LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Human Rights Watch pede investigação a execução de mulher no norte de Moçambique 20 Setembro 2020

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) defendeu nesta quinta-feira, 17, uma investigação às imagens nas redes sociais mostrando o que será a execução de uma mulher nua por homens com uniformes do exército moçambicano.

Human Rights Watch pede investigação a execução de mulher no norte de Moçambique

"As autoridades moçambicanas devem investigar urgentemente e de forma imparcial a aparente execução sumária de uma mulher nua e desarmada por homens que envergam uniforme militar" em Moçambique, lê-se num comunicado.

Segundo a organização não-governamental (ONG) dedicada à defesa dos direitos humanos, “a execução, que foi capturada por um vídeo não verificado, mas que se tornou viral nas redes sociais, surge num contexto de acusações de abusos por parte dos soldados do Governo na província nortenha de Cabo Delgado, onde estão a combater um grupo armado islâmico".

A reacção da HRW, como informa a lusa, junta-se à de outras instituições internacionais que têm condenado o incidente, incluindo a Comissão Europeia, que considerou hoje “extremamente chocante” o recente relatório da Amnistia Internacional (AI) sobre violações de direitos humanos no norte de Moçambique e reclamou uma investigação “transparente e efectiva”, incluindo às alegações que envolvem membros das forças de segurança.

Durante um debate sobre a situação nessa região do país, realizado na sessão plenária do Parlamento Europeu que decorre em Bruxelas, a comissária europeia responsável pelas Parcerias Internacionais, Jutta Urpilainen, que representou o executivo comunitário, iniciou a sua intervenção admitindo que “o norte de Moçambique enfrenta uma nova ameaça, um surto de violência armada, com uma dimensão regional perigosa”.

De acordo com o relatório da AI, há provas documentais – vídeos e fotos – que "mostram tentativas de decapitação, tortura e outros maus-tratos de detidos, o desmembramento de alegados combatentes da oposição, possíveis execuções extrajudiciais e o transporte de um grande número de cadáveres até valas comuns".

Já esta semana, a AI pediu às autoridades de Moçambique uma “investigação independente e imparcial” à execução extrajudicial de uma mulher nua e indefesa em Mocímboa da Praia, após a divulgação de um “vídeo horrendo” nas redes sociais.

O ministro da Defesa moçambicano negou na quarta-feira que os alegados militares que aparecem a executar a tiro uma mulher sejam das Forças Armadas de Moçambique e refutou acusações de abusos no combate aos grupos armados no norte do país.

Entretanto, também na quarta-feira, o embaixador da União Europeia em Moçambique, António Sánchez-Benedito Gaspar, anunciou no final de uma reunião em Maputo dedicada ao papel da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) de Moçambique que a União Europeia quer definir até final do ano uma estratégia de apoio reforçado a Cabo Delgado, o "diálogo político" aberto a que a comissária se referiu no debate no hemiciclo de Bruxelas.

A província de Cabo Delgado é há três anos alvo de ataques por grupos armados, alguns reivindicados pelo grupo ’jihadista’ Estado Islâmico, mas cuja origem permanece em debate, provocando uma crise humana com mais de mil mortes e 250.000 deslocados internos.

Estima-se que 374.000 pessoas tenham sido ainda afectadas em 2019 e no início de 2020 por intempéries e inundações, com destaque para o ciclone Kenneth, em Abril do último ano, que provocou 45 mortos e arrasou diversas povoações, deitando por terra inúmeras infra-estruturas públicas, como escolas e unidades de saúde.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project