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Identificado 52 anos depois caixa que levou $1,7 milhão USD 16 Novembro 2021

Em 11 julho de 1969 um montante de $1,7 milhão de dólares desapareceu do banco ’Society National Bank’ em Cleveland, Ohio, como se descobriu no primeiro dia útil seguinte, segunda-feira. O suspeito era o caixa Theodore John Conrad, de 20 anos, que no dia 14 já não foi trabalhar. Neste dia 12-11, mais de meio século depois, o ’U.S. Marshals Service’ — muito contestado pela duração da investigação — confirmou que o fugitivo vivia desde 1970 na área de Boston como Thomas Randele.

Identificado 52 anos depois caixa que levou $1,7 milhão USD

As autoridades do ’U.S. Marshals Service’ identificaram Randele como o fugitivo Conrad, a partir de documentos em nome de Conrad nos finais de 1960 e documentos em nome de Randele a partir de 1970. Registos do casamento em 1982, do nascimento da filha, do desenrolar do negócio de automóveis desde 1970 até à falência em 2014.

O ex-caixa Theodore John Conrad — que no seu último dia na função, 11-7-1969, uma sexta-feira, saíra com um saco de papel cheio de notas, num total de mais de 1,7 milhão de dólares (156 milhões CVE) — viveu desde 1970 num bairro residencial de Boston como Thomas Randele.

Os registos mostram que o vendedor de carros Randele — ao fim de meio século de vida tranquila e modesta em Boston — morreu em maio corrente, devido a um cancro de pulmão. Como Randele, a sua data de nascimento era 10 de julho de 1947. Mas a data verdadeira era 10 de julho de 1949. Morreu dois meses antes de completar os 72 anos, disse o delegado Elliot do ’U.S. Marshals Service’.

Inspirou-se no filme

Em 1968 o filme "The Thomas Crown Affair"/O Caso de Thomas Crown, sobre um roubo de dois milhões num banco, foi rodado em Boston. Perto da casa onde Conrad, com nova identidade, passou a morar entre 1970 e 2021.

Em Cleveland em 1968, o ainda adolescente Ted ficou "tão impressionado com o filme que o viu seis vezes, segundo os amigos nos contaram", disse o delegado Elliot do ’U.S. Marshals Service’. "Ele passou a dizer aos amigos que era muito fácil roubar um banco. Chegou a confidenciar que tinha um plano para isso".

Ted pôs o plano em ação em janeiro de 1969. com o seu ar de "bom americano", empregou-se no maior banco da cidade de Cleveland sem sequer ter de apresentar identificação, tanto que no seu ficheiro dos ‘United States Marshals Service’, FBI, Interpol, não existem impressões digitais.

No dia em que fez vinte anos estava tudo a postos para o golpe, facilitado pelo facto de que o chefe estava a ser operado no hospital e Ted tinha sido encarregado de supervisionar o cofre-forte.

Na manhã de sexta-feira, Ted entrou no banco com uma garrafa de uísque e cigarros embrulhados num saco de papel. Disse aos colegas que iam festejar o seu aniversário. Assim foi.

No fim do expediente, Ted saiu com o saco de papel recheado de notas (mil e quinhentas de $100, mil e duzentas de $50 e duzentas e cinquenta de $20, total atual de 1,7 milhão de dólares). Tudo disfarçado como os restos e resíduos de uísque e cigarros.

Na segunda-feira, a senhoria confirmou que o inquilino se tinha despedido na noite de sexta. A polícia confirmou que ele apanhara o voo de Cleveland para a capital, D.C. A partir daí perderam-lhe o rasto.

Ted nunca mais contactou a família, segundo o ’U.S. Marshals Service’.

De pai para filho


Por mais de 50 anos, a investigação continuou. Passou por Washington D.C., Texas, Oregon Los Angeles e outros pontos do território continental e não só, à medida que surgia uma pista.

Califórnia, de onde enviou uma carta à namorada a confessar o roubo e a dizer-se "já arrependido", segundo o New York Times na edição deste sábado 13. Hawaii /Havai, onde um casal de Cleveland que o viu poucas semanas após o golpe deu o alerta.

Um dos delegados federais envolvidos na investigação foi John K. Elliott, que entrevistado por um jornal local de Cleveland, The Plain Dealer disse, em 2008: "Estou reformado, mas nunca vou parar a investigação. Já ouvi tanta gente por aí a comparar o Conrad com um herói tipo Robin Hood. Vou até ao fim para provar que ele é só um bandido".

O atual delegado de Ohio Norte, Peter J. Elliott diz: "O meu pai nunca parou a busca por Conrad e sempre acreditou que um dia ia resolver o caso – até à sua morte em 2020", disse Peter. "Conseguimos comparar os documentos de Conrad nos anos de 1960 — e que o meu pai descobriu – com os documentos de identificação de Randele".

"Espero que o meu pai esteja a descansar ainda mais em paz hoje, porque a investigação, sua e do ‘United States Marshals Service’, resolveu este mistério de tantas décadas”, rematou.

Reações: Tanto dinheiro gasto na investigação para quê?

As reações online ao longo dos últimos anos, sempre que a investigação publicava algo de novo, têm sido pouco abonatórias para os investigadores.

Aponta-se o facto de que se tratou de um crime não-violento. Ou que o montante não era "muito". Ou que se estava a desperdiçar recursos que iam faltar para investigar "crimes mais sérios".
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Fontes: Boston Globe/NBC News/NY Times. Fotos de Conrad aos 19/20 anos e aos 70. "Já ouvi tanta gente por aí a comparar o Conrad com um herói tipo Robin Hood. Vou até ao fim para provar que ele é só um bandido", disse em 2008 o ’US Marshall’ Elliot e cujo filho ’US Marshall’ Peter J. Elliott encerrou o dossier trinta anos depois do pai entrar na reforma em 1991.

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