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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Índia: Projeto "Somos todas bruxas" relata vidas inenarráveis sob Covid-19 27 Setembro 2021

A pandemia em curso juntou-as para reportarem sobre o que ia acontecendo em trinta Estados da União Indiana flagelados pela Covid-19. Todos os dias às 19 horas, quarenta jornalistas online faziam o ponto de situação do estado pandémico estadual: ,,,Óbitos sub-reportados. Esse contacto diário com a audiência revelou a necessidade de falar das outras crises que coexistem com a pandemia do coronavírus.

Índia: Projeto

A imensidão do subcontinente indiano levou a ong ’Gather Sisters/Encontro de Irmãs’ sediada na capital da União, Nova Deli/Delhi, a embarcar no projeto The Moment, As She Knows It/O Momento, Como Ela O Conhece, cujo objetivo era narrar histórias da vivência com a Covid-10 na perspetiva das jornalistas.

Óbitos sub-reportados

Os verdadeiros número da Covid-19 não estavam a ser publicados e no 2º trimestre deste ano, jornalistas como Jyoti Punwani, de Mumbai, decidiram ir aos locais de cremação segundo o rito hindu.

No dia 22 de maio, lia-se na primeira página que entre 15 de março e 18 de maio tinham sido realizadas "32 mil exéquias asthi visarjans/ imersão de cinzas no Ganges"— o rito funerário hindu que é praticado pela esmagadora maioria da população estadual.

A média diária mais que triplicara nesse período: de 150 passara para 492. O registo oficial indicava para o período de 1 de março a 10 de maio um total de 4.218 — média diária de 59.

A contagem real de mortes mostrou o impacto da segunda vaga ", disse a jornalista. "Os números oficiais eram bem diferentes".

Homens ficam com terras em caça às bruxas

A jornalista Chhandosree Thakur, de Jharkhand, referiu a verdadeira "caça às bruxas" nesse Estado mais a leste. Mulheres são frequentemente vítimas de linchamento até à morte sob o libelo de que são bruxas. Segue-se a atribuição das terras da infeliz dona aos homens que a acusaram.

Caxemira perdeu autonomia, serviços sociais

A jornalista Quratulain Rehbar descreveu como a pandemia veio piorar ainda mais a vida na região, dantes autónoma, que há dois anos está debaixo de intervenção da União Indiana. (Índia: Modi retira autonomia e isola Caxemira — "Povo ainda não sabe, só quando comunicações forem restabelecidas", 10.ago.019).

Com o artigo 370 da Constituição suspenso, o Estado de Caxemira perdeu o seu estatuto especial. Os serviços de transportes públicos, comissões de atendimento contra a violência policial, contra a violência doméstica foram desmantelados --- o que penaliza sobretudo as mulheres.

Tráfico humano

Em Bihar, Estado vizinho do Uttar Pradesh, fronteiro com o Nepal, duas jornalistas depararam com o problema das crianças-noivas. Menores dadas em casamento a desconhecidos que as levam da aldeia para a cidade, com um destino que a família ignora ser a prostituição.


Universidade: uma miragem

A jornalista Srinivasan, do New Indian Express, relatou sobre as dificuldades de ingresso na universidade que as jovens do Estado de Tamil-Nadu enfrentam.

Pressão do dote: "a vida vale pouco"

A pressão sobre a família da noiva, para pagar um dote, tem levado pais em desespero a raptar o prospetivo noivo e forçá-lo a casar-se.

Outra faceta é o desespero com que a jornalista viu um pai receber a notícia de que o quinto parto era de mais uma filha: "Que desgraça! Cinco dotes para pagar".

Agricultores no desemprego ou em greve, suicídios e viúvas na linha da frente

No Punjab que faz fronteira com o Paquistão, os agricultores em greve ou os que se suicidam deixam para trás uma carga dupla para as mulheres que têm de colmatar essa ausência masculina, como relatou a jornalista do Tribune, Ruchika M. Khanna.

Compromisso e ética extraordinários

Segundo o consórcio de jornalistas de investigação que divulgou esta semana, as jornalistas revelaram" um elevadíssimo grau de empenho e ética" na sua missão de informar.

Muitas arriscaram a vida, ao entrarem em zonas altamente flageladas pela Covid, hospitais onde faltava o básico para salvar vidas. Ou aldeias onde não havia transporte para levar o doente até à unidade de saúde mais próxima. Ou casas onde as pessoas deixavam morrer o seu familiar doente porque não sabiam o que fazer.

Outras foram maltratadas e receberam ameaças de morte por terem entrado nos crematórios para contar os cadáveres.

Muitas perderam noites a coordenar com hospitais, serviços de proteção civil em nome de doentes cujas famílias não sabiam como pedir socorro, lê-se no site do IIJC.

Foi unânime ainda que existem situações em que as jornalistas têm de lidar com o desrespeito para conseguirem fazer o seu trabalho. Exemplo: os que detêm a informação recusam cedê-la a quem "não vai entender nada do que eu disser".
...

Fontes: Times of India/ The Indian Express/ The Hindu/ Deccan Herald/... Fotos (Shutterstock): Pacientes de Covid-19 num hospital público em Rajasthan, onde "faltam camas, oxigénio", devido ao "crescimento de casos", desde junho. 40 jornalistas deram voz a vidas que de outro modo seriam inenarráveis sob Covid-19.

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