OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

(In) Felicidade para os Cabo-verdianos 28 Novembro 2019

A felicidade prometida para Cabo Verde está no aumento da pobreza, do desemprego (sobretudo da camada jovem, que se encontram num estado de aflição, procurando a emigração como saída, em busca de uma vida melhor), da insegurança, da falta de qualidade nos serviços de saúde, de uma educação precária (com muitos erros em manuais escolares, com único objetivo de transitar de ano os alunos, sem ter em conta a qualidade de ensino, da capacitação dos estudantes), de ligação deficiente dos transportes marítimos e aéreos entre as ilhas (condicionando o desenvolvimento das atividades económicas, como agricultura, pesca, pecuária, comércio e até a mobilidade de passageiros), esta felicidade assente ainda numa política zero para agricultura e pesca, deixando os agricultores e pescadores em desespero quanto a colocação dos seus produtos nos mercados, também faz parte desse baile de felicidade prometida, aumento dos preços dos produtos e das mercadorias, aumento dos preços das passagens aéreas, aumento de custo de vida das pessoas, e o salário a manter constante, sem uma alternativa para emigração. A felicidade prometida abarca mais casos de violência, de prostituição, da desorganização das instituições públicas, da burocracia e mais endividamento público, sobretudo das autarquias locais, quando se diz que há mais recursos transferidos para os municípios.

Por: Albino Sequeira*
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(In) Felicidade para os Cabo-verdianos

As eleições existem e baseiam em escolhas livres, num ambiente democrático correlacionado com um clima de paz. Cada cidadão escolhe livremente o seu candidato, pelo menos é o que diz a lei.

Os governantes são eleitos para governarem o seu povo, visando a satisfação do bem comum. É este o propósito de governar o bem comum.

Em Cabo Verde, a constituição define o nosso país como um Estado de Direito Democrático, isto é, o povo Cabo-verdiano tem a liberdade de fazer as suas escolhas na vida e de exigir os seus direitos. Infelizmente, a nossa democracia é, na teoria, mas na prática a música é outra. Intimidações, represálias, injustiça, inverdades, não transparência na gestão de coisa pública, pobreza, comunicação social censurada são, entre outros, fatores caracterizam a nossa democracia.

Os políticos esqueçam a essência da democracia, que é governo do povo para o povo, e praticam em grande parte a demagogia, que é conduzir o povo através de sofismas, ou seja, de mentiras.

Se os servidores públicos, do povo, neste caso, os governantes e os deputados utilizassem o conceito da democracia na sua plenitude, a população não sofreria tanto, sobretudo nas áreas cruciais, tais como, educação, saúde, transporte, segurança, saneamento básico e emprego. Haveria mais recursos disponíveis para investimentos nestas áreas, reduzindo as viagens dos mesmos, as regalias e aceitassem apenas os seus salários, com certeza tínhamos mais equilíbrio social, melhor distribuição de riqueza e aplicação dos recursos.

Durante a campanha nas eleições legislativas de 2016, o então candidato do MpD, Ulisses Correia e Silva prometeu levar a felicidade aos Cabo-verdianos com base em muitas propostas e promessas eleitorais.

Já no fim do mandato e com último orçamento para ser aprovado, o que se pode afirmar é que a felicidade nunca visitou nenhuma porta dos cidadãos, pelo menos da classe baixa, que representa a maioria dos cabo-verdianos.

Falar da felicidade, hoje, aos Cabo-verdianos, é prática pura da demagogia política. Falar que o país melhorou é uma falácia. Assegurar que o serviço de transporte em Cabo Verde nunca esteve tão bem como agora, é passar uma mensagem de propaganda política, sujeitando-se ao ridículo. E garantir que o arquipélago é hoje mais seguro, é tentar passar um atestado de ignorante ao povo, sabendo que qualquer um vê a dura e triste realidade da situação do país.

Se em 2016, o atual Primeiro-ministro prometia felicidade, hoje cala-se perante a sua consciência, aceitando que falhou na adoção de certas medidas políticas e na escolha de certos Ministros, pior ainda, recusando a possibilidade de uma reforma do Governo.

A felicidade prometida para Cabo Verde está no aumento da pobreza, do desemprego (sobretudo da camada jovem, que se encontram num estado de aflição, procurando a emigração como saída, em busca de uma vida melhor), da insegurança, da falta de qualidade nos serviços de saúde, de uma educação precária (com muitos erros em manuais escolares, com único objetivo de transitar de ano os alunos, sem ter em conta a qualidade de ensino, da capacitação dos estudantes), de ligação deficiente dos transportes marítimos e aéreos entre as ilhas (condicionando o desenvolvimento das atividades económicas, como agricultura, pesca, pecuária, comércio e até a mobilidade de passageiros), esta felicidade assente ainda numa política zero para agricultura e pesca, deixando os agricultores e pescadores em desespero quanto a colocação dos seus produtos nos mercados, também faz parte desse baile de felicidade prometida, aumento dos preços dos produtos e das mercadorias, aumento dos preços das passagens aéreas, aumento de custo de vida das pessoas, e o salário a manter constante, sem uma alternativa para emigração. A felicidade prometida abarca mais casos de violência, de prostituição, da desorganização das instituições públicas, da burocracia e mais endividamento público, sobretudo das autarquias locais, quando se diz que há mais recursos transferidos para os municípios.

Para 2021, o Presidente do MpD deve estar a pensar num novo conceito da felicidade para voltar a convencer o eleitorado Cabo-verdiano, ou senão noutra estratégia política para caçar votos.

Que a felicidade prometida em 2016 seja erradicada o quanto antes do país, sob pena de o povo manter infeliz e sofrer por muito tempo. Bons tempos hão de voltar.
Um Cabo Verde mais próspero e rico para todos os seus filhos aproveitarem e serem felizes.
— -
*Economista e escritor

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