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Ilha em Espanha vai desaparecer 17 Fevereiro 2022

Os donos das 185 casas da ilha condenada à demolição, Isla Valdecañas, incluem o filho do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar, um primo do rei de Espanha, outras celebridades do jet-set global a que se juntaram mais de centena e meia de endinheirados. A decisão do Supremo Tribunal do país, dada a conhecer esta semana, acabou por dar razão aos ambientalistas que desde há quase duas décadas lutam contra a construção numa zona de "especial proteção ambiental".

Ilha em Espanha vai desaparecer

Era o sonho de luxo de algumas centenas ter a sua villa (casa de férias) na urbanização La Marina Isla Valdecañas, construída numa ilha artificial ao largo de Cáceres, cidade Património da Humanidade pelos seus palácios, ruas, praças e muralhas, que são testemunhas de três civilizações desde a Idade Média.

Mas o lugar de sonho com espaços para praticar desporto e percursos pedonais e de bicicleta, numa área de 130 hectares e situado a uma hora e meia de Madrid, escondia o pesadelo que era o custo ambiental do empreendimento, com grande impacto na natureza.

O alerta dado pelos ambientalistas desde há quase vinte anos — antes de arrancar a construção das 185 casas luxuosas com preços desde o meio milhão até milhões de euros, o hotel de quatro estrelas, o campo de golf, a sua praia privada, restaurantes, piscina, marina, clube náutico — não impediu que o complexo fosse avante.


Uma década de batalhas judiciais

Hoje, este complexo de luxo está a funcionar, mas não totalmente. As instalações começaram a ser abandonadas e deterioram-se pela passagem do tempo porque as empresas encarregadas da sua manutenção e construção faliram em 2015.

Com os ecologistas a interporem sucessivos processos judiciais, TSJE-Tribunal Superior de Justiça da Extremadura em 2011 declarou o empreendimento nulo porque "construído em terreno protegido e não urbanizável" e ordenou a sua demolição.

Foi com base na perícia científica, do Centro Superior de Investigação Científica, sobre o impacto ambiental da demolição do empreendimento que seria dez vezes inferior ao da sua preservação, que o TSJE decidiu.

Perante isto, o Governo da comunidade autónoma da Extremadura alterou a Lei dos Solos que afetavam a área na tentativa de apoiar o complexo de luxo.

O TSJE apelou ao Tribunal Constitucional para declarar a ilegalidade da alteração legislativa. Só em 2019, a entidade se pronunciou e deu razão aos ambientalistas. O Governo recorreu ao Supremo que lhe deu razão. Novo recurso...

O Governo da Extremadura deverá suportar o custo de 34 milhões de euros dos trabalhos de demolição, além de mais de 100 milhões de euros de indemnizações aos proprietários, que compraram as suas casas legalmente.

Fontes: El País/ABC/

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