nenhum álbum- 4 anos é o tempo limite que sempre dou aos meus projectos-, achei que era a hora exacta de gravar meu novo disco.
Então, comecei a gravar “Amigo”em Portugal e continuei aqui em Cabo Verde. Todo este processo levou cerca de 6 meses.

E por quê se impõe sempre um intervalo de 4 anos?

Porque é um tempo ideal para criar sem ser repetitivo. Neste período dá para ver outras histórias de vida, novas realidades, etc. É o tempo que eu preciso para inspirar-me, para ter outros ângulos da sociedade sem ser desgastante.

Neste seu quinto disco, “Amigo”, pode-se dizer que temos um artista diferente, mais maduro…

Pois, a cada disco que lanço sinto-me mais maduro, faço um trabalho mais pormenorizado e com melhores resultados. No meu primeiro álbum eu era ainda um jovem que estava a fazer o seu curso na universidade. E fiz as letras quando ainda tinha 15 anos, por isso posso dizer que melhorei bastante tanto em termos do repertório como nas melodias.
E por cantar sempre a realidade social , como a sida, a gravidez precoce, etc., tento fazer o melhor, sem deixar meu estilo. Logo faço críticas mais acessíveis ao povo, com sátira, humor,etc., características do Heavy H.

O Heavy H canta para um público em especifico ?

Eu não gosto muito de especificar, mas claro que meu vasto público é o infanto-juvenil e os jovens. Apesar de agora notar que as pessoas mais velhas me estão ouvindo bastante. Penso que esta conquista é devido às mensagens que trago, são mensagens que as Unidades Nacionais querem passar, o Governo, a família, etc., e muitas vezes não conseguem. E eu, com meu estilo alegre, que consegue fazer as pessoas rir, consigo transmitir as ideias.

O que o inspira?

A vida, e como ela acontece. Gosto muito de momentos, para onde quer que eu vá estou sempre atento às pessoas e às suas histórias, que muitas vezes tento reproduzir. Digamos que canto a partir da observação do que se passa à minha volta.

fale-me da música família e do seu clip, esta que já causa furor nas rádios.

Bom, eu acho que esta música, que é o cartaz do CD, está sendo muito bem aceite pela mensagem que traz, que é de amizade, da família em si, da igualdade social, etc. No clipe de “Família”, que lancei no dia 28 deste mês, tento mostrar a mesma coisa com várias figuras da nossa sociedade. O clipe foi gravado num bar da Praia, “Ma Santa”, que fica na Achada Santo António, que é muito simples e popular, onde a dona é uma senhora de 80 e poucos anos. A "ma Santa" é uma figura considerada e respeitada como uma mãe daquela zona. No clip mostro também as gentes das ilhas: os trabalhadores, pescadores, peixeiras, pessoal que trabalha no porto, etc. Também gravei em minha casa, com amigos, a minha família, estudantes do Liceu e universitários. Tudo isso para mostrar que todos nós somos iguais e uma grande família. A montagem foi feita em Portugal, por Tusca lima.

Quanto vai custar este disco?

Durante o mês de Junho vai custar 1000 escudos, que é uma promoção para celebrar o dia das crianças. Agora, quem for aos lançamentos podem obtê-lo por apenas 700 escudos.

Em que lugares vai lançar este álbum?

O disco já está a venda em Portugal, e nos EUA, e o lançamento aqui em Cabo Verde começa este sábado dia 30, na Praia, no Largo do Arquivo histórico. No dia 31 rumo a São Vicente, para um show no Hotel Porto Grande, às 18 horas. Quero com isso garantir a presença do público infanto-juvenil, porque vou fazer o show especialmente para eles. E 1 de Junho vai ser na Assomada, festa também especificamente para crianças. E por último, sexta-feira 6, estarei na discoteca de Santa Maria, no Sal.

Para finalizar diga-me o que caracteriza o Heavy? Este que alguns criticam mas muita gente, sobretudo os jovens adoram…

Criticar é nato. Desde que nascemos somos criticados, se não é por uma coisa é por outra. Além disso, nós temos uma sociedade que não gosta de ouvir verdades, eu sou um seguidor da verdade e as minhas verdades muitas vezes doem, podem magoar uma ou outra pessoa. Também a sociedade cabo-verdiana é uma sociedade de inveja, temos uma cultura que não venera o sucesso do outro, não queremos ver o outro crescendo, em vez de o apoiarmos, tratamos de colocar o maior número de obstáculos possível no seu caminho.
Por tudo isso, e por viver nesta sociedade, considero-me um artista felizardo porque acho que a maioria está comigo, vejo isso por onde passo, em todas as ilhas, desde pessoas idóneas a gente simples. E sobretudo as crianças, essas que não mentem, gostam de mim.
Também acho que me massacram muito como artista porque não vim de uma família pobre, sou formado, vim de uma classe média onde sempre tive tudo. E por isso não encontro apoios nos meus trabalhos. O povo me reconhece muito, mas de quem tem poder de decisão não tenho nenhum reconhecimento. Por exemplo, sempre participei no Festival da Gamboa, na Praia, fui apresentador do primeiro festival, quando ainda Gamboa era feita com muito amadorismo. Mas na edição deste ano nem cavaco me deram
Eu acho que merecia mais reconhecimento “desta gente”, outro valor.
Sou um músico que já compôs mais de 60 músicas , que vendeu mais de 10 mil cópias. Mas, enfim, o meu estilo vai ser sempre esse, O Heavy que prima pela originalidade, com muito humor, que venera a felicidade e que gosta de alegrar as pessoas.

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