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INE-CV divulga resultados de estudo sobre o acesso e a utilização das TIC’s no País 16 Julho 2020

Com base num estudo realizado no segundo semestre de 2019, o Instituto Nacional de Estatísticas de Cabo Verde (INE-CV) apresenta os resultados obtidos sobre o acesso e a utilização das Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC’s) no País pela população de 10 anos ou mais.

INE-CV divulga resultados de estudo sobre o acesso e a utilização das TIC’s no País

Conforme o Relatório, recentemente divulgado pelo INE-CV, nos dias de hoje, as TIC’s desempenham um papel fundamental na vida do cidadão e da comunidade a que ele pertence, na medida em que permitem a transmissão de saberes e de práticas à população, assim como permitem que os indivíduos estejam a par do que se passa no próprio país e no resto do Mundo e, ainda, facilitam o contacto entre pessoas do mesmo país ou de países diferentes. Nesse sentido, foram questionados aos agregados sobre a posse de equipamentos que permitem o acesso à informação, à comunicação e ao entretenimento, tais como, rádio, televisão, computador, internet, telefone, equipamentos de áudio ou vídeo, entre outros.

Acesso à Rádio

O estudo indica que dos 158.431 agregados familiares estimados pelo IMC 2019, 47,5% possuíam um aparelho de rádio no alojamento. A percentagem é maior no seio dos agregados urbanos, onde 50,9% deles possuíam pelo menos um aparelho de rádio contra 39,5% dos agregados do meio rural. Os dados dos últimos anos mostram algumas oscilações, no que se refere a posse de rádio nos agregados familiares com uma variação negativa de -14, 9 p.p. entre 2010 e 2019 e um ligeiro aumento comparativamente ao ano anterior (1,1 p.p.).

Acesso à televisão

O inquérito estimou que 83,3% dos agregados familiares possuíam, pelo menos, um aparelho televisor. Esta incidência, conforme o INE-CV, é maior no meio urbano, com 86,8%, do que no meio rural que apresenta uma percentagem de 75,1%.
Sobre o número de televisão adquiridos, 83,9% dos agregados possuíam apenas um, 14,2% possuíam dois e 1,9% possuíam três ou mais.

Acesso à televisão multicanal

A televisão multicanal (por assinatura, a cabo ou via satélite) é um “privilégio” para 30,8% das famílias cabo-verdianas, particularmente das residentes no meio urbano (33,2%). A posse de televisão e o acesso à televisão multicanal nos agregados cabo-verdianos vêm ganhando tendência crescente nos últimos anos. Em relação ao ano anterior, registou-se uma variação positiva na ordem de 0,7 p.p. no número de famílias com posse de televisão e de 1,7 p.p. no número de famílias com acesso a televisão multicanal, diz o estudo.

Acesso ao telefone fixo

Ainda, conforme os dados divulgados, o telefone fixo vem caindo em desuso com o passar dos anos. Entre 2014 e 2019 a proporção dos agregados familiares que possuíam telefone fixo sofreu um decréscimo de 11,5 p.p., sendo de 1,2 p.p. entre 2018 e 2019. Em 2019, 19,5% dos agregados familiares possuíam telefone fixo em casa, sendo 20,5% no meio urbano e 17,1%no meio rural.

Posse do telemóvel

O IMC 2019 estimou que 71,7% dos indivíduos com idade igual ou superior a 10 anos de idade possuíam um telemóvel. Destes, a maioria (37,7%) tem idade compreendida entre 35 e 64 anos e a distribuição entre os sexos é igualitária. “A posse de telemóvel é maior no meio urbano onde 76,4% da sua população possuíam um telemóvel contra 62,0% no meio rural. Da análise por sexo, constata-se que 72,5% dos homens e 70,8% das mulheres, possuíam um telemóvel”.

Relativamente ao grupo etário, observa-se que, 90,2% dos jovens de 25-34 anos e 80,7% dos adultos, 35-64 anos, possuíam pelo menos um telemóvel. É de realçar que 18,6% das crianças 10-14 anos e 75,4% dos jovens 15-24 anos possuem um telemóvel.

Os dados mostram um aumento no número de indivíduos com telemóvel até 2017 onde 74,2% deles possuíam um telemóvel. Este número diminui em 2018 para 70,4%, voltando a aumentar em 2019 para 71,7%.

Acesso ao computador

De acordo com as recomendações da União Internacional das Telecomunicações (ITU), considera-se com acesso a computador no alojamento, qualquer agregado em que algum membro possua um computador de mesa (desktop), um portátil (laptop) ou um Tablet/IPAD. Os dados mostram que cerca de 34,6% dos agregados familiares possuíam, pelo menos, um desses equipamentos (desktop, portátil ou Tablet/IPAD). Este número é muito superior no seio da população urbana onde 41,3% dela possuía um computador. Já no meio rural esta incidência é de apenas 19,2%. Desagregando os dados por tipo de computador, constata-se que, 26,6% possuíam portátil, 16,6% possuíam Tablet/IPAD e 7,4% possuíam desktop.

Os dados recolhidos no âmbito do IMC, ao longo dos anos, mostram que a existência de computador nos agregados familiares cabo-verdiano, cresceu continuamente de 2014 até 2017 de 34,0% para 38,1%, o que se traduz numa variação de 4,1 p.p. Porém, sofreu uma ligeira diminuição, em 2018, para 37,0% voltando novamente a baixar em 2019 para 34,6%. Portanto, um decréscimo de 2,4 p.p. relativamente ao ano anterior

Utilização do computador

No que concerne à utilização de computador, os dados apontam que 20,8% dos indivíduos com idade igual ou superior a 10 anos utilizaram o computador, pelo menos, uma vez, nos últimos três meses anteriores ao inquérito, uma diminuição de 3,7 p.p. em relação ao ano de 2018.

Verifica-se uma grande disparidade na utilização do computador entre a população urbana e a rural. No meio urbano 25,4% da população utilizou um computador nos três últimos meses anteriores ao inquérito, contra 11,3% registado no meio rural. Os indivíduos mais ativos na utilização de computadores estão na faixa etária de 15-34 anos com realce para a faixa de 15-24 anos onde 28,6% dos indivíduos desta faixa etária declararam ter utilizado um computador nos últimos três meses.

Acesso à internet

Conforme o documento, cerca de 67,0% das famílias cabo-verdianas têm acesso à internet no seu alojamento. A população urbana está em vantagem, apresentando uma incidência de 73,6% do seu agregado que tem acesso à internet no alojamento em relação à população rural que apresenta uma percentagem de 51,6%.

Os dados mostram algumas oscilações registadas nos últimos anos no que tange ao acesso à internet no alojamento. Globalmente, estima-se que, desde 2014, a proporção de agregados familiares com acesso a internet no alojamento tenha aumentado consideravelmente, em cerca de 34,8 p.p. No entanto, comparativamente ao ano anterior registou-se uma diminuição de 70,1% para 67,0%.

Tipo de serviços utilizados para aceder à internet

O principal meio de acesso à internet no alojamento é o telemóvel. Isto porque 93,0% dos agregados com acesso à internet no alojamento o têm através do serviço net móvel. Os restantes serviços de acesso à internet apresentam os seguintes valores: 13,0% através do serviço ADSL; 10,1% através do Pen 3G; 1,4% através de praças digitais e 0,4% através da rede do vizinho. Relativamente ao meio de residência, observa-se que, apesar de ser em proporções diferentes, os principais serviços utilizados para o acesso à internet são os mesmos e nessa mesma ordem: net móvel, ADSL, Pen 3G, Praças Digitais e Rede do vizinho.

Motivos para o não acesso à internet nos agregados familiares

Dos agregados que não têm acesso à internet no alojamento, a maioria, ou seja, 43,9% e 38,0% apontam o elevado custo do equipamento e o elevado custo de serviço de internet, respectivamente, como as principais razões pelas quais não possuíam este serviço no seu alojamento. Outras motivações referidas foram a falta de habilidade com o uso de internet (19,3%), a falta de interesse ou mesmo porque não precisa de internet (18,7%) e o facto de ter acesso.

Utilização da internet

Os dados estimam ainda, que 61,9% dos indivíduos de 10 anos ou mais utilizaram internet nos últimos três meses anteriores ao inquérito, com maior proporção de utilização no meio urbano (69,0%) do que no meio rural (47,5%). No seio dos homens, esta incidência é de 62,9% contra 61,0% constatado no seio da população feminina.

Tendo em conta a idade dos respondentes verificou-se que a utilização da internet é mais expressiva nos jovens, com idade entre os 15 e 34 anos. Especificando-se, os jovens de 15 a 24 anos (79,9%) e os de 25 a 34 anos (83,7%) são os que mais utilizaram internet, seguido dos adultos de 35 a 64 anos (57,0%). Vale ressaltar que 31,5% das crianças na faixa etária dos 10 a14 anos utilizaram internet nos três meses anteriores ao inquérito.

Quanto à sua frequência e tempo de utilização da internet, na sua grande maioria, a frequência de utilização da internet é diária, com 78,6% a acederem à internet pelo menos uma vez por dia e com uma intensidade de utilização de cinco horas ou mais semanais (63,0%).

Equipamento utilizado para aceder à internet

No que concerne ao equipamento utilizado para aceder à internet, os dados revelam que 96,8% dos indivíduos de 10 anos ou mais utilizaram o telemóvel para aceder à internet. O computador (desktop ou portátil) afigura como o segundo equipamento mais utilizado para aceder à internet com uma percentagem de 22,3%, enquanto que o Tablet/IPAD é o equipamento menos utilizado com 8,3%.

Locais de utilização de internet

A grande maioria dos utilizadores de internet (83,5%) acede em casa. Sendo o móvel o principal meio de acesso à internet, observa-se que 48,7% acedem em vários lugares recorrendo quer à net-móvel quer à Pen 3G. Uma percentagem de 24,2% dos utilizadores da internet acederam a esta tecnologia no local de trabalho e 12,4% na escola/universidade.

Razões para a não utilização de internet

Dados do INE-CV revelam que as principais razões para o não acesso à internet nos últimos três meses tem haver essencialmente com a falta de competência (não saber usar) (46,7%) e o facto de considerarem que não precisam de internet (36,7%), principalmente por parte da população a partir dos 65 anos. A terceira razão apontada refere-se ao custo do uso de internet. Cerca de 16,5% dos indivíduos de 10 anos ou mais que não utilizaram internet apontaram o custo para o acesso à internet como a terceira causa da não utilização desta tecnologia.

Conhecimento/Habilidades dos indivíduos em TIC’s

Sabe-se que o conhecimento relativamente às TIC’s é medido de acordo com o conhecimento, competências e habilidades na realização de algumas tarefas utilizando o computador. Nesse sentido, às pessoas que declararam ter utilizado um computador nos últimos três meses anteriores ao inquérito, foram questionadas sobre a realização de um conjunto de tarefas.

Observa-se que atividades como copiar ou mover ficheiros/pastas, utilizar comandos para copiar, colar, duplicar ou mover informação, transferir ficheiros entre computadores e outros dispositivos e enviar emails com arquivos anexados, são as mais dominadas pelos respondentes, em que mais de metade deles possuem estas habilidades. Outras atividades como utilizar fórmulas de operação matemáticas numa folha de cálculo, compactar ou zipar ficheiros, instalar ou ligar hardware, criar apresentações eletrónicas e localizar, baixar, instalar e configurar softwares, afiguram como as menos dominadas pelos entrevistados de 10 anos ou mais, pois menos de metade deles possuem estas habilidades.

Convém realçar que as atividades de instalar ou substituir um sistema operativo e criar programas informáticos ainda são de domínio de apenas 14,4% e 12,9% dos indivíduos de 10 anos ou mais, respetivamente.

Posse de equipamentos áudio ou vídeo

Por fim, analisou-se também a posse de determinados equipamentos de áudio e vídeo nos agregados familiares. Dos equipamentos listados, a aparelhagem de som é o mais presente nos agregados familiares com uma percentagem de 29,2% a nível nacional, 33,3%% no meio urbano e 19,8% no meio rural. A câmara de vídeo (excluindo as câmaras de telemóveis) afigura-se como o equipamento menos presente nos agregados familiares, pois apenas 2,2% do total dos agregados, 3,0% do meio urbano e 0,5% do meio rural o possuem. “De forma geral, estes equipamentos são mais encontrados no seio dos agregados urbanos do que no dos rurais”, conclui o estudo do INE.

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