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Reverenda ’gay’ da Igreja Anglicana filha de Desmond Tutu proibida de presidir exéquias do padrinho anti-apartheid 26 Setembro 2022

A reverenda Mpho Tutu, da Diocese de Washington DC, viajou até à Inglaterra para o funeral do padrinho na quinta-feira, mas a Igreja de Inglaterra proibiu-a de presidir as exéquias por causa do seu casamento homossexual.

Reverenda ’gay’ da Igreja Anglicana filha de Desmond Tutu  proibida de presidir exéquias do padrinho anti-apartheid

"Isto é incrivelmente triste", disse Mpho Andrea Tutu van Furth à BBC. "Vejo-a como uma reação burocrática sem um pingo de compaixão".

A filha mais nova de Desmond Tutu — um dos maiores adversários do apartheid, num combate constante e não-violento que lhe valeu o prémio Nobel da Paz de 1984 — casou-se em 2015 com a pediatra neerlandesa Marceline (foto ao centro).

Sobre o casamento da filha, Desmond Tutu disse: "Sou ativista pelos direitos dos homossexuais e recusaria ir para o Paraíso se este fosse homofóbico. Diria "Não! Prefiro ir para aquele outro lugar". Em 2013 tinha já expressado que era "tão ativista pelos direitos dos homossexuais e pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo como fui ativista dos direitos de todos na África do Sul do apartheid".

Mpho Tutu ordenada pastora anglicana, aos 40-41 anos em março de 2004(foto ao alto, com o pai), exerceu na sua África do Sul e nos Estados Unidos até que em 2015, depois de um casamento hetero que gerou dois filhos, foi proibida de "oficiar sacramentos" devido ao seu casamento homossexual.

Desde então a reverenda exerce o sacerdócio na catedral anglicana de Washington (foto à esqª, 2ª foto da 1ª fila), cujas regras diferem das da igreja anglicana da Inglaterra sediada em Londres (foto à esqª, 1ª foto). A Igreja Anglicana, da Inglaterra, cuja cabeça é o monarca do Reino Unido mantém a proibição do homossexualismo e casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Exéquias celebradas em outra diocese

Perante a intransigência da Diocese de Hereford, a família enlutada de Martin Kenyon (foto à d.ta, 2ª fila) decidiu mudar a cerimónia fúnebre para outra diocese, a de Liverpool, cujo bispo emérito Paul Bayes expressou que "necessitamos urgentemente de criar espaço para a consciência, de criar espaço para a prática pastoral e de espaço para o amor".

A afilhada pôde assim fazer o elogio fúnebre desejado por Martin Kenyon, que morreu esta semana aos 93 anos.

O inglês Martin Kenyon combateu, desde o seu início, o apartheid — instituído entre 1948 e 1993 na então província inglesa da África do Sul — e acolheu em 1962 em Londres a família formada por Lea, enfermeira, e o pastor Desmond Tutu com três filhos. No ano seguinte nasceu Mpho e teve como padrinhos o casal Kenyon. Um ano antes, o casal Tutu tinha batizado a bebé Nina Kenyon.

O reverendo Kenyon destacou-se em dezembro de 2020 como um dos primeiros ingleses a ser vacinado, aos 91 anos. Entrevistado, explicou que se vacinara "para poder abraçar os netos".

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Fontes: BBC/ timeslive.co.za/Times of India/ NY Times/Le Figaro... Relacionado: África do Sul: Ícone anti-apartheid Desmond Tutu teve exéquias de chefe de Estado, 01.jan.022, África do Sul: Tutu pede aos sul-africanos que "não votem como ovelhas", 25.abr.014. Fotos: Reverenda Mpho Tutu Van Furth e a esposa Marceline Van Furth. (inseridas). "O riso contagiante" do arcebispo de Joanesburgo e cidade do Cabo; Desmond Tutu e a esposa Leah estiveram 66 anos casados. Em 11.12.1984, o dia em que Tutu recebia o Nobel em Oslo(foto à d.ta, 1ª fila), a cerimónia atrasou uma hora e meia por causa duma ameaça de bomba.

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