CORREIO DAS ILHAS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Ilha do Fogo: São Filipe celebra os 96 anos da sua elevação a cidade sob prisma do anonimato 12 Julho 2018

Num dia como hoje, há 96 anos, a então Vila de São Filipe ganhava o estatuto de cidade, a terceira, mas a efeméride continua a ser celebrada sob o signo do “anonimato” apesar da sua importância histórica.

Ilha do Fogo: São Filipe celebra os 96 anos da sua elevação a cidade sob prisma do anonimato

A urbe de São Filipe, o núcleo populacional mais antigo de Cabo Verde, depois da Cidade Velha (Ribeira Grande de Santiago), foi elevada à categoria de cidade, no dia 12 de Julho de 1922 e este feito contou na altura com influência política do cidadão foguense Abílio de Macedo, uma das figuras ainda referenciadas na ilha do Fogo.

O diploma legal número dois de 12 de Julho, publicado no Boletim Oficial Nº 28 de 1922, aprovado pelo Conselho Legislativo Colonial, apontava um conjunto de razões para que a então Vila de São Filipe ascendesse à categoria de cidade, passando a ser a terceira do país.

“Depois de ter jazido longos anos no mais censurável esquecimento, tem sido contemplado nestes últimos tempos com algumas obras”, lê-se no documento de base para atribuição do estatuto de cidade, indicando que “é natural que essa dinâmica tenha ganho um certo ritmo, pois, só assim se compreende que algumas poucas dezenas de anos depois, a vila tenha sido elevada a cidade, dado o lugar que ocupava entre as restantes vilas da província”.

“As nobilíssimas tradições que a história regista como o gesto sublime de grandeza e patriotismo pela sua atitude altiva contra o domínio de Espanha (…), a avultada riqueza comercial e agrícola (…), os importantes melhoramentos e notórias modificações, por que tem passado, atestam na fisionomia social da sua população o louvável desejo de engrandecer e progredir”, refere o documento. Fonte: Inforpress

Um “apreciável grau de instrução” da população, sendo “insignificante” o número de analfabetos e o rendimento com que concorria para os cofres da província foram outras das razões que ditaram a elevação da Vila (Bila) de São Filipe à categoria de cidade.

São Filipe sede do município com o mesmo nome e capital da ilha do Fogo é o núcleo populacional “mais importante” da ilha e onde se encontra uma série de equipamentos utilizados por pessoas de outros municípios da ilha, Mosteiros e Santa Catarina, e inclusive da vizinha ilha Brava.

Possui um “importante papel” comercial para a ilha, pois é nela que se encontra as mais importantes casas comerciais e o mercado, e actualmente é a única porta de entrada e saída da ilha e onde estão localizados o porto e o aeródromo.

Localizada a oeste da ilha, o seu clima é quente e seco, com vento dominante de nordeste que sopra constantemente durante todo o ano, com escassos períodos de acalmia ou de variações, assentando na ladeira ocidental da ilha, a qual corre para o mar com um declive menor.

Na data da sua elevação a cidade, a vila contava com quatro mil habitantes e uma área de apenas 25 quilómetros quadrados, sendo que a vila na altura era apenas um vestígio de um passado que se cria próspero, mas a dinâmica do crescimento urbano de São Filipe extravasou, há muito os limites do centro histórico.

A sua fundação e povoamento ocorreram um quarto de século após o descobrimento de Cabo Verde pelos Portugueses em 1460/62, e ter-se-ia verificado ainda antes de 1493, pois a relação de entrega de alguns objectos de culto divino a essa ilha deixa pressupor.

O conjunto histórico-patrimonial de São Filipe se afigure na lista indicativa que Cabo Verde entregou à UNESCO, sobretudo o seu centro histórico, foi classificado há cinco anos como sendo património nacional, sendo que os seus núcleos mais antigos, nomeadamente “Bila Baixo” e “Bila Riba,” tem-se procurado, embora com muitas dificuldades, conservar os seus traços arquitetónicos iniciais, mas estão sendo adulterados em alguns edifícios, perante a passividade das autoridades.

Nos últimos 25 anos a data foi comemorada uma vez por iniciativa de uma entidade privada (empresa Djar’Fogo), e entre 2013 a 2016 pela edilidade ainda sim “sem a dignidade que a cidade merce”.

Como forma de não deixar passar em branco o aniversário da sua elevação a cidade, muitos defendem a transferência do dia do município de 01 de Maio para 12 de Julho, deixando o 1º de Maio como sendo dia da ilha que foi descoberta nessa data e que foi baptizada com o nome de “ilha de San Filipe” e só mais tarde alterado para ilha do Fogo devido ao seu vulcão activo e as sucessivas erupções vulcânicas.

Inforpress/Fim

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade
Cap-vert
Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project