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Historiador Daniel Pereira defende que parque automóvel “não pode causar danos” à Praça Alexandre Albuquerque 19 Maio 2019

O historiador Daniel Pereira disse hoje à Inforpress que construir massa em altura na Praça Alexandre Albuquerque é condenável, mas não tem nada a obstar sobre qualquer edificação no subsolo desde que os canteiros da superfície não sofram danos.

Historiador Daniel Pereira defende que parque automóvel “não pode causar danos” à Praça Alexandre Albuquerque

Daniel Pereira falava em entrevista à Inforpress, a propósito das celebrações do 161º aniversário do Município da Praia, assinalado a 19 de Maio.

Apesar de avançar que não conhece os detalhes do projecto para construção de um parque automóvel no subsolo da praça que foi anunciado pela Câmara Municipal da Praia, enquanto historiador, Daniel Pereira alerta para a necessidade de se preservar a arquitectura histórica da praça Alexandre Albuquerque.

“Do ponto de vista estritamente pessoal, tudo o que seja criar massa construída em altura nessa praça é condenável. No subsolo da mesma nada temos a obstar quanto a qualquer edificação, desde que os canteiros da superfície não sofram danos”, afirmou Daniel Pereira, lembrando do “Sanitário construído precisamente em frente do edifício da CMP, quando antes estava no subsolo para não perturbar o conjunto arquitectónico da Praça, que devia ser ou é considerado Património Nacional, bem assim todo o Centro Histórico da Cidade”.

Conforme o historiador, os canteiros da praça correspondem “aos quatro naipes de um baralho de cartas”. Por isso, “seria um crime cultural fazê-los desaparecer, pura e simplesmente, apenas por razões de mercado imobiliário – a exploração de um Parque Automóvel no subsolo dessa área”.

A mesma fonte lembrou que o Parque Eduardo VII, em Lisboa, tem no seu bojo uma área enorme destinado a esse tipo de exploração, que “não buliu, minimamente, com a área verde do mesmo”.

Trazendo exemplos práticos da Cidade de Lisboa, Portugal, país que está mais próximo, histórica e culturalmente de Cabo Verde, o historiador afirma que na Praça do Município ou no Terreiro do Paço, “absolutamente nada, obstaculiza uma fotografia frontal do edifício da sua Câmara Municipal, ou do conjunto arquitectónico da popular Praça do Comércio – Terreiro do Paço.

Isto contrariamente ao que acontece com alguns edifícios mais emblemáticos da Praça Alexandre Albuquerque como Igreja pró Catedral de Nossa Senhora da Graça, padroeira da freguesia, “que, agora, de certos ângulos perdeu visibilidade, parcial ou completa,” acrescentou Daniel Pereira.

“O correcto da nossa Praça Alexandre Albuquerque é o único edifício em altura, que existia nessa área. Mas houve o cuidado de o construir de forma aberta, para não perturbar a visão de conjunto da praça”.

Em jeito de remate, Daniel Pereira lembrou ainda que a antiga Esplanada, existente ainda antes da actual, foi construída nos anos 60 do século XX e num ambiente político de Fascismo e que ela foi demolida, durante a gestão de Jacinto Santos, no pressuposto de que, eventualmente, a Praia viesse a ser considerada Património Mundial da Humanidade. Por isso, questionou “em nome de quê esse projecto foi enviado para as calendas”. A Semana com Inforpress

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