OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Privatiaçôes: II parte do grito de alerta 07 Agosto 2022

O mundo está nos dando a lição como não devemos ser totalmente dependentes, mas mesmo assim os nossos governantes continuam seriamente cegos e surdos. Continuam a não dar ouvidos ao povo, atendendo somente as ideias dos parentes próximos do partido no Governo e das Câmaras Municipais.

Por:Efrem Soares*

Privatiaçôes: II parte do grito de alerta

O CABO-VERDIANO DIZ-SE SER UM SER ILUMINADO, MAS INFELIZMENTE NÃO O É! SOMOS SATÉLITES, NEM PLANETAS SOMOS.

Os primeiros “iluminados” de Cabo Verde pensaram que, com a independência, seria possível desenvolver o País com as nossas próprias mãos, mas isso, infelizmente, na prática, não deu e não está dando certo.

Nos primeiros anos, os países amigos de Cabo Verde nos deram a cana (financiando os orçamentos do estado, nos ajudaram a criar a própria luz, com bolsas de estudo nos referidos países) e nos deram um tempo para estarmos aptos para pescar e financiar o próprio orçamento do Estado, com a criação de indústrias e suporte sociais (na pesca, agricultura, energia, transformação, turismo, transporte, saúde, educação, organização governamental do estado, segurança social e urbana etc.).
Infelizmente, 47 anos depois, após o País ter criado as bases com ajuda externa e os Organismos Internacionais nos ter certificado para andar com os próprios pés, com a supervisão, nos promoveram a País de Desenvolvimento Médio e demos conta que, afinal, em nenhuma delas fomos capazes de dar continuidade.

Porque, durante todo esse tempo, em vez de aprimorarmos as bases para o progresso, com responsabilidades, valorizando aquilo que nos era doado, andamos a viciar no uso abusivo dos bens e conhecimentos adquiridos, como se fosse algo do nosso suor e pensamento, e agora, não sabemos o que fazer e nem temos recursos para o tal, pelo que nos resta vender até a nossa alma.

Vou pegar na Ilha do Sal, que de certeza me ajudará a desenvolver ideias com factos práticos que podem representar Cabo Verde, sem pôr em causa as potencialidades de cada Ilha, que sabemos serem vastas:

Antes da independência, a indústria de produção e exportação do sal comum era viável, tanto no Norte, como no Sul da Ilha, após a independência, com a queda na demanda do sal a granel do exterior, não fomos capazes de criar uma indústria da sua transformação, que tem um número infinito de possibilidades de formas de produção e aplicação e passamos a importar o sal que colocamos na mesa, nas casas e nos hotéis.

E nem a apropriação das salinas fomos capazes de mantermos, já que, hoje, principalmente a salina de Pedra de Lume, que podia estar a financiar os cofres do estado, deixamos que fosse vendida para um privado outsider, que, sem fazer quase nada, está a faturar um balúrdio.

Ex: Se receber 1000 turistas/dia a 5 euros pessoa, fatura um total de 5000 Euros/ 550.000.00 escudos/dia, 150.000 euros/mês, 16.500.000.00/escudos mês.
Captura e transformação de atum e da família do atum, que, antes da independência, capturava-se muito e com uma demanda externa em alta.

Por opção do dono de altura, vendeu-se a firma para um grupo de cabo-verdianos, que apesar de ter baixada a exploração/exportação, por opção e pela motivação de adotar a localidade de Santa Maria, só para atividade da indústria turística, foi desmantelada a fábrica e transferida para a Localidade da Palmeira, onde se projetavam ampliar a atividade industrial em diversos ramos industriais, ou seja, parque industrial.

Já existia a fabrica de conservação de lagostas vivas, para exportação, congelava-se peixe para ser transformado, à posterior, em Santa Maria, nas épocas de baixa captura, bem como centros de armazenamento de combustíveis, sendo a Shell, a petrolífera instalada na Localidade antes da data da independência e a Enacol após.
Praticava-se a pesca de peixes do fundo (garoupa, merote, badejo, etc.), que também era praticada em Santa Maria e Pedra de Lume, bem como a pesca de rede, praticada em toda a ilha, para consumo local. Praticava-se a pesca do atum na pedra, atividade em que se destacou Ti Clau e que parece ser a única que existia em Cabo Verde.

A indústria da captura, transformação e preservação do atum e a sua família, bem como da lagosta para exportação, azerou-se no Sal.

A indústria turística começou a dar os seus primeiros passos no Sal, ainda na era colonial, porque com a transformação do casarão Belga, do casal Belga Vynckier, em hotel base, “backup” das tripulações das companhias aéreas, Sul de Africa Airlines, TAP, Aeroflot, Cubana e outras, que esporadicamente também recebiam turistas, belgas, franceses e outros.

Esta dinâmica arrastou consigo projetos de introdução da dessalinização da água do mar a grande escala para o abastecimento da população e não só, resolvendo o grande problema da Ilha, alavancando consigo a produção de energia, que mais tarde, depois da independência, foram transferidas de Santa Maria para Palmeira, por apresentar melhores condições para a prática da produção de água, tanto na tomada da água do mar, como na distribuição da água através da elevação para o Morro Curral, nos Espargos, para a toda ilha, nos anos 80.

Esta dinâmica ainda levou à construção do Porto da Palmeira para facilitar no abastecimento da ilha, com o crescimento da indústria turística, “porto de cabotagem”, que mais tarde foi ampliado para receber barcos de longo curso.

O Aeroporto Internacional do Sal, porta de entrada aérea de Cabo Verde, que teve um papel preponderante antes e depois da independência na sustentabilidade da Ilha e do País, foi importante na criação e construção de mais três aeroportos internacionais e locais, dinamizando assim o transporte aéreo no País e ligações internacionais, hoje, até temos dúvida quanto ao destino das transportadoras e dos aeroportos.

Com o boom do turismo no Sal, não fomos capazes de desenvolver a agricultura nas outras ilhas, a ponto de evitarmos ou mesmo diminuirmos a importação de produto agrícolas para abastecer os hotéis.

No Sal o terreno é fértil e com grandes extensões para a pratica agrícola industrial, com a evolução da dessalinização que entrou na ilha a grande escala no inicio dos anos 70 e com a sua evolução nos anos 2000, para a produção de água através do sistema de osmose inversa, atingindo custo da produção de 2kW/m3 e de custo zero com associação de energia renováveis e com disponibilidade para tal na ilha, damos ao luxo de deixar equipamentos a deteriorar, parados, para vencer a vida útil, ao invés de os colocar, nem que fosse a titulo experimental, ao serviço da agricultura local, como vêm fazendo na ilha de Santiago e com a ajuda da Ilha do Sal.

Isso só para mostrar as potencialidades da Ilha do Sal, que, no passado, houve a capacidade e visão de criar as bases, para no futuro serem ampliadas e/ou transformadas, esta geração de “visionários” não está tendo capacidade de executar nenhuma ideia extraordinária, a não ser vender o que não teve ideia de construir e os terrenos que restam das áreas protegidas.

Pegando dos resultados do fruto do turismo, que a pandemia trouxe à luz do dia, como a principal base de sustentabilidade do País, para meter pedra de calçadas e alcatrão nas ruas, como se delas se consegue alimentar o povo nos surtos de crise mundial, nos deixando cada vez mais dependentes do exterior. Isto ao invés de se desenvolver iniciativas estruturantes, como a agricultura, indústria salineira e pesca, para o abastecimento da população e dos hotéis e, quem sabe, exportar para as outras Ilhas e para o mundo.

Com o dinheiro da redução da importação, (frutos dos investimentos nas áreas já citados), mais as taxas do turismo, juntos ornamentar, restruturar e criar as condições urbanas, de habitabilidade e da sustentabilidade das famílias que vivem abaixo do limiar da pobreza, em partes da Ilha e de todo Cabo Verde, usando a mesma intenção de dar empregos às famílias para safarem da crise, com resultados totalmente diferentes de calcetamento e alcatrão que também fazem bem à vista, dá melhor higiene social e urbano, mas não cala a fome.

O mundo está nos dando a lição, como não devemos ser totalmente dependentes, mas mesmo assim, os nossos governantes continuam seriamente cegos e surdos.
Continuam a não dar ouvidos ao povo, atendendo somente as ideias dos parentes próximos do partido no Governo e das Câmaras Municipais.

Auguramos que mudem de ideia, porque o mundo está mudando.

De qualquer forma congratulamos o Governo e os Parlamentares, pela forma firme e de convergência de ideias, que tiverem no início da pandemia da Covid 19, na tomada de decisões, no momento em que o mundo estava em pânico, que esse exemplo sirva, em outras ocasiões, que o País precisar.
...
*Cidadão atento,

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