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Índia: 526 dentes extraídos a menino de 7 anos — Radiação de torres elétricas pode causar odontoma 09 Agosto 2019

"Pareciam pérolas na sua ostra", disse a médica-dentista Prathibha Ramani ao ’Times of India’, sobre os quinhentos e vinte e seis dentes miniaturas extraídos a Ravinaprath de sete anos, durante a cirurgia feita no mês passado num hospital de Chennai, capital de Tamil Nadu, estado no leste da União Indiana.

Índia: 526 dentes extraídos a menino de 7 anos — Radiação de torres elétricas pode causar odontoma

A crescente tumefacção (inchaço) do queixo do menino obrigou à sua hospitalização, quatro anos depois de aos três anos um primeiro sinal ter levado à proposta de uma cirurgia que foi rejeitada pelos pais.

Aos sete anos, ’a mandíbula estava permanentemente inchada’. Os pais receiam um cancro, pelo que decidem levá-lo ao hospital.

Os exames radiológicos (radiografias e scanner) revelam uma volumosa lesão e "os médicos-cirurgiões decidem operar". A lesão está bem delimitada ao maxilar inferior e fazem a sua ablação (extração).

A peça extraída pesa duzentos gramas! Nova radiografia põe à mostra "um número considerável de estruturas rádio-opacas", que são os minúsculos dentes. A equipa médica procede à contagem minuciosa da peça durante cinco horas.

Todos estão boquiabertos: são quinhentos e vinte e seis fragmentozinhos, mas também parecem dentes miniaturas. Os mais pequenos medem menos de um milímetro, os maiores chegam aos quinze mm.

Dentículos

"Até o fragmento mais pequeno tinha a coroa, a raiz e uma camada de esmalte, a comprovar que era mesmo um dente", como a cirurgiã-chefe do serviço de patologia bucal e maxilo-facial do hospital universitário dentário de Saveetha explicou ao Times of India.

"Sob anestesia geral, abrimos a mandíbula no sentido descendente e não no lateral para evitar uma intervenção de reconstrução. Retiramos então o produto em forma de saco que continha todos esses fragmentos", indicou a referida fonte.

Tumor odontógeno não canceroso

A patologia — benigna, indolor, de crescimento lento e que se interrompe espontaneamente — desenvolve-se nos ossos e mucosa da região maxilo-facial.

Resulta de uma malformação tecidular benigna, o "odontoma composto" como o designou em 1866 o seu descobridor, o célebre médico francês Paul Broca, famoso também pelos estudos sobre as afasias (deficiências de fala), que foram decisivos para a emergência da ciência linguística, no século XX.

Qual a causa deste fenómeno raro que foi descoberto em França no século XIX, mas raramente registado?

Um estudo chinês publicado em 2015 indica um total de 12 casos a nível mundial, quando se trata de odontomas "gigantes" (ou seja, entre os referidos menos de 1 mm e até 15 mm). Mas referia-se unicamente à literatura médica em inglês. Em França, segundo o Le Monde, na sua edição de 6 do corrente, estão registados dois casos, em 1910 e 1947.

Os estudos odontológicos indianos indicam o seu registo, pela primeira vez, em 2014, ano em que foram extraídos 232 dentes a um adolescente de Mumbai/Mombaça. No ano seguinte uma criança de cinco anos foi submetida a uma cirurgia em que lhe extraíram vinte e cinco dentículos. Agora, o recorde de 526 dentículos.

Cientistas de França, China e Índia estão a trabalhar com várias hipóteses sobre as causas: traumatismo local durante o período de desenvolvimento dos dentes de leite, infeção, antecedentes familiares, anomalia hereditária associada a outras malformações complexas, hiperatividade odontoblástica, mutação genética espontânea.

Fontes: Referidas/Literatura especializada. Foto: protagonistas. Falta agora saber as causas: Radiação emitida por torres telecoms próximas das residências? Estaremos a colher o que plantámos? LS

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