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Hong Kong: Caos marca 22 anos de retrocessão a RP China 03 Julho 2019

Protestos maciços nas ruas, invasão do parlamento, tensão máxima e repressão policial marcaram na região administrativa especial de Hong Kong o vigésimo-segundo aniversário da sua retrocessão à RPC-China, este primeiro de julho.

Hong Kong: Caos marca 22 anos de retrocessão a RP China

Na manhã de terça-feira, imagens televisivas mostram a polícia no edifício parlamentar que exibe os sinais da invasão da véspera, 1º de julho. Centenas de jovens estão detidos. As autoridades dizem confiar no poder judicial para "punir os destruidores de bens públicos".

Têm mais ou menos a idade da criação da RAE de Hong Kong os hongkonguenses, a maioria dos manifestantes, que invadiram o parlamento esta segunda-feira. A invasão culminou o braço de ferro com o poder que dura há três semanas.

Os hongkonguenses de todas as idades, classes e profissões manifestaram-se primeiro contra a lei da extradição. Uma onda de protestos que transbordou para lá da ilha e chegou à diáspora.

Ao executivo de Carrie Lam só restou fazer marcha-atrás e pedir compungidamente desculpas. Mas isso não acalmou os ânimos dos muitos hongkonguenses que — para protegerem a ’autonomia e democracia’ permitida pelo princípio ’um país dois sistemas’ — querem a ’demissão do executivo pró-chinês’.

Esta reivindicação a ecoar no planeta global (passa a redundância) levou muitos a prestar mais atenção à cidade mais visitada do planeta (diz a internet) e a fazer a seguinte pergunta.

Hong Kong faz parte da China … Ou não?

A resposta não é simples. É certo que a bandeira chinesa flutua nos edifícios oficiais da ilha e o governo é nomeado por Pequim, mas há diferenças que são visíveis a quem chega, a começar pelo visto, passaporte e controlo na fronteira. Depois há a moeda (o hongkonguense dólar versus o chinês yuan), a língua oficial (a cantonesa e a inglesa em Hong Kong versus o mandarim na China).

Mesmo se a base cultural é a mesma, os caminhos separaram-se por força dos cinquenta anos de comunismo no continente versus a influência inglesa na ilha cosmopolita.

Como se vê, a tentativa de Pequim de mudar a atual lei da extradição (que só se faz por mandato internacional) impulsionou a mega-manifestação de há três semanas. A explicação está no sistema legal baseado na "British common law", tido como livre e imparcial, como as associações de advogados de Hong Kong demonstraram saindo à rua.

E o mundo admirou-se de ouvir o grito vindo da ilha habituada a calar-se desde que, em 1839, a Rainha Vitória a ganhou no armistício da Guerra do Ópio, entre os dois impérios. Calou-se, como os historiadores hongkonguenses agora a despertar dizem agora, quando a China de Mao e o Reino Unido assinaram acordos soberanos para até 1997. E em 1997 Hong Kong calou-se enquanto Pequim/Beijing e Londres finalizavam negociações para reintegrar a ilha na RPC.

Por entre esse grito sufocado que se soltou por estes dias, ouvia-se Hong Kong a pedir mais democracia e mais participação cidadã, na cidade mais capitalista no seio do maior país comunista, há algo mais que surpreende. E é a constatação de que a ilha preservou tradições milenares que a China de Mao aboliu: os festivais e rituais budistas, os grupos de artes marciais...

Fontes: Le Monde/AFP/Hong Kong Free Press/Fontes históricas… Relacionados: Hong Kong: Carrie Lam recua na lei da extradição mas protestos continuam agora a pedir ’demissão do executivo pró-chinês’, 17.jun.2019; Hong Kong em fúria contra lei de extradição para China onde "Justiça é desigual e opaca", 10.jun.2019. LS

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